Torborg Nedreaas chega ao Brasil com romance feminista
Uma mulher desconhecida atravessa uma noite chuvosa ao lado de um homem e lhe entrega não o corpo, mas a própria história. É desse encontro que parte “Nada Nasce ao Luar”, romance de 1947 da norueguesa Torborg Nedreaas, publicado agora no Brasil.
A narrativa começa com um homem procurando, há treze dias, pela mulher que conheceu na saída de uma estação. Naquela única noite, depois de caminharem pela cidade até o apartamento dele, ela contou uma trajetória marcada por paixão, desigualdade e pelas limitações impostas às mulheres pobres na Noruega do entreguerras.
Aos 17 anos, a protagonista se envolve com um professor casado. O relacionamento leva a uma gravidez não planejada e a um aborto ilegal, experiência que expõe a diferença entre as consequências enfrentadas por homens e mulheres naquele contexto. Nedreaas, porém, não organiza essa vida como uma sequência confortável de acontecimentos. A memória avança, recua e se interrompe, reproduzindo as dificuldades de transformar experiências dolorosas em narrativa.
Premiada e ligada à esquerda política norueguesa, a autora colocou mulheres da classe trabalhadora no centro de sua literatura e questionou tanto as convenções sociais quanto os limites do próprio campo progressista de sua época.
Redescoberta internacionalmente em meio ao interesse por escritoras como Tove Ditlevsen, Annie Ernaux e Alba de Céspedes, Nedreaas estreia no mercado brasileiro com um romance em que amor, desejo e autonomia são atravessados por gênero e classe. Mais do que contar uma confissão, “Nada Nasce ao Luar” pergunta o que acontece quando uma mulher finalmente encontra alguém disposto a ouvi-la.
A autora
TORBORG NEDREAAS nasceu em 1906, em Bergen, na Noruega. Estreou em 1945, com os contos reunidos em Bak skapet står øksen e ganhou popularidade dois anos mais tarde com Nada nasce ao luar, seu primeiro romance. Autora também de peças radiofônicas e ensaios, recebeu os principais prêmios literários de seu país e é considerada uma das maiores vozes da literatura norueguesa do pós-guerra. Foi comunista e envolveu-se na luta pelo direito das mulheres durante toda a sua vida. Morreu em 1987.
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