Vulcão Master entra em erupção e expele corrupção da República
Aconteceu o previsto. O vulcão Banco Master entrou em erupção e expele lavas e cinzas das entranhas dos Poderes da República. Pelo tamanho da explosão, pouca gente vai sobreviver à fúria dessa força e da opinião pública. No entanto, bem antes da erupção que atinge o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), e o entorno do governador fluminense, Claudio Castro (PL), os poderosos de plantão tentam encontrar uma saída para abafar o escândalo, mas quanto mais tapam o caso com uma peneira, mais luminosidade ganha. Isto porque o País está em um ano eleitoral e o governo, STF, gente fina no Congresso, empresários e políticos de todas as siglas estão com a mídia em seus calcanhares, sem trégua ou para “passar pano”.
Até o principal aliado do governo do presidente Lula, o Superior Tribunal Federal (STF), que, por dever constitucional, deveria dar exemplos de retidão e respeito aos ritos que norteiam a República, mostra que é apenas um ‘braço’ do mandatário da vez. Essa promiscuidade institucional acabou por enterrar as normas que regem o equilíbrio dos Poderes. Ao mudá-las constantemente, os ministros do STF passaram a exercerem papéis de atores políticos, ditando o que pode e o que não pode. Assim, abriram uma brecha para que a elite doida por poder e dinheiro atropelasse a decência e o respeito ao contribuinte que paga seus salários.
A partir dessa flexibilidade institucional, aliada à falta de liturgia do cargo, respeito à Constituição e egos inflados pela vaidade, levaram gente endinheirada, como o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a se infiltrar no Congresso, conquistar por meio de poder econômico os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do STF. Não para por aí. Além do Congresso, capturou a influência de políticos de alta linhagem e influência. Afinal, se “todos estão se dando bem, que mal tem?”.
Ibaneis explica, mas não convence
Mal foi divulgado o teor da declaração de Daniel Vorcaro em que ele diz ter acertado com o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), a negociação de compra do Banco Master pelo BRB, os partidos Cidadania e PSB bateram bumbo e disseram que vão colher assinaturas para uma CPI na Câmara Legislativa do DF. Até pode ser, mas o governador tem maioria na Casa. Quanto à declaração de Vorcaro, Ibaneis confirma que esteve com ele, mas quem tratou das negociações foi o então presidente do BRB, Paulo Henrique. O problema é que ninguém acredita.
Celina fora
Por mais esforço que a oposição faça para ‘jogar’ a vice-governadora do DF, Celina Leão (PP), pré-candidata ao GDF, no escândalo do Banco Master, até agora ela não foi citada em nenhuma reportagem. Nunca é demais lembrar que a vice vivia às turras com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique. A oposição vai tentar desconstruir sua pré-candidatura a partir desse caso. Mas, se até agora não apareceu seu DNA na negociação, só restarão narrativas de campanha eleitoral.
Reflexos eleitorais
É consenso entre líderes de oposição que o caso do Banco Master, que atingiu altas figuras da República, principalmente no STF e no meio político, deve atingir o governo Lula. Mesmo não tendo envolvimento direto, ninguém acredita que um rombo financeiro de R$ 47,3 bilhões tenha acontecido sem o entorno de Lula saber. A proximidade do presidente petista com o STF e o STJ alimenta essa percepção de que Lula sabia que o Banco Master estava ‘fazendo água’.
Nelto estradeiro
A maioria dos deputados federais e estaduais não tiraram férias. Quando muito, “passaram um fim de semana com a família”. Esse é o caso do deputado federal José Nelto (UB), que só se consegue falar com ele por telefone ou em encontros nas cidades goianas. “Durmo pouco e a maioria das vezes dentro do carro, em trânsito de uma cidade a outra”, disse. José Nelto tem um estilo peculiar: a maioria de suas emendas parlamentares são para a saúde, educação e construção de pontes. “Sempre digo aos prefeitos que me procuram: é melhor uma emenda para a saúde e a construção de uma ponte que para asfalto. A saúde, a ponte e a educação são mais importantes para os municípios”, garante.
Toffoli não sai – Se depender do ministro Dias Toffoli (STF), ele não vai deixar a relatoria do caso Banco Master. “Apanho o que tiver de apanhar [e vou] conduzir o caso regularmente, com tranquilidade”, de acordo com o UOL. Enquanto isso, na ‘Sala da Justiça’, silêncio corporativista.