Setembro Amarelo: Livro transforma dores da adolescência em um convite à escuta
Durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre a prevenção do suicídio e ampliação do diálogo sobre saúde emocional, a literatura pode criar espaços de escuta, identificação e acolhimento. É nesse contexto que “Poemas Trágicos de uma Adolescente Deprimida – Uma jornada da infância para a maturidade”, obra da escritora brasileira radicada na Noruega Érica Domingos, ganha destaque. Publicado pela Edtora Telha, ele reúne poemas escritos durante sua adolescência e publicados cerca de 30 anos depois mas que, para a autora, ainda têm as mesmas dimensão e relevância.
Nascida no Rio de Janeiro e hoje residente em Oslo, Érica encontrou na escrita, ainda muito jovem, uma maneira de expressar sentimentos que não conseguia compartilhar abertamente. Durante a adolescência, enquanto mantinha diante da família e dos amigos uma imagem alegre, utilizava o pseudônimo “Imperatriz” para registrar angústias, medos e inquietações. Guardados por sua mãe durante três décadas, os poemas chegam agora ao público como um relato sobre depressão, vulnerabilidade, amadurecimento e a necessidade de criar espaços seguros para falar sobre sofrimento emocional.
A experiência narrada em “Poemas Trágicos de uma Adolescente Deprimida” ganha uma dimensão ainda mais atual durante o Setembro Amarelo, ao lembrar que reconhecer sinais de sofrimento e oferecer escuta pode fazer diferença na trajetória de quem passa por uma crise emocional. A obra sugere uma aproximação especialmente importante com adolescentes, pais, educadores e familiares, ao abordar sentimentos que nem sempre são verbalizados e que podem permanecer escondidos por trás de comportamentos aparentemente normais.
“Por muito tempo, aprendi a esconder aquilo que sentia e encontrei na escrita um lugar onde podia ser verdadeira. Hoje, ao publicar esses poemas, espero que eles ajudem a mostrar que falar sobre a dor não é sinal de fraqueza. Pelo contrário: quando conseguimos colocar em palavras aquilo que nos machuca, abrimos espaço para pedir ajuda, ser ouvidos e perceber que não precisamos enfrentar tudo sozinhos”, afirma a autora.
A autora
Nascida no Rio de Janeiro em 1981, Érica Domingos teve seu primeiro contato marcante com a literatura ainda na infância, como aluna de uma escola militar. Na vida adulta, construiu uma sólida carreira internacional na área de engenharia, vivendo e trabalhando em diferentes países, até se estabelecer em Oslo, onde reside atualmente. Apaixonada por psicologia, neurociência e por uma literatura fundamentada em dados e fatos, encontrou na maternidade a inspiração para publicar seu primeiro livro em 2025, voltado ao público infantil. Seu trabalho reflete a sensibilidade de quem observa o mundo com curiosidade científica, empatia humana e um olhar poético sobre as experiências da vida.
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