STF sob suspeitas de corrupção e sem controle fragiliza a democracia
O escândalo do Banco Master deslocou o Supremo Tribunal Federal da Praça dos Três Poderes, em Brasília, para um lamaçal de dar inveja à Planície da Sibéria Ocidental
O escândalo do Banco Master deslocou o Supremo Tribunal Federal da Praça dos Três Poderes, em Brasília, para um lamaçal de dar inveja à Planície da Sibéria Ocidental. Acusações de corrupção, tráfico de influência e outras mazelas que assolam a democracia brasileira chegaram à Suprema Corte. Desde a conquista da Presidência da República por Jair Bolsonaro em 2018 que o STF avançou o sinal constitucional e passou a atuar como Legislativo e Judiciário ao mesmo tempo.
A situação foi só se agravando e, nas últimas semanas, a sociedade brasileira assistiu, de forma atônita, a exposição de um jogo de poder com empurra-empurra entre ministros do STF. De um lado, Adré Mendonça acusou Alexandre de Moraes, que acusou Mendonça, que teve decisão revogada por Flávio Dino. Até que o presidente, Edson Fachin, decidiu deixar o papel de Rainha da Inglaterra para dizer: “Espera aí, vamos organizar essa bagunça”. Tarde demais. O estrago já estava feito, a ponto de milhares de brasileiros passarem a defender abertamente, nas redes sociais, a desobediência civil, muitos com inspiração nos nepaleses que, no ano passado, tomaram as ruas do país com revoltas disruptivas, queimaram o Parlamento e derrubaram o governo de K.P. Sharma Oli.
É óbvio que os brasileiros não chegam a tanto, mas se não voltar à normalidade institucional, todos os poderosos de plantão vão perder. A constatação é óbvia: essa crise desacreditou ainda mais a Justiça brasileira perante à população. O ceticismo com a casta que opera a Justiça no País, Procuradoria-Geral, STJ e, principalmente, o STF, onde os salários com penduricalhos ultrapassam os R$ 100 mil, muito acima do teto constitucional, torna essa revolta da população em um estopim.
Somam-se a esses privilégios a arrogância e o comportamento de deuses do Olimpo, inimputáveis, inatingíveis, com prerrogativas acima da lei. Por tudo isso, levará tempo para que o STF volte a ser um tribunal de equilíbrio e respeitado como guardião da Constituição, e não um mero balcão de negócios. O País espera que o Congresso mude as regras na escolha de ministros e que esse clube do mandatário da vez seja substituído por critérios mais rigorosos na escolha de novos ministros.
Escândalo internacional
Essa crise no STF não está mais restrita às fronteiras brasileiras. Lá fora, o mundo, sobretudo os Estados Unidos, acompanha com lupa o processo eleitoral brasileiro, ameaçado por uma Corte que, além de politizada, é também corrupta. Afinal, não dá para confiar em ministros que entraram para ficar milionários, não para ser servidores públicos e defender a Constituição acima de tudo.
Aloprados em ação
A tentativa do ministro Flávio Dino, do Supremo, de influenciar o processo eleitoral contra Flávio Bolsonaro (PL) com a Operação Make Up, nesta quinta-feira (10), saiu pela culatra. Em vez de constranger o candidato a presidente e senador, a operação revelou que a empresária Karina Ferreira da Gama, produtora do filme Dark Horse, teria sido pressionada pelo menos quatro pessoas ligadas ao governo Lula (PT) para delatar Flávio, sob a ameaça de ser presa caso não colaborasse.
Debate de ataques
O debate promovido pelo portal de notícias Metrópoles com os candidatos a governador do DF virou um pugilato de acusações entre os participantes. Como de sempre, José Roberto Arruda (PSD), Paula Belmonte (PSDB), Ricardo Cappelli (PSB) e Leandro Grass (PT) centraram críticas à governadora Celina Leão (PP). A explicação para tantos ataques é que Celina lidera em todas as pesquisas. Esse modelo de jornalismo está condenado a desaparecer nas próximas eleições. No DF é um exemplo de que não houve discussão de ideias, mas somente ataques em Celina, eleita alvo preferencial dos adversários.
Caiado no ataque
Faltam pouco mais de 20 dias para a eleição e, sem decolar nas pesquisas, Ronaldo Caiado (PSD) decidiu que vai trocar o verniz pela artilharia pesada, com propagandas eleitorais mais agressivas contra Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e o Supremo Tribunal Federal. Resta saber se a mudança de tom vem a tempo ou se já é tarde demais.
Sabatinas estão disponíveis – As sabatinas com os candidatos ao Governo de Goiás Marconi Perillo (PSDB), Luis Cesar Bueno (PT) e Wilder Morais (PL) já estão disponíveis na íntegra no canal do Grupo O HOJE no YouTube. Daniel Vilela (MDB) ainda não respondeu ao convite.
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