Vendas voltam a cair em Goiás e derrapam no restante do País
Em seu conceito mais amplo, que inclui o varejo tradicional, concessionárias de veículos e motos, lojas de autopeças e de materiais de construção, além de redes de “atacarejo” de alimentos e bebidas, as vendas do comércio andaram de lado em todo o País, com variação de 0,1% na passagem de junho para julho, medição mais recente realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De toda forma, foi o terceiro mês em terreno positivo, depois da redução de 0,9% anotada em abril, sempre na comparação com o mês imediatamente anterior, na série dessazonalizada. Naqueles três meses, o varejo amplo acumulou variação de 1,20%.
Para Goiás, tomando o mesmo conceito e considerando ainda indicadores já dessazonalizados, com exclusão de fatores e eventos que ocorrem todos os anos numa mesma época, os resultados foram menos promissores neste começo de semestre, com baixa de 0,6% diante de junho, quando havia sido registrada certa estabilidade para as vendas do varejo amplo, numa variação de apenas 0,1%. Desde abril, o volume vendido pelo varejo ampliado no Estado anotou redução de 3,2%.
“Nos três últimos meses, as vendas reais do comércio varejista vêm perdendo fôlego, muito embora o terreno negativo tenha sido evitado”, registra o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), igualmente levando em consideração os números do comércio varejista mais amplo em todo o País. O avanço de 3,8% nas vendas de veículos, motos e peças foi contrabalançado pelo recuo de 0,2% no segmento de atacado e varejo de materiais de construção.
Altas e baixas
No varejo mais restrito, que contempla estabelecimentos exclusivamente varejistas, a exemplo de supermercados, farmácias e lojas de departamento, parece assumir maior peso o comportamento do emprego e da renda, que continuavam avançando até o começo do segundo semestre. Na média do País, as vendas saíram de uma queda de 0,9% em junho para incremento de 0,6% em julho, na comparação com os meses imediatamente anteriores. Nesta área, tiveram alta as vendas de hipermercados e supermercados (mais 1,7%), lojas de tecidos, vestuário e calçados (mais 1,8%), móveis e eletrodomésticos (mais 1,4%), equipamentos para escritórios, informática e comunicação (elevação de 2,2%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (com avanço de 2,1%). Combustíveis e lubrificantes, em baixa de 1,1%, e artigos de farmácia, médicos, ortopédicos e de perfumaria, numa redução de 1,5%, entraram em terreno negativo. “Também vale notar que 40% dos ramos identificados pelo IBGE não conseguiram crescer na passagem de junho para julho de 2024”, comenta o Iedi.
Balanço
- Em Goiás, igualmente no varejo restrito e nos dados sazonalmente ajustados, as vendas seguem em área positiva desde dezembro do ano passado e estiveram esganadas apenas em maio passado, quando repetiram os níveis de abril. Nos últimos oito meses terminados em julho deste ano, o setor acumulou alta de 10,26% na série do IBGE.
- “Estes sinais incipientes de acomodação [no comércio em todo o País] ainda não impactam o desempenho do setor em comparação com um ano atrás, que segue robusto e resiliente”, pondera o Iedi. Considerando julho do ano passado como base, os volumes vendidos pelo varejo tradicional e pelo comércio varejista ampliado cresceram respectivamente 4,4% e 7,2% em julho deste ano. Goiás foi destaque no varejo ampliado, com salto de 17,2% frente a julho de 2023, na variação mais elevada entre todos os Estados, com aumento de 7,9% para os resultados do varejo restrito.
- No cenário nacional, apenas dois segmentos estiveram em baixa em julho, com quedas de 4,3% e de 5,0% nas vendas de combustíveis e lubrificantes e para papelarias e livrarias. Ainda no varejo restrito, as maiores taxas vieram das farmácias e lojas de cosméticos, num salto de 16,0%, outros artigos de uso pessoal, em alta de 10,6%, e móveis e eletrodomésticos, subindo 8,1%. Nos super e hipermercados, os volumes vendidos avançaram 3,0%, com elevação ainda de 5,2% para tecidos, vestuário e calçados.
- No varejo ampliado, as vendas de veículos e motos lideraram, com salto de 20,3%, surgindo na sequência o atacado e varejo de material de construção, que experimentou elevação de 11,0%. Em contraposição, ainda em relação a julho do ano passado, as vendas de alimentos, bebidas e cigarros em lojas atacadistas anotaram variação de apenas 0,6%.
- O setor de veículos, mais dependente de crédito, havia sido beneficiado pelo ciclo (já encerrado) de redução dos juros básicos, o que levou as vendas no setor a acumular alta de 13,4% nos sete meses deste ano em relação ao mesmo período de 2023 (representando 51% da alta de 4,7% para o período em todo o varejo amplo). Além daquele fator, acrescenta o Iedi, “o novo Marco das Garantias, ao simplificar a execução do veículo dado como garantia, abriu espaço para estratégias mais agressivas de financiamento por parte dos bancos das montadoras”. A liberação de crédito novo, ou seja, “as concessões (de empréstimos) a pessoas físicas para aquisição de veículos acumularam avanço de quase 40% no primeiro semestre de 2024, já descontada a inflação”, reforça o Iedi.
- Em todo o Estado, considerando o varejo total, apenas três segmentos entre 11 acompanhados pela pesquisa mensal do comércio registraram números negativos. A saber, houve perdas para combustíveis (baixa de 8,8%), atacado de alimentos e bebidas (com perda de 6,5%) e tecidos, vestuário e calçados (num recuo de 1,5%), ainda na comparação com julho do ano passado.
- Os demais tiveram crescimento, destacadamente no setor de veículos e motos, que subiram 54,6% frente a julho de 2023, seguido pelas vendas de livros, jornais, revistas e artigos de papelaria (num aumento de 27,5%) e farmácias e perfumaria (numa elevação de 26,8%). Móveis e eletrodomésticos, supermercados e artigos de uso pessoal e domésticos, pela ordem, anotaram avanços de 16,3%, de 10,3% e de 8,8%.
- A despeito de oscilações mensais, observa o Iedi, este tem sido um ano melhor para o varejo como um todo do que em 2023, “ainda que entre os grandes setores da economia a maior reviravolta continue sendo o da indústria”. Considerando o acumulado entre janeiro e julho, aponta o instituto, o ritmo de avanço das vendas varejo restrito saiu de 1,5% no ano passado para 5,2% neste ano, com altas respectivamente de 2,1% e de 4,7% no varejo amplo.
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