Vorcaro mostra que, no poder, tem mais pecadores do que inocentes

Wilson Silvestrepor Wilson Silvestre em 15 de maio de 2026
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Nos últimos anos, o ex-banqueiro, Daniel Vorcaro circulou com desenvoltura entre personagens dos mais variados campos políticos

 

O escândalo do Banco Master expõe uma velha máxima de Brasília: dinheiro não tem ideologia. Nos últimos anos, o ex-banqueiro, Daniel Vorcaro circulou com desenvoltura entre personagens dos mais variados campos políticos, da esquerda à direita, sempre com trânsito livre no andar de cima da República. Mas, como não existe almoço grátis ou mal que dure para sempre, a conta chegou. Com o escândalo, a polarização entre direita e esquerda turbinou o discurso dos presidenciáveis. O problema é que, quando o assunto envolve dinheiro e poder, a conversa costuma ser outra.

Assim, nessa crise provocada pelo Banco Master-Vorcaro, o que não faltam são personagens para o enredo político. Começa pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que, em dezembro de 2024, recebeu Vorcaro no Palácio do Planalto sem registro na agenda, classificado pelo ex-banqueiro como “ótimo”. Agora, foi a vez do senador e pré-candidato a presidente da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ser pego em áudio cobrando parcelas de um acordo que envolvia R$ 134 milhões. Esse diálogo caiu em uma péssima hora para o filho de Bolsonaro, isto porque ele vem em uma crescente nas intenções de votos contra Lula.

A notícia foi tão bombástica que nem Romeu Zema (Novo), que em passado recente batia bumbo para Jair Bolsonaro, poupou Flávio, classificando a negociação captada no áudio como “imperdoável” e “um tapa na cara”. Para piorar o script, nesta quinta-feira (14) veio à tona que o pai de Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal, doou R$ 1 milhão ao diretório estadual do Novo em Minas Gerais nas eleições de 2022, o mesmo que deu sustentação partidária à campanha de Zema. Em política, quase sempre quem aponta o dedo descobre, mais cedo ou mais tarde, que o telhado também é de vidro.

Brecha para Caiado crescer
No meio desse desgaste generalizado, o pré-candidato a presidente da República pelo PSD e ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, enxerga uma brecha. Isto porque, até agora, não apareceu qualquer ligação entre Caiado, Gilberto Kassab, o PSD e Daniel Vorcaro. Para um pré-candidato que ainda tenta deixar o segundo pelotão da disputa presidencial, essa pode ser a brecha que faltava para Caiado melhorar nas pesquisas.

Vai que é tua!
Caiado precisa correr para convencer o eleitor antipetista, hoje concentrado em Flávio Bolsonaro, de que representa alternativa viável. Se conseguir capturar parte desse eleitorado, deixa de ser apenas mais um nome na corrida presidencial e mero figurante.

Meu nome é Gayer
Os pré-candidatos apoiados por Gustavo Gayer (PL) vão adotar o sobrenome dele para alavancar votos. William Veloso (PL), Dieyme Vasconcelos (PL), Marco Nascimento (PL) e Ethienne (Mobiliza) apostam na associação para encurtar o caminho até a vitória. Se a moda pega, a política goiana inaugura o sistema de candidatos franqueados.

PL e PSD
A visita do prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), a Rio Verde rendeu frutos para o pré-candidato a deputado estadual Paulo do Vale (PSD). Márcio abriu espaço em Anápolis para Paulo buscar votos. O gesto coloca Márcio mais perto de Daniel Vilela (MDB) do que de Wilder Morais (PL). O arranjo do prefeito anapolino é eclético: para o Senado ele apoia Gustavo Gayer e o vereador de Goiânia, Major Vitor Hugo, os dois do PL. Não está descartada a primeira-dama Carla Corrêa (PL) ser indicada para a primeira suplência.

Pábio na área
O ex-prefeito de Valparaíso e pré-candidato a deputado estadual Pábio Mossoró (MDB) adotou como estratégia política trabalhar em silêncio. Ele acredita que o corpo a corpo e as visitas de casa em casa são mais produtivas e permitem estabelecer diálogo mais franco com o cidadão.

Foco no interior – Os três pré-candidatos a governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), que disputa a reeleição, Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL), estão focados em agendas pelo interior. A exceção de Daniel, que precisa cuidar da gestão, o foco e pé na estrada.

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