quinta-feira, 12 de março de 2026

Vendas do varejo batem recorde (depois de recuo em dezembro)

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 12 de março de 2026

Uma elevação de 0,4% no volume de vendas em janeiro deste ano foi suficiente para recolocar o comércio varejista no ponto mais alto da série histórica mais recente da pesquisa mensal sobre as vendas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em janeiro de 2000.

A variação toma como referência dezembro do ano passado, considerando dados dessazonalizados pelo instituto, quer dizer, com “desconto” de fatores e eventos que se repetem todos os anos nas mesmas épocas. Na prática, o setor conseguiu se recompor depois de recuar 0,4% em dezembro em relação a novembro.

O cenário dali em diante, mais precisamente na virada de fevereiro para março, tornou-se ainda mais complicado com a guerra detonada por Israel e Estados Unidos contra o Irã e seus desdobramentos desde então. Além de acirrar o clima de incertezas, o risco de alta nos preços dos combustíveis pode se tornar um complicador a mais, gerando possíveis pressões inflacionárias (de alcance ainda imprevisto), o que tende a afetar a renda das famílias e suas decisões de consumo. Esses impactos, no entanto, devem se tornar mais visíveis nas pesquisas que deverão ser divulgadas a partir de maio.

Naquela mesma comparação, em Goiás, os volumes vendidos pelo varejo mais tradicional apresentaram variação de 0,2% no primeiro mês do ano, depois de avançar 1,1% na passagem de novembro para dezembro, acumulando ganho de 1,32% no período. A grande diferença, além da taxa mais modesta anotada em janeiro último, está em outra comparação, que coloca as vendas do comércio varejista no Estado em queda de quase 24,0% frente a maio de 2014, mais de uma década, quando o setor conseguiu operar seu melhor resultado na série histórica.

Ainda na série de dados dessazonalizados, mas considerando os números do varejo ampliado, que inclui redes de concessionárias de veículos e motos, o comércio de autopeças, além dos segmentos de atacarejo de materiais de construção, alimentos, bebidas e cigarros, os volumes vendidos aumentaram 0,9% em janeiro.

O desempenho não chegou a compensar integralmente a queda de 1,0% registrada em dezembro. O resultado foi um retorno aos mesmos volumes vendidos pelo setor em novembro do ano passado, indicando um recuo de 0,8% diante de março do ano passado, quando as vendas do varejo ampliado haviam alcançado seu recorde mais recente.

Segunda baixa

As vendas do comércio varejista ampliado em Goiás mostram tendência inversa, com quedas de 2,1% e de 1,4% em dezembro e janeiro, sempre em relação aos meses imediatamente anteriores, com perda acumulada de 3,5% desde novembro.

Os resultados mais recentes nesta área foram nitidamente insuficientes para superar os números de agosto de 2012, quase década e meia atrás, quando os níveis das vendas haviam alcançado seu melhor resultado na série histórica. A comparação entre janeiro de 2026 e o longínquo 2012, mais propriamente em agosto daquele ano, aponta uma queda de praticamente 18,0%.

Balanço

No País como um todo, ainda na série dessazonalizada, o varejo em seu conceito mais amplo tem apresentado resultados relativamente melhores desde julho do ano passado, contemplando uma sequência de cinco meses de números positivos, interrompida pela queda de 1,0% em dezembro e retomada em janeiro.

A comparação com igual mês do ano imediatamente anterior tem sido mais generosa para o varejo tradicional, que chegou a janeiro deste ano ao décimo mês de altas consecutivas, com incremento de 2,8% em janeiro deste ano, no melhor resultado desde abril do ano passado, quando havia sido registrado um salto de 5,4% em relação a abril de 2024.

O resultado mensal foi fortemente influenciado pelo avanço de 2,9% em relação a janeiro do ano passado nas vendas de hiper e supermercados, terceira alta mensal em seguida (saindo de três meses sem crescimento ou baixa, entre agosto e setembro do ano passado). A contribuição do setor para o crescimento do varejo convencional foi ligeiramente superior a 55%.

A segunda maior contribuição veio das farmácias, medicamentos, cosméticos e artigos médicos e ortopédicos, que apresentaram taxas de crescimento de 7,5% em novembro, 6,9% em dezembro e 5,1% em janeiro, cumprindo 35 meses de altas consecutivas, ou seja, desde março de 2023.

As vendas no varejo ampliado saíram de dois meses de baixas, com recuos de 0,3% e de 0,2% em outubro e novembro, para crescer 2,7% e 1,1% em dezembro e janeiro, sugerindo algum desaquecimento ao se considerar a intensidade da variação observada naqueles dois últimos meses.

O avanço em janeiro foi assegurado basicamente pelo incremento de 2,0% no segmento de atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo, o que se compara com o salto de 8,5% em dezembro (prenunciando alguma desaceleração). De toda forma, as vendas nesta área crescem desde setembro, cinco meses, portanto, depois de enfrentar idas e vindas nos meses anteriores.

As vendas de materiais de construção e de veículos, motos e autopeças, nesta mesma ordem, caíram 2,3% e 3,3% em janeiro deste ano. Tomando os últimos 12 meses, as lojas de materiais conseguiram experimentar algum avanço em quatro deles, quer dizer, apenas em um terço do período. Para as concessionárias de veículos e lojas de peças, foram nove meses de perdas, correspondendo a 75% dos 12 meses iniciados em fevereiro do ano passado.

Em Goiás, na comparação com iguais meses do ano imediatamente anterior, as vendas do varejo convencional chegaram ao quinto mês de resultados positivos, crescendo 3,7% em janeiro, saindo de variação de 3,5% em dezembro. Destaque para avanços de 7,3% para as vendas de combustíveis e de 2,3% nos supermercados e hipermercados.

O varejo ampliado no Estado chegou ao sexto mês de alta, mas com a variação saindo de 7,0% para 6,4% em novembro e dezembro e dali para apenas 0,8% no primeiro mês deste ano, com ganho de 3,5% no atacado de alimentos — o único segmento do varejo amplo a apresentar alta. As vendas de veículos e peças e de materiais de construção caíram 4,3% e 0,3% frente a janeiro do ano passado.

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