sexta-feira, 26 de junho de 2026

Votos de Caiado não ‘colaram’ em Daniel e preocupa aliados

Wilson Silvestrepor Wilson Silvestre em 23 de junho de 2026
Votos de Caiado não ‘colaram’ em Daniel e preocupa aliados
Ilustração: Takeshi Gondo

Há três meses mais ou menos, pesquisas davam o governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), que disputa a reeleição, como favorito. Alguns aliados próximos aos governistas diziam que faltava pouco para Daniel vencer logo no primeiro turno. Essa tese foi massificada em blogs e na mídia aliada ao governo, mas, até agora, as pesquisas recentes mostram que houve queda e, em algumas delas, a oposição está nos calcanhares do governador. Outro ponto que os governistas batiam bumbo: diziam que o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) seria o maior cabo eleitoral de Daniel. Só tem um problema: esses votos não ‘colaram’ em Daniel, o que preocupa aliados governistas.

Até agora, isto não aconteceu. Caiado está mais preocupado com sua pré-candidatura a presidente da República que, registre-se, não decolou como se imaginava. Esse quadro, aliado à falta de uma robusta agenda administrativa, “esconde” Daniel dos setores produtivos e empurra o emedebista para uma agenda só: o Goiás Social. Até esse programa está mais associado à ex-primeira-dama Gracinha Caiado (União Brasil) do que ao governo de Daniel Vilela. “Ah, mas o governador era o vice e participou de muitas edições do Goiás”, rebate a coluna um prefeito emedebista.

No entanto, isto não muda o fato de que Daniel oscila entre 30% a 35%, a depender da pesquisa. Um número muito aquém da aprovação do ex-governador Ronaldo Caiado, que chegou a 80%. Se tomar essa diferença como parâmetro, pode-se afirmar que a tão propalada transferência de votos do ex-governador para Daniel até agora não aconteceu. Enquanto isso, pesquisas internas do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) mostram seu crescimento na intenção de votos, bem como Wilder Morais (PL). Embora as pesquisas mostrem Wilder em terceiro lugar em alguns institutos, quando ele é associado como candidato bolsonarista sobe 20%, ou seja, encosta em Daniel e Marconi.

Seja qual for o vice, haverá dissidência
A escolha do vice para compor a chapa de Daniel Vilela se complica a cada momento. Até onde as visitas alcançam em termos políticos, quem for preterido, seja o ex-presidente da Faeg, José Mário Schreiner, ou o ex-senador Luiz do Carmo, ambos do PSD e ligados ao ex-governador Ronaldo Caiado, haverá dissidência. Os dois trabalham para um deles ser ungido, mas, pelo tanto de esforço de cada grupo, quem ficar fora tende a procurar a oposição. Nesse caso, Daniel perde duas vezes: aliados e a força como líder.

Wilder mobiliza PL
A presença do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em Goiânia neste sábado (27) para o lançamento oficial da pré-candidatura do senador Wilder Morais a governador de Goiás e Ana Paula Rezende como vice deve atrair toda militância do PL no Estado. De acordo com os organizadores, a maioria é formada por bolsonaristas. Outras lideranças de centro e ligadas a vários setores da economia confirmaram presença.

Sorgatto lembrado
A coluna procurou ouvir lideranças do Entorno para saber o indicado da região para a vice. Ninguém ousou cravar um nome, mas houve um consenso de que o prefeito de Luziânia, Diego Sorgatto (União Brasil), seria o melhor candidato. A pedra no sapato, porém, é que Sorgatto não se desincompatibilizou do cargo dentro do prazo.

Balde de água fria
As desistências de Kim Kataguiri (Missão) e Paulo Serra (PSDB) de disputar o Governo de São Paulo caíram como um balde de água fria no PT. O partido contava com as pré-candidaturas para fragmentar a direita, enfraquecer Tarcísio de Freitas (Republicanos) e forçar um segundo turno contra Fernando Haddad (PT).

Onda conservadora
As vitórias de Keiko Fujimori no Peru e de La Espriella na Colômbia não passaram em branco para o bolsonarismo. O resultado nos dois países animou a militância, que enxerga a possibilidade de a onda conservadora, iniciada em 2023 com a eleição de Milei na Argentina, chegue finalmente ao Brasil em outubro.

Quartel-general – Paulo do Vale (PSD) reservou as segundas e as terças-feiras para receber prefeitos, vereadores e lideranças políticas no diretório estadual do PSD. A agenda, discreta, tem como objetivo ampliar seu capital de votos para ser o deputado estadual mais votado.

Você tem WhatsApp ou Telegram? É só entrar em um dos canais de comunicação do O Hoje para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens. Basta clicar aqui e escolher.