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domingo, 11 de janeiro de 2026

Sob ataque inédito dos EUA, vendas externas de aviões e veículos disparam

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 19 de agosto de 2025
Sob ataque inédito dos EUA, vendas externas de aviões e veículos disparam Foto: Embraer/ Divulgação
Sob ataque inédito dos EUA, vendas externas de aviões e veículos disparam Foto: Embraer/ Divulgação

Os dados agregados sobre a balança comercial brasileira mostram ainda uma participação expressiva das commodities nas exportações, aproximando-se de 65% do total considerando apenas os principais produtos, como petróleo, soja, minério de ferro, carnes, milho, pasta química de madeira e tabaco. Mas os primeiros sete meses deste ano trouxeram a perspectiva de alguma melhora, embora tímida, no perfil dos bens exportados pelo País, a despeito da ofensiva inédita dos Estados Unidos contra o Brasil.

As vendas externas até cresceram em julho, com avanços inclusive para as exportações destinadas ao mercado estadunidense. Vale lembrar que o ataque comercial foi iniciado ainda em abril, com a imposição de tarifas de 10% sobre os bens exportados pelo Brasil aos EUA. O tarifaço de fato, com a taxação de 50%, foi anunciado em 9 de julho, e a expectativa era de que o mero anúncio já pudesse afetar mais duramente as transações comerciais com o restante do mundo, diante do nível exacerbado de incertezas produzidas pela ofensiva contra o Brasil. Previsto para entrar em vigor no dia 1º deste mês, o aumento tarifário passou a valer efetivamente em 6 de agosto, o que deverá acirrar seus impactos sobre as vendas externas dos produtos afetados.

As turbulências geradas pela administração estadunidense, que tem se esmerado na tomada de decisões polêmicas e agressivas especialmente contra o Brasil, podem até ter freado o avanço das exportações em julho, mas não conseguiram impedi-lo. Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), mostram que, comparadas ao mesmo mês do ano passado, as exportações cresceram 4,76%, saindo de US$ 30,841 bilhões para US$ 32,310 bilhões — um acréscimo de US$ 1,469 bilhão.

Mais tecnologia na pauta

A “novidade” veio de três setores mais intensivos em tecnologia. Apesar da ampla participação de commodities agrícolas e minerais na pauta exportadora, destacaram-se as vendas externas de aviões e outras aeronaves, automóveis de passageiros e veículos de carga. Esses setores saltaram 97,23% em relação a julho do ano passado e acumularam crescimento de 42,44% nos sete primeiros meses deste ano.

Em julho, por exemplo, esses três setores responderam por mais da metade do crescimento das exportações totais. No acumulado até julho, os valores exportados a mais por essas indústrias foram 10 vezes superiores ao ganho geral das exportações brasileiras. Ou seja, sem esses segmentos, haveria queda nas vendas externas, pressionadas pelas perdas na exportação de soja em grão, farelo de soja, petróleo, minério de ferro, açúcar e algodão.

Balanço detalhado

  • Em julho, as exportações de aviões, automóveis e veículos de carga somadas subiram de US$ 795,516 milhões (em julho de 2024) para US$ 1,569 bilhão — um acréscimo de US$ 773,508 milhões. Esse grupo respondeu por 52,66% do avanço total das exportações brasileiras. A participação desses bens na pauta subiu de 2,58% para 4,86%.

  • O maior destaque foi para os aviões — com forte desempenho da Embraer — cujas vendas triplicaram, crescendo 201,14% e saltando de US$ 214,981 milhões para US$ 647,384 milhões. Desse total, 52,63% foram destinados ao mercado dos EUA.

  • As exportações de aeronaves para os EUA aumentaram de US$ 117,592 milhões para US$ 340,739 milhões (189,76% de alta), embora a participação dos EUA tenha caído levemente de 54,7% para 52,63%.

  • Já as exportações de automóveis de passageiros subiram 62,11%, passando de US$ 376,981 milhões para US$ 611,111 milhões. Os veículos de carga cresceram 52,55%, de US$ 203,554 milhões para US$ 310,529 milhões.

  • As exportações totais para os EUA em julho avançaram 3,80%, de US$ 3,574 bilhões (em 2024) para pouco menos de US$ 3,710 bilhões (em 2025), mantendo sua participação na pauta brasileira em torno de 11,5%.

  • Contudo, as importações do Brasil de produtos norte-americanos subiram 18,17%, de US$ 3,613 bilhões para US$ 4,269 bilhões. Com isso, o déficit na balança comercial com os EUA saltou de US$ 38,896 milhões para US$ 559,551 milhões — um aumento de 1.338,6%.

Outros destaques e tendências

As vendas de carne bovina fresca e congelada também cresceram 3,30% no mês, subindo de US$ 68,044 milhões para US$ 70,290 milhões (representando 4,57% do total exportado pelo Brasil). No entanto, o grande motor do crescimento foi, novamente, o setor de aeronaves.

No acumulado de janeiro a julho, as exportações brasileiras apresentaram crescimento modesto de 0,11%, saindo de US$ 197,799 bilhões para US$ 198,011 bilhões — um aumento de apenas US$ 211,899 milhões.

Mesmo representando apenas 3,65% das exportações totais, os setores de aviões, automóveis e veículos de carga tiveram papel importante no desempenho geral. Juntos, passaram de US$ 5,078 bilhões para US$ 7,233 bilhões — alta de 42,44% (ou US$ 2,155 bilhões a mais).

Diferente do comportamento em julho, no acumulado do ano o maior impulso veio das exportações de veículos de passageiros, especialmente para países do Mercosul. O setor cresceu 64,62%, passando de US$ 2,141 bilhões para US$ 3,524 bilhões.

A participação dos EUA na pauta geral aumentou de 11,50% para 11,98%, com as exportações para lá crescendo 4,23% (de US$ 22,757 bilhões para US$ 23,719 bilhões). Embora as vendas de petróleo tenham caído 16,26%, houve avanços importantes nas exportações de aviões (+34,66%), sucos de frutas (+61,67%), café (+34,64%) e carne bovina (+118,08%).

O mercado estadunidense absorveu 10,64% das exportações totais de carne bovina brasileira, somando US$ 861,473 milhões de um total de US$ 8,099 bilhões (30,97% a mais que nos sete primeiros meses de 2024). A carne bovina, sozinha, respondeu por 48,5% do aumento das exportações brasileiras para os EUA e é, agora, um dos principais alvos das sanções comerciais.

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