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sábado, 31 de janeiro de 2026

Varejo tradicional bate recorde, mas comércio deve crescer menos em 2025

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 16 de janeiro de 2026
Varejo
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O título parece carregar uma contradição, ao menos à primeira vista, já que o nível alcançado pelas vendas em novembro do ano passado foi o maior registrado pela série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada há cerca de duas décadas e meia. A questão central, no entanto, está na intensidade do crescimento observada pela Pesquisa Mensal do Comércio, que tende a encerrar 2025 em ritmo inferior ao de 2024, apesar dos números mais positivos registrados na reta final do exercício passado e mesmo ainda restando os dados de dezembro.

Nos 12 meses terminados em novembro do ano passado, as vendas do varejo restrito apresentaram variação de apenas 1,5% em relação aos 12 meses imediatamente anteriores, a menor taxa desde 2022, quando a pesquisa do IBGE havia apontado crescimento de 1,0%. Já os dados do varejo ampliado — que inclui concessionárias de motos e veículos, lojas de autopeças e materiais de construção e o atacarejo de alimentos, bebidas e cigarros — indicam recuo de 0,2% entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, em contraste com a alta de 3,7% registrada em 2024.

Nesse contexto, as vendas parecem retomar a tendência observada em 2022 e 2023, quando o comércio varejista, em seu conceito mais amplo, sofreu quedas de 8,7% e de 1,8%, respectivamente. Esse desempenho ainda reflete, em parte, os efeitos prolongados da pandemia sobre a economia e a interrupção das cadeias de suprimento, que afetaram a oferta de bens e mercadorias e, consequentemente, a capacidade do varejo de atender à demanda.

O desempenho do varejo restrito, no acumulado em 12 meses, foi impulsionado pelas altas de 4,7% nas vendas de móveis e eletrodomésticos e de 3,9% no segmento de farmácias, perfumarias e cosméticos. Em contrapartida, o setor de hiper e supermercados — responsável por pouco mais da metade dos volumes transacionados no varejo tradicional e por quase um terço do varejo ampliado — apresentou crescimento de apenas 0,6%. No varejo ampliado, enquanto as vendas de materiais de construção ficaram praticamente estagnadas, as concessionárias de veículos e motos registraram queda de 2,5%, e o atacarejo de alimentos, bebidas e fumo recuou 3,8%.

Dados históricos

Considerando a série dessazonalizada, que permite acompanhar a evolução das vendas mês a mês ao excluir fatores recorrentes do calendário, houve crescimento de 1,0% na passagem de outubro para novembro, levando o varejo restrito a alcançar um novo recorde histórico. Trata-se também da maior variação mensal desde maio de 2024, quando as vendas haviam avançado 1,3%. O resultado dobrou a variação de 0,5% observada em outubro, na comparação com setembro de 2025, mês que havia registrado recuo de 0,1%. No varejo ampliado, houve desaceleração, com o avanço passando de 1,0% em outubro para 0,7% em novembro, sempre na comparação com o mês imediatamente anterior.

Balanço

Na série dessazonalizada, as vendas do varejo restrito em Goiás apresentaram em novembro o segundo pior desempenho entre todas as regiões pesquisadas pelo IBGE, com queda de 1,6% em relação a outubro. No varejo ampliado, após recuo de 0,1% em outubro, as vendas cresceram 1,0% em novembro.

A comparação com novembro de 2024 mostra crescimento nulo para o varejo restrito no Estado, influenciado principalmente pelas quedas de 2,2% nas vendas de hiper e supermercados e de 5,2% nas lojas de tecidos, vestuário e calçados. Em setembro e outubro, no entanto, o varejo tradicional havia mostrado maior vigor, com altas de 2,5% e de 3,3%, encerrando um período de três meses consecutivos de retração, com quedas de 0,5% em junho, 1,4% em julho e 1,7% em agosto.

No varejo ampliado, o cenário foi mais favorável entre agosto e novembro, com quatro meses consecutivos de alta após um tombo de 5,0% em julho. Nesse intervalo, a pesquisa apontou avanço de 1,2% em agosto, altas de 7,4% em setembro, 5,5% em outubro e 6,7% em novembro. Neste último mês, concessionárias de veículos e motos, lojas de materiais de construção e o atacado de alimentos, bebidas e fumo registraram saltos de 17,5%, 5,4% e 12,0%, respectivamente.

Os bons resultados reduziram a queda acumulada no ano para 1,0% até novembro no varejo ampliado, frente a uma retração de 4,5% observada nos primeiros sete meses do ano passado. No acumulado em 12 meses, as vendas do setor apresentaram recuo de 0,9%, após um avanço de 8,7% em todo o ano de 2024.

No varejo restrito, a variação acumulada em 12 meses alcançou 0,9% até novembro, depois de indicar queda de 1,6% no período encerrado em setembro do ano passado. Em 2024, havia sido registrado crescimento de 4,5%, o que reforça a tendência de desaceleração.

Ainda na série acumulada em 12 meses, as lojas de móveis e eletrodomésticos e de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, perfumaria e cosméticos registraram altas expressivas de 12,9% e 9,2%, respectivamente. Em contraste, as vendas dos supermercados praticamente não avançaram, com variação de apenas 0,2%, enquanto as lojas de materiais e equipamentos para escritórios, informática e comunicação viram o volume de vendas despencar 17,1%. Nesse último segmento, os dados mensais de outubro e novembro foram especialmente negativos, com quedas de 54,6% e 17,2% em relação aos mesmos meses de 2024.

Em todo o País, na comparação com novembro de 2024, as vendas do varejo restrito cresceram 1,3% em novembro, após alta de 0,9% em outubro. Essa foi a oitava elevação mensal consecutiva, impulsionada principalmente pelo crescimento de 5,2% nas lojas de móveis e eletrodomésticos e de 7,2% nas farmácias, que registram trajetória de expansão contínua desde fevereiro de 2023.

Por outro lado, as vendas do varejo ampliado recuaram 0,3% em novembro, repetindo a variação negativa de outubro. Na comparação anual, concessionárias de veículos e motos e lojas de materiais de construção apresentaram quedas de 5,8% e 3,0%, respectivamente, enquanto o atacado especializado em alimentos e bebidas registrou leve alta de 0,9%.

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