Serviços reagem em Goiás, mas anotam queda no restante do País

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em: 13 de abril de 2022

A liberalização das atividades econômicas, o fim quase total das restrições à movimentação das pessoas, o avanço da vacinação, superando os esforços em contrário do desgoverno de plantão, e uma acomodação aparente da pandemia no País, em meio ao surto de novos casos na Ásia e na Europa, têm contribuído para animar o setor de serviços em Goiás, mas com reflexos menos evidentes nos demais Estados. Medido em volume pelo Instituto Brasileiro deGeografia e Estatística (IBGE), o setor experimentou o segundo mês de perdas em todo o País ao mesmo tempo em que apresentou algum crescimento no Estado, embora mantenha distância mais do que razoável em relação aos melhores momentos registrados na série histórica do instituto.

Na análise do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), “o setor de serviços perdeu faturamento real novamente em fevereiro deste ano, dando continuidade ao movimento desfavorável da entrada do ano”. Os dados divulgados ontem pelo IBGE mostram recuo de 0,2% na passagem de janeiro para fevereiro, na sequência de uma queda de 1,8% no primeiro mês do ano. “Na origem disso estiveram a estagnação dos serviços às famílias e a queda registrada em informação e comunicação e outros serviços”, aponta o Iedi.

Na visão do instituto, “como o setor demorou mais para reagir com maior vigor, em função do quadro sanitário, que só após a ampliação da cobertura vacinal foi se mostrando resiliente às novas ondas de contágio de Covid-19, o desempenho frente ao mesmo período do ano passado continua positivona maioria dos ramos. A única exceção ficou por conta de outros serviços” (que sofreu perdas de 0,4% e de 0,9% respectivamente em janeiro e fevereiro deste ano, na comparação com os mesmos meses do ano passado).

Desempenho goiano

Em Goiás, o nível de atividade no setor tem oscilado nos últimos meses, avançando 1,6% em dezembro para praticamente não sair do lugar em janeiro, variando apenas 0,2% em relação ao mês imediatamente anterior, e avançar 1,7% em fevereiro. Na comparação com períodos idênticos do ano anterior, os serviços haviam crescido 7,2% em dezembro passado e saltaram 10,6% em janeiro, apresentando alguma desaceleração em fevereiro, quando cresceram 8,1%. Os destaques, ainda no caso goiano, ficaram na conta dos serviços prestados às famílias (o que inclui bares, restaurantes, hotéis e outros), que apresentaram alta de 9,5%, e dos transportes e correio, com salto de 21,0%. Serviços mais especializados de informação e comunicação, ao contrário, apresentaram queda de 2,8% em relação ao segundo mês do ano passado.

Balanço

  • Tanto na média de todo o País quanto em Goiás, o nível da atividade no setor de serviços continuou a superar os resultados de fevereiro de 2020, antes da pandemia, portando. A pesquisa mensal do IBGE, considerando o indicador livre de influências sazonais, aponta elevação de 5,4% na comparação entre fevereiro deste ano e igual mês de 2020, com alta de 11,3% no caso goiano.
  • A diferença está precisamente no desaquecimento observado em todo o País neste início de ano. Em dezembro do ano passado, por exemplo, os serviços chegaram a crescer 7,5% frente a fevereiro de 2020. No acumulado entre setembro do ano passado e fevereiro deste ano, frente aos seis meses imediatamente anteriores, a atividade não saiu do lugar, com o setor anotando variação modestíssima de 0,1% (dado que se compara com o avanço de 9,7% acumulado nos seis meses entre dezembro de 2020 e agosto de 2021, também na comparação com os seis meses anteriores).
  • Na verdade, o setor vem derrapando desde a crise de 2015/16 e ainda não conseguiu superar sua melhor marca histórica. No País como um todo, a comparação entre fevereiro deste ano e novembro de 2014 mostra uma queda de 7,0%. Dito de outra forma, a atividade no setor não conseguiu sequer retomar os níveis registrados há sete anos e três meses.
  • Em Goiás, embora os dados mais recentes sugiram um desempenho melhor do que a média do setor no País, num horizonte mais longo, o cenário não parece muito melhor. Ao contrário. Comparado a fevereiro de 2014, quando registrou seu melhor resultado em toda a série de dados do IBGE, o nível de atividade no setor desabou pouco mais de 16,2%.
  • Segundo a pesquisa da produção industrial regional do mesmo IBGE, o setor ensaia alguma reação em Goiás, enquanto ainda patina no restante do País. Na prática, o volume produzido pela indústria goiana tem alternado meses com taxas muito baixas de crescimento e mesmo queda e outros com crescimento nos últimos meses. Na comparação com o mês imediatamente anterior as taxas foram de 0,9% em novembro, seguido por alta de 8,5% em dezembro e retração de 5,3% em janeiro, com variação positiva de 1,4% em fevereiro.
  • Tomando como base igual mês do ano anterior, a produção em Goiás havia registrado oito meses consecutivos de perdas entre abril e novembro de 2021, passando a crescer nos meses seguintes (com altas de 7,8% em dezembro, de 1,7% em janeiro e 3,4% em fevereiro). No último quadrimestre de 2021, a indústria havia recuado 4,1% no Estado e passou a crescer 2,6% no acumulado do primeiro bimestre deste ano (comparado aos mesmos dois meses do ano passado), num avanço sustentado pelos setores de fabricação de veículos, medicamentos, alimentos e pela extração mineral.
  • Esse fôlego mais recente, no entanto, não conseguiu suplantar as perdas colhidas ao longo da pandemia, tanto que o nível da produção industrial em Goiás mantinha-se 3,4% inferior àquele registrado em fevereiro de 2020. Se considerado os níveis observados em outubro de 2019, quando a indústria goiana alcançou seu melhor desempenho histórico, a produção encontrava-se ainda 8,5% mais baixa em fevereiro deste ano.
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