terça-feira, 29 de setembro de 2026

“Um palmo ou dois acima do chão” é o mais novo romance de Edival Lourenço

Luana Avelarpor em
“Um palmo ou dois acima do chão” é o mais novo romance de Edival Lourenço
Com cadência proustiana e regionalismo experimental, o escritor goiano restaura pela memória e ficção um universo extinto, unindo identidade, pertencimento e a força poética da linguagem oral

O romance de autoficção “Um palmo ou dois acima do chão” é ambientado no sertão goiano. O protagonista da história é um menino, que reconstrói a infância vivida com os pais em fazendas do interior. A obra escrita por Edival Lourenço mergulha nas relações de trabalho rurais, nas tradições da Folia de Reis, no garimpo, na mística sertaneja e na riqueza linguística do homem do campo, que inventa palavras diante da ausência do vocabulário formal.

De acordo com o escritor, o romance narra de maneira dramática o êxodo rural vivenciado por milhares de famílias brasileiras. “Eu também vivi essa situação. Por isso, Miguel Sanchez Neto, que escreveu o prefácio, diz que a obra é uma autoficção. É uma situação vivida transformada em ficção e que também faço uma crítica a hostilidade do Brasil aos sertanejos”, detalha.

Edival Lourenço é autor de sete livros de poemas, três de crônicas, dois de contos e três romances. O mais recente “Um palmo ou dois acima do chão” já recebeu o Prêmio Nacional Bariani Ortêncio, na categoria romance inédito. “Escrevi uma história leve, com humor, embora a história seja dolorida. Afinal, só dói quando eu rio. Então eu rio com dor, mas rindo”, enfatiza.

A poética da narrativa está no sonho do menino de oito anos em ser alfabetizado. Com o uso da rica inclinação à expressão oral do interior goiano conseguiu decifrar os textos de um Almanaque do Biotônico Fontoura, trazido por um vendedor, que leu para ele o que estava contigo no livreto. O menino Edival contava histórias, enquanto sonhava ser escritor um dia.

“Até surgiu um boato de que eu tomei Biotônico Fontoura e aprendi a ler. Só que não sabia ler, eu estava fingindo. Um dia chegou o dono da fazenda e falei para ele que queria aprender a ler de verdade. Queria contar histórias e escrever histórias iguais às que tinham no Almanaque”, contextualiza Edival Lourenço.

 

O autor

Edival Lourenço de Oliveira nasceu em Iporá (GO) em 1952 e, atualmente, reside em Goiânia. Advogado, aposentado pela Caixa Econômica Federal e ex-presidente da União Brasileira de Escritores (UBE) de Goiás, ocupa a cadeira n.º 22 da Academia Goiana de Letras. É colunista do Jornal O Popular e da Revista Bula. Ex-secretário de Cultura de Goiás. Foi co-apresentador do programa Raízes Jornalismo Cultural, da PUC TV Goiás, por dez anos. É autor de 13 livros. A obra “A Centopeia de neon” recebeu o Prêmio Nacional de Romance do Estado do Paraná (1994) e o romance “Naqueles morros depois da chuva” conquistou os prêmios Jaburu e Jabuti (2012). Em 1989, recebeu o Prêmio Nacional de Crônicas do Festival de Inverno de Campos do Jordão (SP), com a crônica “Infância diversa”. “Um palmo ou dois acima do chão” recebeu o Prêmio Nacional Bariani Ortêncio de romance inédito, em 2025.

 

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