terça-feira, 22 de setembro de 2026

Temporada de acusações e ausência de propostas

Wilson Silvestrepor em
Temporada de acusações e ausência de propostas
No Distrito Federal, a estratégia da vez é tentar ‘colar’ de todas as formas na governadora Celina Leão (PP) a crise do Banco Master e a malfadada operação de compra do falido banco pelo BRB - Ilustração: Takeshi Gondo

O que vale, nesta fase da campanha, é a repetição, afinal, “uma mentira dita mil vezes torna-se verdade”

 

A menos de duas semanas do primeiro turno, a campanha entrou na fase de “chutes na canela”, ou seja, quando as pouquíssimas propostas de governo saem de cena para os candidatos se dedicarem ao que sabem fazer de melhor: ataque pessoal, acusação sem prova e golpe baixo no adversário.

No Distrito Federal, a estratégia da vez é tentar ‘colar’ de todas as formas na governadora Celina Leão (PP) a crise do Banco Master e a malfadada operação de compra do falido banco pelo BRB, mesmo após mensagens divulgadas pela Polícia Federal, encontradas no celular de Vorcaro, que mostram o banqueiro dando ordem para “atacar” Celina. Na época, era a vice de Ibaneis Rocha (MDB) e, como diria o personagem de Jô Soares no humorístico “Viva o Gordo”, no ano de 1981: “Vice não viceja”, ou seja, raramente é convidado a dar sugestões. Mesmo assim, Celina se posicionou contra.

Em Goiás, coube ao prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), abrir a temporada de “chutes na canela”, ao tirar do fundo da gaveta um áudio entre o senador Wilder Morais (PL) e Carlinhos Cachoeira, grampeado pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, em junho de 2011. Um assunto batido, que aparece em toda eleição e só revela a bravata de um contraventor que gosta de parecer. Além de não contribuir com a boa política com propostas, nivela o debate ao pântano.

Na mesma proporção, Marconi Perillo (PSDB) e Daniel Vilela (MDB) trocam farpas sobre gestão e passam ao largo do debate de ideias. O curioso é que, tanto em Brasília quanto em Goiás, pouco importa se a acusação já foi desmontada, contextualizada ou até desmentida pela própria Polícia Federal. O que vale, nesta fase da campanha, é a repetição, afinal, “uma mentira dita mil vezes torna-se verdade”, supostamente afirmou Joseph Goebbels. Resta ao eleitor separar o que é verdade do que é só barulho, tarefa que, cada vez mais, com os bombardeios das redes sociais, exige paciência do garimpeiro.

Não é bem assim
Nesta reta final de campanha, porém, nem toda denúncia é fruto de bravata eleitoral. Um dia após o governador Daniel Vilela (MDB) afirmar que o novo prédio do Hugo já estava comprado, o Ministério Público de Goiás apontou que 44,25% do imóvel está hipotecado ao Bradesco. Prova de que, no meio de tanto chute na canela, também sobra espaço para a verdade.

Agora é Mendanha
Depois de deixar a primeira suplência de Zacharias Calil (MDB) por divergências sobre financiamento de campanha, o advogado Thales Jayme resolveu virar a página no último domingo (20) e declarar apoio à candidatura de Gustavo Mendanha (PRD) ao Senado.

Centrão reage
Chamado de “vira-lata” pelo presidente Lula (PT), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) convocou para o dia 6 de outubro, dois dias após o primeiro turno das eleições, uma reunião da federação União Progressista para definir apoio a Flávio Bolsonaro (PL) contra o petista. Depois de ter bancado a neutralidade da federação no primeiro turno, apesar da forte pressão de Flávio, Nogueira esperava uma espécie de “pacto de não-agressão” com Lula, expectativa esta que foi frustrada pelo presidente.

Denes em casa
Nesta segunda-feira (21), o candidato a deputado federal Denes Pereira (Solidariedade) visitou a Região Noroeste de Goiânia, território que conhece tão bem como a palma da sua mão e onde, não por acaso, sabe exatamente em que porta bater. Como secretário municipal, foi ele quem organizou boa parte dos mutirões que atenderam os moradores locais.

Última cartada
Reeleito ou não, essa é a última eleição de Lula (PT) como candidato e no PSB todos sabem disso. O partido, que nunca escondeu a ambição de ocupar o espaço do PT, já projeta voos próprios. Nos bastidores, Geraldo Alckmin, Simone Tebet e Flávio Dino aparecem na bolsa de apostas como possíveis presidenciáveis socialistas em 2030.

Não saem da bolha – Os partidos de esquerda em Goiás, principalmente o PT, nunca conseguiram ameaçar os candidatos da direita ao governo. São figurantes e nunca inovam o discurso, por isso falam só para devotos.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.