segunda-feira, 23 de março de 2026

Terceira via sonhada por Kassab não rompe polarização entre Flávio e Lula

Wilson Silvestrepor Wilson Silvestre em 23 de março de 2026
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Ilustração: Takeshi Gondo

Reconhecido como um hábil estrategista político, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, não previu que o antipetismo no espectro da direita moderada abraçaria Flávio Bolsonaro (PL). É possível supor que Kassab acreditava que os quase 60% dos mais de 158 milhões de eleitores registrados, avessos ao lulopetismo ou ao bolsonarismo, migrassem para uma candidatura de centro.

Deu-se ao luxo de lançar três nomes do PSD para que esse contingente eleitoral escolhesse um deles: os governadores Ratinho Júnior (Paraná), Ronaldo Caiado (Goiás) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). Até o momento, essa estratégia não deu resultados, pois nenhum deles alcançou dois dígitos na intenção de votos.

Desse modo, a direita moderada sinaliza que, para vencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o caminho é se alinhar ao bolsonarismo. As pesquisas mostram que o bolsonarismo tem cerca de 15% do eleitorado, enquanto a parcela da direita, identificada com teses econômicas liberais e representada pela classe média e setores produtivos, chega a 20%. Somados, esses grupos alcançam 35%, número que marca a largada de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.

É evidente que o “empate técnico” entre Lula e Flávio está inserido nesses espectros ideológicos. Lula conta com cerca de 15% de votos orgânicos petistas e, mesmo aos 80 anos, mantém esse eleitor fiel. Soma-se a ele o campo da esquerda, com PSB, PSOL, PDT, PV, entre outros, totalizando cerca de 30% de apoio, contra os 15% do bolsonarismo.

O problema é que o antipetismo é maior que o eleitorado de Lula. Mesmo que os “isentões” do “nem Lula nem Bolsonaro” não se manifestem, a polarização segue em busca dos cerca de 10% do centro. Quem conquistar essa fatia vence a eleição.

Nos cálculos de Kassab, esses 10% seriam o ponto de partida para atrair os eleitores de centro ao PSD e seus três nomes. Porém, pelo andamento das pesquisas, essa estratégia perdeu força e não conquistou o eleitorado.

Flávia Teles com um pé na oposição

Sem espaço com o vice-governador Daniel Vilela (MDB), segundo aliados da empresária Flávia Teles, viúva do ex-governador Maguito Vilela (MDB), ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, ela passou a ser cortejada por partidos de oposição para disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Trabalho social

A ex-primeira-dama de Aparecida de Goiânia comandou o grupo Liga do Bem e esteve à frente da criação da primeira Unidade de Acolhimento Provisório do Adolescente do município, no setor Real Grandeza.

Marconi motivado

Embora a mídia não dê visibilidade às suas movimentações políticas, o ex-governador e pré-candidato ao Palácio das Esmeraldas, Marconi Perillo (PSDB), trabalha de domingo a domingo em reuniões, filiações e tratativas de alianças.

Ele encerrou sua agenda no sábado (21), às 22h. Neste domingo, teve conversas com lideranças e pouco tempo para a família, sinal de que está determinado e focado em “dar aos goianos mais do que palavras, mas resultados concretos que inspirem confiança e desenvolvimento”, como tem dito em suas conversas.

Irista tucano

A filiação do deputado estadual Clécio Alves ao PSDB tem um simbolismo político que não passa despercebido. Clécio sempre foi um emedebista e irista carimbado, tendo participado de todas as campanhas de Iris Rezende (1933-2021), sendo a última como prefeito de Goiânia.

Ele tinha convite de vários partidos, mas preferiu a oposição. À imprensa, afirmou que o PSDB foi escolhido por seus apoiadores, com 99% de aprovação.

Sem pressa

Na oposição, há quem defenda que Flávio Bolsonaro (PL) não deve confrontar o PT na pauta sobre a escala 6×1. A estratégia seria empurrar a discussão para 2027 e evitar dar munição à esquerda.

“Se é tão bom, por que não foi feito em 17 anos?”, questiona uma liderança bolsonarista.

Nova Constituinte — Pré-candidato a deputado federal por Minas Gerais, Eduardo Cunha (Republicanos) tem dito a aliados que, caso eleito, vai articular uma nova Assembleia Constituinte. O ex-presidente da Câmara quer entrar para a História mais pela porta da frente.

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