sexta-feira, 26 de junho de 2026

Taxa de inflação cai pela metade, de 0,89% em abril para 0,41% em junho

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 26 de junho de 2026

A velocidade de alta dos preços medidos entre 16 de maio e 16 de junho pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) voltou a perder força em relação aos períodos quadrissemanais anteriores, mostrando uma tendência nítida de acomodação.  O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de abril havia alcançado 0,89%, refletindo a variação dos preços em geral entre as duas semanas finais de março e o primeira quinzena do mês seguinte. Na quadrissemana encerrada no dia 16 passado, o IPCA-15 passou a acumular uma variação mensal de 0,41%.

A comparação entre aqueles dois períodos aponta uma redução da taxa inflacionária pela metade, o que deveria ser observado como uma tendência relevante por analistas, consultores, colunistas de economia e imprensa especializada, deixando de lado por um instante o “comentarismo opinativo” que passou a assolar os meios jornalísticos. A queda da taxa inflacionária, cabe ressaltar, ocorre num cenário geopolítico internacional ainda complicado, a despeito das possibilidades de um acordo (aparentemente) próximo entre Estados Unidos e Irã, ainda sujeito à irracionalidade do governante estadunidense e a resistências no lado israelense.

Avanços nesse processo tenderiam a trazer alguma tranquilidade aos mercados, embora talvez não tenham força suficiente para dar previsibilidade e garantias de estabilidade nas relações entre as partes em conflito, dada a já conhecida irascibilidade do (des)governo instalado nos EUA. Ainda assim, não deixa de ter alguma relevância o fato de os preços no Brasil virem apresentando recuo na intensidade dos aumentos – o que não pode ser confundido com “barateamento” dos produtos ao consumidor. O que se observa, apenas para deixar mais claro, é uma tendência de altas menos intensas, conduzindo a inflação mensal para níveis comparativamente mais baixos.

 

Cenário internacional

Para reforçar a afirmação acima, deve-se lembrar que o cenário internacional no ano passado, embora marcado por turbulências de outra categoria, havia sido relativamente mais favorável à estabilização dos preços, que chegaram a apresentar alta acumulada em 12 meses de 5,30% até 15 de junho, pressionados principalmente pelo aumento das tarifas de energia elétrica. Enquanto as negociações agora em curso não produzem os resultados esperados, o comportamento intempestivo e desarrazoado do líder estadunidense continua gerando instabilidades e preocupação nos mercados. Continuam em cena as restrições à circulação de petroleiros e navios em geral pelo estreito de Ormuz, que antes respondia por um quinto dos fluxos globais de petróleo, o que mantêm a instabilidade nos mercados futuros de petróleo.

 

Balanço

Depois de uma ligeira surpresa altista no IPCA de maio em relação ao que os mercados esperavam – embora a taxa “cheia” continuasse reconhecidamente em baixa –, a medição mais recente mostrou preços variando relativamente menos do que o esperado, reforçando a tendência de queda iniciada, na verdade, desde a segunda quinzena de abril, como esta coluna tem buscado mostrar.

O índice saiu de 0,67% no fechamento de abril para 0,62% na quadrissemana encerrada na segunda semana de maio, mês encerrado com o IPCA de 0,58%. Nas duas primeiras semanas de junho, o ritmo de alta recuou mais uma vez, agora para 0,41%. Na anotação do relatório de macroeconomia distribuído regulamente pelo Itaú BBA, assinado pela economista Luciana Rabelo, o IPCA-15 de junho veio abaixo da projeção da própria instituição, que esperava uma alta de 0,52% (apenas marginalmente inferior ao índice de 0,58% registrado em maio).

Na mediana das previsões do restante do mercado, refletindo as apostas mais frequentes do setor, a expectativa era de uma inflação de 0,46%, aposta que se mostrou mais próxima dos resultados efetivamente registrados pelo IBGE. Numa análise mais desagregada dos dados do IPCA-15 deste mês, o Itaú BBA aponta “surpresas baixistas” (quer dizer, itens com elevações inferiores àquelas esperadas pelo banco de investimento) em alimentação no domicílio e serviços associados aos veículos.

Os custos dos alimentos consumidos em domicílio, que haviam registrado elevação de 1,73% nos 30 dias finalizados em 15 de maio, passaram a subir 1,65% nas duas semanas seguintes (ou seja, nas quatro semanas encerradas em 31 de maio passado). Na quadrissemana encerrada em 16 de junho, aqueles preços passaram a indicar variação de 0,87%. Para comparação, nos 30 dias de maio, o aumento dos preços da alimentação em domicílio havia respondido por 44,2% do IPCA de 0,58%. Essa influência foi reduzida para 33,1% nas duas semanas seguintes, uma contribuição ainda expressiva, mas abaixo do que havia sido anotado no mês passado.

Os preços das carnes e do leite, da batata inglesa, da cebola, da cenoura e do tomate, entre os principais, anotaram desaceleração no ritmo de alta, aliviando as pressões sobre o índice inflacionário. A batata inglesa, eu havia disparado 44,69% em maio, teve variação de 29,42% até 16 de junho. As carnes, que haviam subido 1,98% até 15 de maio, já haviam experimentado alguma desaceleração nas duas semanas seguintes, com elevação de 1,39%. Nas quatro semanas terminadas em 16 de junho, a “inflação” das carnes baixou para apenas 0,11% (na verdade, os preços na ponta devem ter sofrido queda, tendência que deverá aparecer mais nitidamente nas próximas medições).

Os preços médios do leite longa vida chegaram a apresentar alta de 6,07% na quadrissemana concluída em 15 de maio, mas passaram a recuar 0,05% nos 30 dias seguintes. Pela ordem, cenoura, cebola e tomate passaram de altas de 8,93%, 16,80% e 20,62% em maio para variações de 4,32%, de 9,54% e 17,27%.

Excluindo-se alimentos e bebidas, energia elétrica (que desacelerou de 3,67% em maio para 2,04%), combustíveis (que haviam caído 1,95% em maio e tiveram recuo de 1,22% até 16 de junho) e passagem aérea (que saltou de 3,20% para 7,24%), a inflação dos demais preços na economia baixou de 0,35% em abril para 0,19% até 16 de junho (depois de elevação de 0,25% em maio).

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