Serviços derrapam em novembro e devem atingir menor alta em 6 anos
Caso a tendência observada ao longo dos 11 meses iniciais do ano passado seja mantida até o encerramento do período, os dados da Pesquisa Mensal de Serviços, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que a atividade no setor poderá registrar em 2025 a menor taxa de crescimento desde 2019, quando desconsiderado o período mais crítico da pandemia, ocorrido em 2020. Naquele ano, as medidas de distanciamento social adotadas para conter o avanço da Covid-19 provocaram queda de 7,8% no volume de serviços oferecidos no País.
A partir de outubro, o setor passou a apresentar crescimento anualizado de 2,7% e repetiu o mesmo resultado nos 12 meses encerrados em novembro. Se confirmado esse desempenho, a atividade tende a avançar em ritmo semelhante no fechamento de 2025, superando apenas o avanço modesto de 1,0% observado em 2019 — novamente desconsiderando os efeitos da pandemia, que distorceu a economia, desestruturou cadeias produtivas e resultou em mais de 700 mil mortes, das quais quase 60% poderiam ter sido evitadas.
Na comparação com 2024, quando os serviços cresceram 3,1%, a desaceleração pode não parecer expressiva. É preciso lembrar, no entanto, que até julho de 2023 o setor avançava a taxas duas vezes mais elevadas, superiores a 6,0% no acumulado em 12 meses, perdendo fôlego a partir daquele ponto. Desde então, as taxas medidas pelo IBGE passaram a se situar em patamares mais próximos de 3,0%, com reflexos sobre a inflação do setor ao longo de 2024.
Descompassos
Em fevereiro de 2023, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apontava inflação anual de 7,84% para os serviços, em um contexto no qual a atividade crescia a uma taxa anualizada de 7,7%. A inflação recuou para 5,45% nos 12 meses encerrados em outubro daquele ano, enquanto o volume de serviços desacelerou para 3,9% e, dois meses depois, para 2,9%, no fechamento de 2023. Ainda assim, a inflação anual voltou a subir para 6,22%.
Em junho de 2024, o IPCA de serviços atingiu 4,49%, diante de crescimento de apenas 2,2% da atividade no setor. Ao final de 2025, a inflação dos serviços alcançou 6,01%, subindo em relação aos 5,96% registrados nos 12 meses encerrados em novembro, apesar de a expansão do setor ter permanecido moderada quando comparada à forte reação observada no período pós-pandemia.
Balanço
A inflação persistente no setor de serviços contrasta com a tendência de esfriamento gradual da atividade e com a desaceleração da renda das famílias, segundo a definição mais ampla adotada pelo Banco Central. Esse conceito inclui rendimentos do trabalho, aluguéis, transferências governamentais — como benefícios de prestação continuada e o Bolsa Família —, ganhos financeiros e outras fontes de renda, já descontados impostos e contribuições.
Os dados acumulados em 12 meses, deflacionados e ajustados sazonalmente, indicam que a renda nacional bruta disponível das famílias cresceu no ano passado a taxas próximas da metade das registradas em 2023 e 2024. Esse desempenho refletiu-se parcialmente no nível de atividade da economia como um todo, incluindo o setor de serviços. Os números mais recentes do Banco Central referem-se a novembro do ano passado e permitem comparações com períodos equivalentes.
Em 2023 e 2024, a renda avançou 6,91% e 6,86% em termos reais, respectivamente, frente a 3,56% em 2022. Já em 2025, considerando os 12 meses encerrados em novembro, o crescimento foi de 3,99%, com a renda passando de R$ 8,817 trilhões para R$ 9,169 trilhões. Em termos reais, as famílias receberam renda adicional de R$ 533,066 bilhões em 2023 e R$ 566,177 bilhões em 2024, enquanto em 2025 esse acréscimo foi de R$ 351,993 bilhões.
Os dados de novembro da Pesquisa Mensal de Serviços mostram que o volume de serviços recuou 0,1% em relação a outubro, quando havia avançado 0,4%. O resultado interrompeu uma sequência de nove meses de crescimento na série dessazonalizada, que acumulava alta de 3,8% entre fevereiro e outubro de 2025. Em Goiás, por outro lado, a elevação de 0,5% entre outubro e novembro encerrou uma sequência de três resultados negativos, após recuos de 0,2% em agosto e setembro e de 0,1% em outubro.
Na comparação com novembro de 2024, os serviços registraram crescimento pelo vigésimo mês consecutivo no País, com alta de 2,5%. Houve queda de 1,0% nos serviços prestados às famílias, mas avanços de 3,4% em informação e comunicação e de 2,5% em transportes, armazenagem e correio. As taxas, contudo, vêm se mostrando mais discretas: no terceiro trimestre de 2025, o setor cresceu 3,1% ante igual período do ano anterior, ritmo reduzido para 2,3% no bimestre outubro-novembro.
Em Goiás, a atividade de serviços registrou em novembro a quinta alta consecutiva na comparação anual, com crescimento de 3,1% em setembro, variação de 0,6% em outubro e avanço de 1,2% em novembro. O principal destaque foi o setor de transportes, que passou de queda de 1,4% em setembro para crescimento de 2,7% em novembro.