quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Sem dinheiro e aliados inquietos, Daniel pode repetir Zé Eliton 2018

Wilson Silvestrepor Wilson Silvestre em 8 de junho de 2026 às 09:15
Sem dinheiro e aliados inquietos, Daniel pode repetir Zé Eliton 2018
Ilustração: Takeshi Gondo

Os dois mandatos do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, hoje no PSD e agora em busca do Palácio do Planalto, legitimaram um mosaico sociopolítico assimétrico. Eleito logo no primeiro turno sem contar com uma base política tradicional, formatou seu governo com técnicos em gestão, muitos vindo de outras regiões. Foi criticado por ter escanteado “lideranças políticas”. Sua estratégia deu certo. Fez uma gestão mais institucional e menos obreira, equilibrou as contas públicas e calou a oposição. Sem adversários consistentes na disputa do segundo mandato, fez seu lance político mais ousado: convidou Daniel Vilela (MDB) para vice.

Tacada inteligente parecida com a do presidente Lula (PT), que convenceu seu principal adversário, Geraldo Alckmin para vice. O resto é história. No entanto, Daniel não é Caiado e tem pela frente o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e o senador Wilder Morais (PL). Os dois sabem que as contas públicas estão no limite e que qualquer descuido na gestão, pode interromper os poucos investimentos que o governo faz. A rigor, o único projeto que Daniel tem é o Goiás Social, herdado da ex-primeira-dama, Gracinha Caiado (União Brasil). Fora isso, o governador não tem nada para oferecer aos prefeitos, além de massa asfáltica para tapar buracos.

A gestão pública requer mais do que sorrisos e salamaleques. É necessário entender como a mola propulsora da economia funciona, principalmente os fundamentos macroeconômicos, conceitos que Daniel talvez conheça, mas demonstra dificuldade para transformar em dividendos políticos. O mesmo ocorreu com José Eliton em 2018 quando disputou a reeleição e perdeu no primeiro turno. Embora as circunstâncias tenham sido outras, existe uma semelhança no modus operandi. Assim como José Eliton havia prometido ajuda aos aliados, principalmente prefeitos, Daniel fez o mesmo. O problema é que, não existem recursos do estado para cobrir as promessas.

Promessas vazias e pesquisas ufanistas

Em 2018, a base de apoio a José Eliton contava com aproximadamente, 180 prefeitos nos 246 municipios goianos, quantitativo que Daniel Vilela diz ter próximo de 200. Os mais experientes sabem que, se o líder das pesquisas começar a cair, será um barata voa dos aliados. Os prefeitos sabem que em 2027, se não entregarem algumas obras à população, a oposição vence. No caso de Daniel, dois fatores podem dificultar sua reeleição. As promessas não cumpridas aos aliados e o ufanismo das pesquisas que apontam Daniel muito à frente de seus adversários.

Não é bem assim

A coluna tem acompanhado o monitoramento de pesquisas dos adversários de Daniel. Os números dão o governador na frente, mas com diferenças pequenas em relação ao segundo e terceiro colocado. Então, por mais ufanista que seja o Palácio das Esmeraldas, o ‘salto alto’ não é tão superlativo assim. Tem muita estrada para percorrer.

No limite

O analista econômico do jornal O Hoje, Lauro Veiga, fez uma radiografia das finanças do estado e, pelos números oficiais, está em equilíbrio entre despesa e receita, No entanto, a margem para investimentos é muito pequena. Os números estão disponíveis em ohoje.com.

Ofensiva em marcha

Os pré-candidatos a governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) e o senador Wilder Morais (PL). intensificaram suas agendas de reuniões e aparições públicas. A estratégia de ambos é continuar a investir nas lideranças políticas, muitas delas deixadas na chuva pelos dois governos de Ronaldo Caiado. Wilder se divide entre as sessões no Senado e participações em eventos.

Ofensiva digital

Lula (PT) e Sidônio escalaram Pedro Rousseff (PT), sobrinho-neto de Dilma Rousseff que é vereador em Belo Horizonte, para coordenar a estratégia eleitoral petista nas redes sociais. Na oposição, Flávio Bolsonaro (PL) tem Nikolas Ferreira (PL-MG) para exercer papel semelhante.

Olho em 2027 — Com Lula (PT) favorito para ser reeleito, petistas e os socialistas do PSB, miram 2027. O vice-presidente Geraldo Alckmin é um deles e começa a ser citado para a sucessão presidencial. O problema é o PT que não dá abrir mão da cabeça de chapa.

 

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