Trunfo de Daniel pode ser os mais de 200 prefeitos da base caiadista
Em eleição geral, nem sempre é o que parece sólido, no decorrer da campanha se desmancha no ar.
A base política estruturada pelo governador Ronaldo Caiado (PSD) para apoiar Daniel Vilela (MDB) a governador conta com um exército que, na contabilidade oficial, conta com mais de 200 prefeitos dos 246 municípios goianos. Somam-se a eles vereadores, ex-prefeitos, deputados estaduais, federais e dois senadores. É um contingente para ser levado a sério, mas em eleição geral, nem sempre é o que parece sólido, no decorrer da campanha se desmancha no ar. Manter esse ‘exército’ alimentado, com expectativa de poder, requer mais energia do que se imagina.
Caiado e Daniel sabem disso, portanto, é de se imaginar que eles têm um plano para manter essa máquina em movimento. Ao consolidar sua pré-candidatura a governador e conquistar o apoio de Ana Paula Rezende, um ativo robusto em termos de história e simbolismo, o senador Wilder Morais (PL) passa a ser um adversário a ser mantido sob vigilância. Até então, o único obstáculo que poderia atrapalhar a caminhada rumo ao Palácio das Esmeraldas era o ex-governador Marconi Perillo (PSDB). Portanto, agora são dois adversários a serem combatidos e que disputam o mesmo eleitorado de centro, direita e centro-direita.
Com esse quadro, mesmo sendo favorito por contar com o apoio do governador Caiado e os quase 80% de avaliação positiva de seu governo, é uma boa vantagem, mas sem garantia de vitória. Nunca é demais lembrar que, em 2018, o então governador José Eliton, à época no PSDB, contava com a maioria dos prefeitos, mas, no decorrer da campanha, Caiado foi ganhando aliados. Essa eleição que levou Ronaldo Caiado à vitória serve como alerta à base governista.
Deputados federais ‘independentes’
Em um passado não tão distante, a verba destinada ao deputado federal ou à bancada dos Estados passava primeiro pelo tesouro estadual e depois era liberada para a aplicação na base parlamentar. Agora, o recurso vai direto para o município sem a interferência do governador de turno. Desse modo, os deputados federais passaram a ser cortejados pelos governadores e prefeitos numa inversão de papéis, por isso são vistos como independentes do governante de plantão.
‘Intocáveis’ do STF
Teoricamente, o Senado poderia impeachmar um ou mais ministros do STF por crime de responsabilidade, mas dada a atual (de)composição da Câmara Alta, isso não vai acontecer. O que resta? A maioria dos ministros pode afastar um ou mais colegas por crime comum. Até que ponto o espírito de corpo/porco resistirá ao incômodo da permanência de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes? Na prática, um Poder raramente se autocontém. É preciso que outro Poder o faça, como ensinam Montesquieu e Os Federalistas. Oremos!
Tarcísio mira 2030
Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) se reúne nesta sexta-feira (27) com Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Oficialmente, falarão de um “plano para o Brasil”. Nos bastidores, Tarcísio quer compromisso com o fim da reeleição. O governador ainda sonha em pular de São Paulo para a presidência, mas, para isso, Flávio tem que ter apenas um mandato.
Quando mais…
… passa a ser menos em contabilidade de votos. É o que mostra o levantamento do Poder360 em relação aos apoios nos Estados. Lula (PT) soma mais aliados com 12 governadores com cerca de 53 milhões de eleitores, enquanto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem apenas 5, mas reúnem 57,3 milhões de votantes. Nem sempre ter muitos aliados significa ter maioria em votos.
Lula sem limite
Os gastos no cartão corporativo no atual mandato de Lula (PT) já superam R$ 1,4 bilhão, segundo a Veja. Para efeito de comparação, Jair Bolsonaro (PL) desembolsou R$ 27,6 milhões em quatro anos. A diferença reacende o debate sobre controle de despesas e abastece a oposição com munição.
Recado de Ibaneis – Na sanção do PDOT, nesta segunda-feira (23), o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), marcou território político ao dizer que “está cedo o presságio da vida pública”. O recado significa que ele será candidato ao Senado a despeito do caso Master.