Serviços, comércio e indústria apontam para baixo em outubro

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em: 15 de dezembro de 2021

Os dados apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)em sua pesquisa mensal sobre o setor de serviços indicam que o avanço da vacinação já não tem conseguido assegurar, isoladamente, a manutenção das taxas de crescimento registradas pelo setor de serviços nos primeiros meses deste ano. Setor mais atingido pela pandemia e pelas medidas de isolamento inicialmente adotadas por Estados e municípios, o nível da atividade dos serviços em todo o País recuou em outubro pelo segundo mês consecutivo, na comparação com os 30 dias imediatamente anteriores no Brasil e em Goiás.

Como ressalta o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), em análise também divulgada ontem, “o declínio recente dos serviços coloca em evidência a inter-relação entre os diferentes setores da economia. Com varejo e indústria no vermelho há algum tempo, se reduzem muito as chances de os serviços manterem sua toada de expansão”. Em todo o País, a atividade no setor caiu 1,2% em outubro frente a setembro, quando já havia anotado recuo de 0,7% diante de agosto. Em Goiás, o IBGE computou quedas de 2,2% em setembro e de 0,8% em outubro, sempre em relação ao mês imediatamente anterior.

Todos os três grandes setores de atividade passaram a frequentar terreno negativo num período mais recente e agora reafirmam a tendência de desaquecimento já anotada pelos números do Produto Interno Bruto (PIB) referentes ao terceiro trimestre deste ano. Em Goiás, as vendas do varejo mais convencional, excluídos estabelecimentos que operam também no segmento atacadista (concessionárias de veículos e motos, lojas de autopeças e de materiais de construção), caem há três meses, com baixas de 6,7% em agosto, de 2,8% em setembro e de 0,6% em outubro (em relação aos meses imediatamente anteriores). Comparadas ao mesmo mês de 2020, a vendas caíram 6,0%, 8,9% e 10,3% igualmente em agosto, setembro e outubro, pela ordem.

Estragos no varejo

O nível das vendas em todo o País não conseguiu retomar sequer os níveis de fevereiro do ano passado, mantendo-se 0,1% mais baixas. Na prática, observa-se uma estagnação no período, depois dos maus resultados colhidos nos primeiros meses da pandemia. As vendas chegaram a se recuperar, alcançando seu pico em novembro do ano passado, mas mergulharam 6,4% desde lá. Para comparação, até julho deste ano, o nível das vendas encontrava-se 5,5% mais elevado do que aquele observado em fevereiro do ano passado. O quadro observado para o varejo em Goiás mostra um tombo acumulado de 9,8% para as vendas entre julho e outubro deste ano, caracterizando o esfriamento geral da atividade econômica no Estado no segundo semestre. Em relação a fevereiro de 2020, antes da pandemia, o setor mantém uma distância de 8,5%. As perdas desde maio de 2014, quando o varejo atingiu seu melhor momento na série histórica do IBGE, alcançam 33,2%. Mais claramente, o varejo consegue vender hoje o correspondente a apenas dois terços do que vendia há mais de sete anos.

Balanço

  • A produção industrial não tem se saído melhor. Na verdade, a indústria tem demonstrado as mesmas dificuldades já observadas mesmo antes da pandemia, quando já vinha de taxas muito modestas de crescimento e um desempenho titubeante, oscilando entre altos e baixos mês a mês. Em outubro, o setor produziu 4,1% menos do que o volume processado em fevereiro de 2020. A indústria brasileira atingiu seu melhor desempenho no já distante maio de 2011 e, desde lá, acumulou perdas de 20,2%.
  • No Estado, a produção ficou paralisada em outubro, se comparada a setembro, depois de recuar 0,8% e 2,3% em agosto e setembro. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a indústria goiana não apresenta crescimento há sete meses em sequência, acumulando baixa de 4,7% nos primeiros dez meses deste ano frente a igual intervalo de 2020. Em agosto, setembro e outubro, a produção goiana baixou, respectivamente, 3,7%, 8,3% e 6,6% diante dos mesmos meses do ano passado.
  • Ainda em relação à indústria local, a produção estava em outubro deste ano 5,4% abaixo dos níveis verificados em fevereiro de 2020 e 11,2% menor do que em outubro de 2019, mês em que o setor havia realizado seu melhor desempenho na série de dados do IBGE.
  • Essa combinação de indicadores, considerando-se ainda que a balança comercial do Estado passou a apresentar saldo negativo em outubro e novembro, sugere um fim de ano fraco para a economia, consolidando um quarto trimestre negativo ou de estagnação, o que não deverá ajudar muito na largada do ano novo.
  • De volta ao setor de serviços, os números parecem mais vistosos na comparação com os níveis achatados de 2020 e ainda assim percebe-se evidente desaceleração. Na média do País, os serviços avançaram 7,5% em outubro diante do mesmo mês do ano passado (quando havia sido anotada queda de 8,7%). O crescimento, de toda forma, havia atingido 23,3% em maio. Em Goiás, a taxa mensal saiu de 17,2% agosto para 7,8% em outubro.
  • Na visão do Iedi, ao avaliar os resultados dos serviços em relação a setembro, “todos os segmentos no negativo em outubro deste ano estão vinculados ao nível geral de atividade econômica.São os casos, por exemplo, de serviços profissionais, administrativos e complementares, geralmente demandados pelas empresas naquelas funções terceirizados; de serviços de transporte, armazenagem e correios; e cada vez mais de serviços de informação e comunicação, com a progressão dos negócios digitais e do teletrabalho, além de outras novas tendências”.
  • A exceção veio do setor de serviços prestados às famílias (2,7% de avanço na sápida de setembro para outubro), “justamente aquele que mais longe está do pré-pandemia (13,6% mais baixo) e que menos condições de recuperação apresentava antes do avanço da vacinação, devido ao receio dos consumidores e das exigências de distanciamento social”, comenta ainda o instituto.
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