quinta-feira, 16 de julho de 2026

Serviços registram desaquecimento (mas inflação no setor continua alta)

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 16 de julho de 2026 às 09:58

No já longínquo ano de 2022, num País que experimenta mudanças de rumo em um ritmo alucinante em seu dia a dia, o setor de serviços havia registrado seu segundo melhor desempenho na série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), crescendo 8,3%. O resultado só ficou abaixo do salto de 10,9% acumulado nos 12 meses do ano anterior, na comparação com um período em que a base havia sido muito achatada pelas medidas de enfrentamento à pandemia. Para relembrar, nos 12 meses encerrados em fevereiro daquele mesmo ano, a atividade no setor havia experimentado queda de 8,6%, lembrando que o volume de serviços consumidos pelos brasileiros chegou a desabar quase 20% entre fevereiro e maio de 2020, considerando a série de dados dessazonalizados, excluindo eventos e fatores que se repetem ano após ano numa mesma época.

Até fevereiro de 2021, diante do forte baixa em todo o setor, a inflação dos serviços, aferida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), vinha rodando na faixa anual de 1,38% e encerraria aquele ano com elevação de 4,75%. Nos 12 meses seguintes, ainda que tenha ocorrido certa acomodação no ritmo de crescimento das atividades naquela mesma área, a inflação de serviços saltou para 7,58%. A taxa recuaria nos anos seguintes, mas num ritmo menos intenso do que a desaceleração observada para o nível de atividade.

Em 2023, diante de um crescimento de 2,9% da atividade, a inflação dos serviços ficou em 6,22%, baixando para 4,78% em 2024 – ano em que o volume dos serviços anotou variação de 3,1%. O indicador do volume de serviços do IBGE passou a indicar variações de 2,9% em 2025 e de 2,6% nos 12 meses terminados em maio deste ano, dado mais recente divulgado pelo instituto. A inflação dos serviços não chegou a refletir aquele movimento. Ao contrário, a taxa avançou para 6,01% em 2025, com modesto recuo para 5,97% em 12 meses até maio deste ano.

 

Mais aperto?

Ao longo do período, portanto, a taxa de inflação dos serviços recuou levemente de 7,58% em 2022 para 5,97% em maio deste ano, sempre levando em conta períodos de 12 meses. Houve, portanto, uma baixa de 1,61 pontos percentuais. A perda de velocidade no indicador de volume foi bem mais intensa, correspondendo a uma desaceleração de 5,70 pontos percentuais. Vale dizer, a inflação parece não ter reagido ao desaquecimento observado já a partir de 2023. A questão colocada aqui é qual seria o custo de provocar um achatamento ainda mais pronunciado da atividade no setor de serviços, com reflexos negativos sobre todo o restante da economia, considerando que a inflação nos demais setores tem se mostrado bem-comportada nas últimas semanas, embora o cenário geopolítico tenha se complicado um pouco mais nesta semana, gerando mais turbulências e incertezas.

 

Balanço

Em maio deste ano, no dado mais recente trazido pela pesquisa mensal de serviços do IBGE, o setor devolveu parte do avanço anotado em abril, saindo de uma variação positiva de 1,1% para recuo de 0,4% na comparação com o mês imediatamente anterior. Desde outubro do ano passado, quando os serviços atingiram seu melhor momento na série histórica, o indicador de volume do instituto apresentou recuo de 0,5%.

De acordo com o instituto, a baixa em maio, no dado dessazonalizado, veio acompanhado de perdas de 1,0% no setor de transportes e de 1,9% no grupo “outros serviços”, anulando as altas respectivamente de 0,9% e de 1,9% observadas em abril. Mas foram registrados avanços de 1,9% para serviços profissionais e administrativos, e de 0,2% nos serviços prestados às famílias. Naqueles dois setores, o levantamento do IBGE identificou variação acumulada de 2,5% e de 1,6% em dois meses, seguindo a mesma ordem.

Os serviços de informação e comunicação, que vinham demonstrando maior resiliência ao longo dos últimos anos, repetiram em maio o mesmo resultado de abril, estabilizando no seu nível historicamente mais elevado.

Em Goiás, os serviços sofreram a segunda baixa mensal consecutiva, em leve recuo de 0,1% na saída de abril para maio, com baixa acumulada de 0,5% no bimestre. Em março deste ano, comparado a fevereiro, a atividade naquele setor havia avançado 0,4% em relação a fevereiro, ganho virtualmente anulado pela baixa de 0,4% anotada em abril.

O nível da atividade no setor em Goiás havia registrado seu pico em julho de 2023, mas não conseguiu sustentar o mesmo ímpeto, sofrendo queda de 4,8% desde então, considerando o dado de maio deste ano.

A comparação com idêntico período do ano passado confirma o momento de desaceleração, com a atividade no setor perdendo velocidade. Em março e abril, o levantamento do instituto havia anotado altas de 3,5% e de 2,0% respectivamente, com elevação de 0,4% em maio, a menor variação desde março de 2024, quando havia sido observada queda de 1,0% em relação ao mesmo mês de 2023. De toda forma, foi o vigésimo sexto mês de resultados positivos nesse tipo de comparação.

O principal impacto positivo veio exatamente do segmento de informação e comunicação, que cresceu 5,2% em relação a maio do ano passado. A atividade nesta área foi puxada, de acordo com o IBGE, “pelo aumento da receita em tratamento de dados, provedores de serviços de aplicação e serviços de hospedagem na internet”, além de ganhos para “portais, provedores de conteúdo e outros serviços de informação na internet; desenvolvimento de programas de computador sob encomenda; atividades de TV aberta; e consultoria em tecnologia da informação”.

Serviços profissionais e serviços para famílias cresceram 2,3% e 3,1%, mas com baixas para transportes e outros serviços, em queda respectivamente de 4,2% e 2,4%.

O dado mensal para Goiás foi negativo pelo quarto mês seguido, com baixas de 4,3% em fevereiro, de 1,9% em março, menos 1,2% em abril e, agora em maio, uma redução de 2,8%. Nos cinco primeiros meses deste ano, o Estado acumulou redução de 1,9% diante do mesmo período do ano passado.

Três entre os cinco grandes segmentos do setor registraram taxas negativas em maio, com tombos de 5,1% e de 4,0% para transportes e para informação e comunicação. E baixa ainda de 2,2% nos serviços prestados às famílias (que já haviam sofrido baixas de 3,2% e de 6,5% em março e abril).

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