Wilder terá como desafio ampliar seus votos além do bolsonarismo
Repete uma tendência no PL em formar chapa puro-sangue, com o Novo na garupa, dependente do bolsonarismo para sobreviver
A convenção estadual do PL oficializa, nesta segunda-feira (3), os candidatos a deputado estadual, federal e ao Senado do partido, mas principalmente confirma o senador Wilder Morais (PL) candidato a governmador de Goiás, com Ana Paula Rezende (PL) na vice. Repete uma tendência no PL em formar chapa puro-sangue, com o Novo na garupa, dependente do bolsonarismo para sobreviver. Nessa composição, fica evidente a estratégia de Wilder em somar os 18% do eleitorado bolsonarista que existe no Estado, segundo a Quaest, ao capital próprio construído no mandato de senador, perto de 10%, o que lhe garantiria uma vaga no segundo turno.
Até aqui, porém, as pesquisas não confirmam esse feito, já que, em boa parte delas, Wilder aparece na terceira posição, bem atrás de Marconi Perillo (PSDB) e Daniel Vilela (MDB). No QG bolsonarista, no entanto, ninguém se abala. Para eles, o problema seria de desconhecimento, o que, até certo ponto, é confirmado por pesquisa divulgada na quinta-feira (30/7), na qual 62% dos entrevistados afirmaram não saber quem é o senador. O que será facilmente revertido com a propaganda de TV e rádio. Outro ponto positivo serão as visitas de Flávio Bolsonaro (PL) a Goiás na campanha, segundo esses mesmos aliados.
Só que, superada essa etapa, o desafio é outro. E maior. Caso chegue ao segundo turno contra Daniel Vilela, terá que atrair o eleitorado de direita não bolsonarista e antipetista, que soma 26% do eleitorado goiano, também segundo a Quaest. Aí complica, pois Daniel Vilela e Marconi Perillo vendem o mesmo produto a esse eleitorado. Só muda a etiqueta. No caso de Daniel, é preto e amarelo. No caso de Marconi, é azul com tucano estampado. No entanto, a diferença de Wilder para os concorrentes é o bolsonarismo raiz, que é um trunfo no primeiro turno, mas insuficiente no segundo, quando o eleitorado de direita pode se dissipar entre o adversário, o branco, o nulo e a abstenção, nenhuma delas com “PL” na etiqueta.
Mendanha caminha para ser o 2º voto
Os cronistas esportivos no passado tinham um jargão que pode ser aplicado na política. Quando um time favortito perdia uma partida relativamente fácil, a frase “futebol é uma caixa de surpresas”sintetizava que o favorito desdenhou o adversário. O ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (PRD), foi ignorado pela base caiadista ao reivindicar a segunda vaga para o Senado. Bateram a porta na cara dele, mas Mendanha foi à luta como candidato avulso e pode derrotar Vanderlan Cardoso (PSD) e Zacharias Calil (MDB). Além disso, pode ameaçar o favoritismo da ex-primeira-dama Gracinha Caiado (União) ao ajudar, indiretamente, Gustavo Gayer (PL).
Pêndulo Zé Mário
Se Adriano da Rocha Lima (PSD) for confirmado como vice de Daniel Vilela (MDB), Wilder Morais (PL) pode receber o apoio da direita não bolsonarista já no primeiro turno, pois Adriano não carrega o mesmo lastro eleitoral de José Mário Schreiner (PSD), forte no agro, nem de Luiz do Carmo (PSD), influente entre os evangélicos, se ambos forem deixados de fora da chapa governista. Sem eles, Daniel Viela perde conexão com a direita não bolsonarista, justamente a fatia que Wilder mais precisa para não depender só do “Bolsonaro”.
Celina tem a força…
… de 12 partidos, mas cinco serão seu esteio de sustentação eleitoral: MDB, Republicanos, Podemos, União Brasil e, claro, o PP. Essa engenharia política foi costurada com habilidade e mostra que a governadora do Distrito Federal conquistou a confiança dos principais lideres partidários. Esse feito pode ser aferido durante a convenção do PP neste domingo (2) com as presenças da maioria de sua base de sustentação.
Ressentimento à vista
Mesmo que o ex-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner (PSD), e Luiz do Carmo (PSD) sigam ao lado de Daniel Vilela (MDB) por respeito a Ronaldo Caiado (PSD), o ressentimento não desaparecerá. Pessoas próximas a Zé Mário e do Carmo ouvidas pela coluna admitem a mágoa pela vaga perdida para Rocha Lima (PSD). E o ressentimento, na política, costuma render voto de protesto.
Olho nos descontentes – Se confirmar mesmo o nome de Adriano Rocha Lima (PSD) para a vice de Daniel Vilela (MDB), após a convenção nesta quarta-feira (4), virão à tona as manifestações dos descontes. Algumas dessas lideranças podem se dissipar em direção à oposição.
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