Serviços entram em “ritmo de pausa” em abril, registrando desaceleração

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em: 15 de junho de 2022

Os efeitos da reabertura dos negócios, a despeito dos números que mostram mais uma fase de avanço no número de contágios e internações por conta do Sars-CoV-2 e suas variantes, parecem ter registrado uma pausa no setor de serviços na passagem de março para abril. “Assim como a indústria, o setor de serviços começou o segundo trimestre de 2022 praticamente estagnado. (…) Após o impacto positivo da reabertura do setor (permitida especialmente pelo avanço da vacinação, deve-se ressaltar), a perda de poder de compra da população pode ter começado a pesar sobre seu desempenho”, anota o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). A escalada inflacionária parece ter sido responsável, na mesma linha, por um descasamento entre o desempenho das receitas no setor e do volume de serviços entregues à economia como um todo.

A pesquisa mensal de serviços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta uma desaceleração na comparação mês a mês, embora o dado de abril ainda não possa ser classificado como uma nova tendência. Será preciso aguardar os próximos números para averiguar, de fato, quais os impactos da alta dos preços em preços em geral sobre a atividade no setor. Mas o cenário tende a ser tornar mais “desafiador”, um dos adjetivos preferidos de operadores de mercado e economistas, daqui para frente, em função da inflação mais elevada, mas também dos juros mais altos, do achatamento da renda das famílias, das incertezas em relação ao futuro.

O volume de serviços, que havia crescido 1,4% em março sobre fevereiro, quando a atividade no segmento manteve certa estagnação (na verdade, havia recuado 0,1% frente a dezembro), passou a anotar variação de 0,2% em abril, sempre tomando indicadores ajustados à sazonalidade de cada período – quer dizer, descontando-se fatores que se repetem nos mesmos meses do ano e que poderiam, de outra forma, gerar distorções para baixou ou para cima na comparação. Em Goiás, o volume de serviços havia crescido 2,3% em março e passou a anotar incremento de um ponto de porcentagem mais baixo em abril, variando 1,3% frente ao mês imediatamente anterior, também em desaceleração.

Descasamento

A forte aceleração dos preços nos últimos meses passou a distanciar os indicadores de preços e de volumes no setor de serviços, em Goiás e no restante do País. No acumulado os primeiros quatro meses deste ano, comparados aos mesmos meses do ano passado, os serviços registraram avanço de 9,0% em volume e salto de 15,3% nas receitas, incrementadas pelos preços mais altos cobrados pelo setor, especialmente nos setores de alimentação fora de casa e transportes (com destaque para passagens aéreas). Em todo o País, considerando os mesmos períodos, as receitas aumentaram 16,5% para um crescimento de 9,5% em volume. O encarecimento relativo dos serviços, no entanto, tende a levar a índices mais modestos quando se considera o volume entregue pelo setor à economia em geral, principalmente num cenário de pressões inflacionárias sobre o orçamento das famílias.

Balanço

  • Como têm notado um conjunto de analistas e economistas de tendências diversas, a reabertura dos negócios tende a produzir impactos uma única vez sobre os serviços e o desempenho subsequente da atividade no setor dependerá em muito do comportamento do emprego e da renda daqui em diante.
  • Como se sabe, as estatísticas para o mercado de trabalho mostram avanço predominantemente de ocupações informais, enquanto a renda continua a sofrer baixas, sob pressão do avanço mais acelerado dos preços. Essa combinação parece reforçar a avaliação apresentada pelo Iedi, que sugere uma acomodação no setor, depois de meses de forte recuperação. Essa reação, no entanto, deve ser analisada com alguma cautela, já que veio sobre uma base muito deprimida pela pandemia e pelas medidas de distanciamento social.
  • De toda forma, os serviços já retomaram níveis acima daqueles observados em fevereiro de 2020, logo antes do registro dos primeiros casos de Covid-19. Em todo o País, medido em volume, os serviços cresceram 7,2% até abril deste ano, com a atividade em Goiás avançando quase 15,0% na mesma comparação.
  • As séries estatísticas do IBGE mostram uma aceleração mais intensa dos preços mais recentemente. Tomando fevereiro de 2020 como base, por exemplo, para uma variação de 15,0% em volume, as receitas cresceram 24,4% no Estado. No País como um todo, a elevação de 7,2% em volume compara-se com alta de 16,6% nas receitas. Quase todo esse incremento parece ter ocorrido entre janeiro e abril deste ano, quando as receitas subiram 16,5% como visto. Para Goiás, o crescimento das receitas no acumulado dos quatro primeiros meses deste ano ficou em 15,3%.
  • Na versão do Iedi, embora os serviços continuem a apresentar crescimento frente a fevereiro de 2020, “os últimos meses têm sido de hesitação”, já que, nos meses iniciais deste ano, registrou-se crescimento efetivo apenas em março. No mês seguinte, prossegue o instituto, a maioria dos ramos de atividade no setor “ficou no vermelho”. Na saída de março para abril, houve perdas para serviços profissionais, administrativos e complementares (-0,6%), transportes (-1,7%) e outros serviços (-1,6%). Mas avançaram os serviços prestados às famílias (+1,9%) e de informação e comunicação (+0,7%). Mesmo assim, anotou-se desaceleração, já que, em março, serviços destinados às famílias e o segmento de informação haviam crescido, pela ordem, 3,2% e 1,8%.
  • Na comparação com abril do ano passado, o setor chegou a crescer 9,4% em todo o País, saindo de um incremento de 11,6% em abril. No Estado, a atividade avançou 10,0% em abril, acelerando frente à variação de 8,3% observada em março, igualmente em relação a igual período do ano passado.
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