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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Serviços voltam a derrapar no final do ano, em tendência de acomodação

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 13 de fevereiro de 2026

Os dados finais sobre o nível de atividade no setor de serviços, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirmam a estimativa antecipada pela coluna no mês passado (O Hoje, 14/01/2026) e apontam a menor taxa de crescimento desde 2019, com a exclusão de 2020, ano em que a pandemia provocou uma retração de 7,8% na comparação com o período imediatamente anterior. Na prática, as taxas acumuladas em 12 meses vêm oscilando em torno de 3,0% entre 2023 e 2025, com leve diferença para baixo no ano passado, o que indica uma tendência mais próxima de estabilidade no ritmo de crescimento anual, revelando certa acomodação quando comparadas às taxas registradas nos dois anos seguintes à pandemia de Covid-19.

Em 2021, com o encerramento das medidas de restrição à aglomeração de pessoas, o setor chegou a registrar um salto de 10,9%, avançando 8,3% em 2022. Nas medições posteriores, a pesquisa do IBGE sobre o volume de serviços passou a indicar variações de 2,9%, 3,1% e 2,8% em 2023, 2024 e no ano passado, respectivamente. Embora a velocidade de crescimento tenha demonstrado clara tendência de desaceleração, o nível de serviços prestados em todo o país atingiu um recorde em novembro do ano passado, ainda que o volume entregue pelo setor tenha apresentado praticamente estagnação em relação a outubro, na série de indicadores sazonalmente ajustados, ou seja, com a exclusão de eventos e fatores recorrentes em períodos equivalentes.

Resultados mês a mês

A ausência de crescimento também se refletiu nos dados de dezembro, que apontaram leve recuo de 0,4% em relação ao mês imediatamente anterior, configurando dois meses consecutivos sem avanço no setor. O desempenho de novembro e dezembro interrompeu uma sequência de nove meses seguidos de crescimento, o que pode ter influenciado, por exemplo, o comportamento da inflação de serviços no primeiro mês deste ano. A taxa média de variação dos preços dos serviços, segundo o acompanhamento do IBGE, vinha se mantendo em ritmo mais elevado nos dois últimos meses do ano passado, com altas de 0,60% em novembro e 0,72% em dezembro, mas recuou para apenas 0,10% em janeiro deste ano, a menor variação desde janeiro de 2024, quando os custos do setor registraram virtual estabilidade, com avanço de 0,02%.

Balanço

  • De acordo com o IBGE, os resultados do ano passado elevaram a variação em relação a fevereiro de 2020, mês imediatamente anterior ao início da pandemia no Brasil, para 19,6%, tomando dezembro do ano passado como base, o que se compara com a variação de 16,3% registrada em dezembro de 2024, também em relação a fevereiro de 2020.
  • O desempenho negativo de dezembro do ano passado foi influenciado pelos segmentos de serviços profissionais e administrativos, transportes e correio e pelo grupo denominado “outros serviços”, que registraram quedas de 0,3%, 3,1% e 3,4%, respectivamente. O primeiro setor havia apresentado crescimento de 0,3% em outubro e de 1,5% em novembro, após recuar 0,2% em setembro. Já o setor de transportes anotou o segundo mês consecutivo de baixa, uma vez que havia recuado 1,3% em novembro, enquanto o grupo “outros serviços” encerrou em dezembro um ciclo de quatro meses de crescimento.
  • Em sentido oposto, os serviços prestados às famílias e o segmento de informação e comunicação registraram elevações de 1,1% e 1,7%, respectivamente, na comparação entre dezembro e novembro. Enquanto os serviços às famílias alcançaram o terceiro avanço mensal consecutivo, o segmento de informação mais do que compensou a queda de 0,6% observada na passagem de outubro para novembro.
  • Em Goiás, o setor seguiu tendência semelhante na comparação mês a mês, já descontados os efeitos sazonais, com retração de 0,8% em dezembro frente a novembro, anulando o ganho de 0,6% registrado no mês anterior. No segundo semestre do ano passado, ainda na série dessazonalizada, foram quatro meses no campo negativo e apenas dois meses com taxas positivas, julho, com alta de 0,9%, e novembro. Entre março e dezembro, o nível de atividade no setor recuou 3,1% no Estado.
  • A comparação com o mesmo mês do ano anterior apresenta resultados mais favoráveis, com ganhos consecutivos nos 20 meses encerrados em dezembro de 2025, quando o volume de serviços no país avançou 3,4%. No acumulado de 12 meses do ano passado, o acompanhamento do IBGE registrou crescimento de 2,8%, ante 3,1% em 2024, conforme mencionado anteriormente.
  • O desempenho de dezembro e do conjunto do ano foi impulsionado principalmente pelo avanço de 6,8% nos serviços de informação e comunicação, com destaque para a área de tecnologia da informação, que cresceu 6,4%. No acumulado de 2025, o mesmo setor apresentou variação de 5,5%, levemente inferior à alta de 6,2% observada em 2024. Ainda em 2025, os serviços de tecnologia da informação e comunicação avançaram 6,2%.
  • Os serviços profissionais e administrativos cresceram 4,4% em dezembro e encerraram 2025 com aumento de 2,6%, em comparação com 6,7% registrados em 2024. Já os serviços prestados às famílias apresentaram desaceleração mais acentuada, com a taxa anual recuando de 4,5% em 2024 para 1,1% no ano passado.
  • Em Goiás, a taxa mensal havia passado por um ciclo de oito meses de queda ou crescimento nulo até setembro, mas mostrou aceleração nos meses seguintes, com altas de 0,6% em outubro, 1,5% em novembro e 2,0% em dezembro, na comparação com os mesmos meses de 2024. No acumulado de 12 meses do ano passado, a atividade cresceu 2,6% e, diferentemente do desempenho nacional, reverteu a queda de 1,1% registrada em 2024.

 

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