Sem exercer prerrogativas, Alego não se renova nem revela líderes
A Assembleia Legislativa de Goiás está em completo desvio de função. Suas emendas, inclusive as impositivas, pagam até roupas para o pessoal dos gabinetes e veículos zero km para pastores das bases dos deputados. O que a Alego não faz é o que a Constituição diz que são seus deveres, legislar e fiscalizar. Nos últimos mandatos, inclusive os dois de Ronaldo Caiado, os governadores não tiveram oposição. O resultado é a apatia do eleitorado quanto ao Parlamento e essa falta de consciência crítica, junto com o derramamento de dinheiro, impede a renovação – mais de 70% dos atuais podem ser reeleitos.
O Orçamento de Goiás para 2026 é de R$ 53,4 bilhões, mas só R$ 1,24 bi para investimentos. Sim, tudo o que Caiado (3 meses) e Daniel Vilela (9) têm para investir neste ano é o mesmo que a Assembleia possui para fazer pré-campanha (leia aqui a edição do Diário Oficial: diario_oficial_2025-07-11_suplemento_completo.pdf). É mais que para o Ministério Público, com todos os promotores e procuradores de Justiça e seus auxiliares (o MP-GO tem 1.316 nomeados sem concurso e 1.234 efetivos).
Com uma legislatura baseada em ações que nada têm a ver com o Legislativo, não se revelam líderes. Se houver algum bom de tribuna, ninguém vai saber, pois o foco ali é Deputados Aqui, showmício por conta do contribuinte. Se tiver ótimo regimentalista ou autor de textos jurídicos, continuam anônimos no reino dos salamaleques, das homenagens imerecidas e da gastança degenerada. Dali saíram três governadores (Iris Rezende, Maguito Vilela, Marconi Perillo), grandes escritores (Eurico Barbosa, Ursulino Leão), ótimos tribunos (Iris, Vilmar Rocha). E agora?