Vendas do comércio renovam recorde em março, depois de avanço modesto

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 14 de maio de 2026

O volume de vendas no varejo brasileiro em março renovou o maior nível desde o início da série histórica atual do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em janeiro de 2000, no caso do varejo mais convencional, e a partir de 2003 para o setor varejista ampliado, conceito que inclui ainda concessionárias de veículos e motos, lojas de autopeças e o chamado atacarejo de materiais de construção e de alimentos, bebidas e cigarros. Como se recorda, os resultados do varejo já haviam batido recorde em fevereiro e, no mês seguinte, bastou uma oscilação modesta para que o setor emplacasse números novamente recordistas, o que não parece traduzir um processo de sobreaquecimento da atividade econômica, ainda que o comércio tenha demonstrado certa resiliência em meio a turbulências e incertezas que passaram a rondar a economia global desde o final de fevereiro com os ataques de Israel e Estados Unidos ao Irã, com consequente fechamento do estreito de Ormuz.

Na comparação com o mês imediatamente anterior, aplicados os devidos ajustes sazonais, com exclusão de fatores e eventos que todos os anos ocorrem sempre na mesma época, as vendas avançaram 0,5% em março no comércio varejista, com variação de 0,3% para o varejo ampliado. Em ambos os casos, registrou-se leve acomodação em relação ao desempenho observado em fevereiro, período em que as vendas chegaram a crescer 0,7% e 1,1% naquela mesma ordem. Como mostram os dados oficiais, não foi necessário um esforço muito extenuante para superar marcas históricas, nos dois casos.

Os dados da pesquisa mensal do comércio para Goiás mostram crescimento de 1,5% em março para o varejo mais convencional, na comparação com fevereiro, quando o setor havia experimentado alta de 2,2%. O segmento mais amplo do varejo, ainda no Estado, saiu de uma alta de 3,2% em fevereiro para uma variação de 1,3% em março. Neste caso, os volumes vendidos mantiveram-se muito distantes ainda de seus melhores momentos na série histórica, o que parece sugerir para o comércio goiano um desempenho menos vistoso ao longo do tempo, na comparação com os resultados nacionais.

Melhoras recentes

O curto prazo mostra melhoras evidentes, com alta, por exemplo, de 5,6% para o varejo tradicional no período entre novembro do ano passado e março deste ano, sempre tomando a série com ajuste sazonal. Mas em relação a maio de 2014, período em que o varejo conseguiu seu melhor resultado na série histórica, persiste uma redução de 20,5%. Mas os números para o setor já haviam sido piores meses atrás. Em novembro de 2024, apenas para mencionar um dado a mais, as vendas haviam desabado 26,4% ainda frente a maio de 2014. O varejo amplo acumula incremento de 4,6% desde janeiro deste ano, embora aponte baixa de 14,4% frente a agosto de 2012, quase uma década e meia atrás, no melhor momento do setor desde que a pesquisa passou a cobrir o segmento. Novamente, as comparações anteriores haviam sido muito mais desfavoráveis, com as vendas despencando 21,4% na comparação entre maio do ano passado e agosto de 2012.

Balanço

Ainda nos dados nacionais, o desempenho em março, novamente na série dessazonalizada, recebeu contribuições positivas dos postos de combustíveis, com elevação de 2,9% (aparentemente numa tentativa de antecipação do consumo diante da perspectiva de encarecimento dos combustíveis), e das lojas de equipamentos para escritório, informática e comunicação, num incremento de 5,7%.

Mas supermercados e hipermercados sofreram perda de 1,4%, enquanto as vendas de tecidos, roupas e calçados não saíram do lugar, repetindo os resultados de fevereiro, quando já haviam recuado 0,6% frente a janeiro. Da mesma forma, as vendas de móveis e eletrodomésticos chegaram ao quarto resultado negativo em sequência, recuando 0,9% em março.

No varejo mais amplo, ainda no dado para todo o País, o recuo de 0,6% nas vendas de automóveis, motos e autopeças foi compensado pelo crescimento de 1,6% no setor de materiais de construção. O IBGE não divulga dados dessazonalizados para os Estados, como já se sabe.

As comparações com março do ano passado apresentam números mais favoráveis, considerando que naquele mesmo mês em 2025 as vendas haviam sofrido baixas de 0,7% e de 1,1% para o varejo tradicional e para o comércio varejista ampliado em todo o País, respectivamente.

Em março deste ano, na comparação com o mesmo mês do ano passado, as vendas avançaram 4,0% no varejo restrito, alcançando a décima segunda alta mensal consecutiva nesse tipo de comparação, acumulando elevação de 2,4% no primeiro trimestre e de apenas 1,8% em 12 meses.

O comércio varejista ampliado conseguiu elevar as vendas em 6,5% em março depois de um recuo de 2,1% em fevereiro, com avanço de 1,9% no primeiro trimestre e de apenas 0,2% em 12 meses.

No segmento de combustíveis e lubrificantes, registrou-se aumento de 7,6% nas vendas, com salto de 22,5% nas redes de materiais para escritório, computadores e celulares (saindo de uma tímida variação de 0,2% em fevereiro). Este último setor anotou sua sétima alta consecutiva na comparação com o mesmo mês do ano anterior. As vendas de medicamentos, artigos médicos e ortopédicos e cosméticos avançaram 7,1%.

No varejo ampliado, em todo o País, todos os três segmentos observaram ganhos, com avanços de 12,6% para veículos, motos e autopeças, 8,1% para materiais de construção e 8,7% no atacarejo de alimentos e bebidas.

Em Goiás, as vendas haviam registrado elevação de 3,3% no varejo mais tradicional e de 1,1% no setor varejista ampliado entre fevereiro deste ano e igual período de 2025. Seguindo a tendência geral do setor, março encerrou com saltos de 7,0% para o setor varejista tradicional e de 13,4% no varejo mais amplo. Em março do ano passado, na mesma sequência, as vendas haviam variado 0,4% e recuado 2,0%.

Os setores de vestuário e de supermercados, ainda na comparação com março de 2025, tiveram perdas de 8,1% e de 0,6% no Estado, num desempenho mais do que compensado pelos ganhos de 21,3% no setor de combustíveis, de 22,7% para móveis e eletrodomésticos, de 11,1% para remédios e cosméticos e de 7,0% no caso das redes do varejo de computadores, celulares e papelarias.

O avanço mais vigoroso no varejo ampliado veio embalado por altas de 24,8% nas concessionárias de veículos e lojas de autopeças, de 16,8% para materiais de construção e 12,4% para alimentos, bebidas e cigarros.

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