terça-feira, 25 de agosto de 2026

Serviços registram desaquecimento (mas inflação no setor continua alta)

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em

No já longínquo ano de 2022, num País que experimenta mudanças de rumo em um ritmo alucinante em seu dia a dia, o setor de serviços havia registrado seu segundo melhor desempenho na série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), crescendo 8,3%. O resultado só ficou abaixo do salto de 10,9% acumulado nos 12 meses do ano anterior, na comparação com um período em que a base havia sido muito achatada pelas medidas de enfrentamento à pandemia. Para relembrar, nos 12 meses encerrados em fevereiro daquele mesmo ano, a atividade no setor havia experimentado queda de 8,6%, lembrando que o volume de serviços consumidos pelos brasileiros chegou a desabar quase 20% entre fevereiro e maio de 2020, considerando a série de dados dessazonalizados, excluindo eventos e fatores que se repetem ano após ano numa mesma época.

Até fevereiro de 2021, diante do forte baixa em todo o setor, a inflação dos serviços, aferida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), vinha rodando na faixa anual de 1,38% e encerraria aquele ano com elevação de 4,75%. Nos 12 meses seguintes, ainda que tenha ocorrido certa acomodação no ritmo de crescimento das atividades naquela mesma área, a inflação de serviços saltou para 7,58%. A taxa recuaria nos anos seguintes, mas num ritmo menos intenso do que a desaceleração observada para o nível de atividade.

Em 2023, diante de um crescimento de 2,9% da atividade, a inflação dos serviços ficou em 6,22%, baixando para 4,78% em 2024 – ano em que o volume dos serviços anotou variação de 3,1%. O indicador do volume de serviços do IBGE passou a indicar variações de 2,9% em 2025 e de 2,6% nos 12 meses terminados em maio deste ano, dado mais recente divulgado pelo instituto. A inflação dos serviços não chegou a refletir aquele movimento. Ao contrário, a taxa avançou para 6,01% em 2025, com modesto recuo para 5,97% em 12 meses até maio deste ano.

 

Mais aperto?

Ao longo do período, portanto, a taxa de inflação dos serviços recuou levemente de 7,58% em 2022 para 5,97% em maio deste ano, sempre levando em conta períodos de 12 meses. Houve, portanto, uma baixa de 1,61 pontos percentuais. A perda de velocidade no indicador de volume foi bem mais intensa, correspondendo a uma desaceleração de 5,70 pontos percentuais. Vale dizer, a inflação parece não ter reagido ao desaquecimento observado já a partir de 2023. A questão colocada aqui é qual seria o custo de provocar um achatamento ainda mais pronunciado da atividade no setor de serviços, com reflexos negativos sobre todo o restante da economia, considerando que a inflação nos demais setores tem se mostrado bem-comportada nas últimas semanas, embora o cenário geopolítico tenha se complicado um pouco mais nesta semana, gerando mais turbulências e incertezas.

 

Balanço

Em maio deste ano, no dado mais recente trazido pela pesquisa mensal de serviços do IBGE, o setor devolveu parte do avanço anotado em abril, saindo de uma variação positiva de 1,1% para recuo de 0,4% na comparação com o mês imediatamente anterior. Desde outubro do ano passado, quando os serviços atingiram seu melhor momento na série histórica, o indicador de volume do instituto apresentou recuo de 0,5%.

De acordo com o instituto, a baixa em maio, no dado dessazonalizado, veio acompanhado de perdas de 1,0% no setor de transportes e de 1,9% no grupo “outros serviços”, anulando as altas respectivamente de 0,9% e de 1,9% observadas em abril. Mas foram registrados avanços de 1,9% para serviços profissionais e administrativos, e de 0,2% nos serviços prestados às famílias. Naqueles dois setores, o levantamento do IBGE identificou variação acumulada de 2,5% e de 1,6% em dois meses, seguindo a mesma ordem.

Os serviços de informação e comunicação, que vinham demonstrando maior resiliência ao longo dos últimos anos, repetiram em maio o mesmo resultado de abril, estabilizando no seu nível historicamente mais elevado.

Em Goiás, os serviços sofreram a segunda baixa mensal consecutiva, em leve recuo de 0,1% na saída de abril para maio, com baixa acumulada de 0,5% no bimestre. Em março deste ano, comparado a fevereiro, a atividade naquele setor havia avançado 0,4% em relação a fevereiro, ganho virtualmente anulado pela baixa de 0,4% anotada em abril.

O nível da atividade no setor em Goiás havia registrado seu pico em julho de 2023, mas não conseguiu sustentar o mesmo ímpeto, sofrendo queda de 4,8% desde então, considerando o dado de maio deste ano.

A comparação com idêntico período do ano passado confirma o momento de desaceleração, com a atividade no setor perdendo velocidade. Em março e abril, o levantamento do instituto havia anotado altas de 3,5% e de 2,0% respectivamente, com elevação de 0,4% em maio, a menor variação desde março de 2024, quando havia sido observada queda de 1,0% em relação ao mesmo mês de 2023. De toda forma, foi o vigésimo sexto mês de resultados positivos nesse tipo de comparação.

O principal impacto positivo veio exatamente do segmento de informação e comunicação, que cresceu 5,2% em relação a maio do ano passado. A atividade nesta área foi puxada, de acordo com o IBGE, “pelo aumento da receita em tratamento de dados, provedores de serviços de aplicação e serviços de hospedagem na internet”, além de ganhos para “portais, provedores de conteúdo e outros serviços de informação na internet; desenvolvimento de programas de computador sob encomenda; atividades de TV aberta; e consultoria em tecnologia da informação”.

Serviços profissionais e serviços para famílias cresceram 2,3% e 3,1%, mas com baixas para transportes e outros serviços, em queda respectivamente de 4,2% e 2,4%.

O dado mensal para Goiás foi negativo pelo quarto mês seguido, com baixas de 4,3% em fevereiro, de 1,9% em março, menos 1,2% em abril e, agora em maio, uma redução de 2,8%. Nos cinco primeiros meses deste ano, o Estado acumulou redução de 1,9% diante do mesmo período do ano passado.

Três entre os cinco grandes segmentos do setor registraram taxas negativas em maio, com tombos de 5,1% e de 4,0% para transportes e para informação e comunicação. E baixa ainda de 2,2% nos serviços prestados às famílias (que já haviam sofrido baixas de 3,2% e de 6,5% em março e abril).

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