domingo, 27 de setembro de 2026

Setor varejista atinge maior nível da série, mas varejo amplo recua

Lauro Veiga Filhopor em
Setor varejista atinge maior nível da série, mas varejo amplo recua
Setor varejista atinge maior nível da série, mas varejo amplo recua

A pesquisa mensal de vendas realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) trouxe números mistos, sugerindo caminhos diversos para os dois grandes setores do comércio. O varejo mais convencional, que reúne postos de gasolina, supermercados, lojas de vestuário, tecidos e calçados, papelarias, farmácias, lojas de materiais de escritório e informática, entre outras, fechou abril no nível mais elevado em toda a série histórica de dados do instituto, crescendo 0,9% em relação a março – bem abaixo do que esperava o mercado.

De toda forma, foi o quarto mês de resultados positivos para o setor, que passou a acumular variação de praticamente 4,3% ao longo daquele período, considerando o indicador ajustado sazonalmente, que dizer, já descontados eventos e outras efemérides que sempre ocorrem no mesmo período a cada ano e poderiam distorcer a comparação mês a mês (descontando inclusive eventuais diferenças de número de dias úteis).

O varejo ampliado, que inclui o chamado atacarejo, fechou os últimos dois meses no vermelho, com baixas de 0,2% e de 1,0% respectivamente em março e abril, na comparação com os meses imediatamente anteriores. A redução a partir de fevereiro aproximou-se de 1,2%. Neste caso, os resultados negativos parecem ter sido influenciados pelo atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo, já que as concessionárias de veículos, motos e autopeças e as lojas de materiais de construção experimentaram, pela ordem, ganhos de 1,6% e de 1,9% na passagem de março para abril. O IBGE ainda não divulga o número dessazonalizado mês a mês para o atacado de alimentos e bebidas.

Na liderança

Em Goiás, o comércio varejista tradicional chegou em abril à quinta alta mensal consecutiva, avançando 0,9% frente a março, acumulando um salto de 13,9% desde novembro do ano passado. Na comparação com abril do ano passado, as vendas do segmento avançaram 4,1%, o que representou uma desaceleração em relação ao ritmo observado em fevereiro e março, quando as vendas do setor varejista haviam subido 7,0% e 6,0% na mesma ordem. No primeiro quadrimestre deste ano, comparado aos mesmos quatro meses de 2023, o volume de vendas do varejo avançou 5,2%. No comércio amplo, o Estado registrou o melhor resultado entre todas as demais regiões acompanhadas pelo IBGE, num salto de 8,2%, mais do que repondo a queda de 2,3% observada em março. Na comparação com igual período do ano anterior, o varejo ampliado cresce há oito meses consecutivos e experimentou um salto de 22,8% em abril diante de idêntico período do ano passado. No acumulado do primeiro quadrimestre deste ano, o comércio em seu conceito mais amplo passou a crescer 10,1%, retomando o ritmo observado ao final de 2021 (neste caso, no entanto, a alta veio na sequência do retrocesso observado ao longo dos meses mais graves da pandemia, ao longo de 2020).

Balanço

  • Segundo registra a equipe de macroeconomia do Itaú BBA, o mercado trabalhava com a perspectiva de elevação de elevação de 0,3% para as vendas do varejo amplo em abril, o que contrasta com a queda de 1,0% de fato observada. O mesmo ocorreu no setor varejista tradicional, com previsões sugerindo avanço entre 1,7% e até 2,2% em relação a março – o resultado efetivo ficou limitado, como visto, a uma variação de 0,9%.
  • Ainda na passagem de março para abril, as lojas de equipamentos para escritórios, informática e comunicação, proporcionalmente, registraram a maior elevação, com salto de 14,2%. Na sequência, os setores de tecidos, varejo e calçados e de combustíveis e lubrificantes experimentaram variações de 2,4% e de 2,2% respectivamente. Hiper e supermercados venderam 1,5% a mais, enquanto as farmácias tiveram variação de apenas 0,6%. Papelarias e livrarias recuaram 0,4%, enquanto as lojas de artigos pessoais e de uso doméstico repetiram os números de março.
  • Já na comparação com abril do ano passado, o atacado de alimentos e bebidas encolheu 13,0%, com recuos de 1,3% e de 1,5% para hiper e supermercados e para lojas de tecidos roupas e calçados. O destaque principal foi para as vendas de veículos, motos e autopeças, com alta de 28,8%. Proporcionalmente, o setor respondeu por quase todo o crescimento do varejo ampliado nesse tipo de comparação.
  • Medicamentos, perfumes e artigos médicos e ortopédicos anotaram crescimento de 18,9%, vindo na sequência as altas de 16,3% para materiais de construção e de 16,1% para equipamentos de escritório, informática e comunicação.
  • Pouco mais da metade do crescimento de 4,7% acumulado no primeiro quadrimestre deste ano pode ser explicado pelo avanço de 14,0% nas vendas de veículos, motos e autopeças, o que mostra uma concentração importante.
  • Na avaliação do Itaú BBA, o desempenho das vendas em abril “corrobora a visão de alguma moderação na atividade econômica no segundo trimestre do ano”. Bimestre a bimestre, esse cenário parece vir se confirmando, salvo alguma mudança de tendência mais adiante. No varejo restrito e no comércio amplo, as vendas haviam crescido 6,0% e 8,2% no primeiro bimestre, em relação ao mesmo período de 2023. As taxas recuaram, na mesma ordem, para 4,0% e 1,6%.
  • No setor de serviços, igualmente acompanhado pelo IBGE, os resultados vieram mais vigorosos em abril, com alta de 5,6% na comparação com abril do ano passado, mas variação de 0,5% diante de março deste ano (saindo de 0,7% em março) em todo o País. Em Goiás, o setor anotou forte aceleração em abril, crescendo 2,2% frente a março. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, o nível de atividade no setor cresceu 5,3% em abril, depois da queda de 5,6% em março.

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