Zeus Gilmar e aliados manobram para colocar o STF acima da Constituição
No panteão do Supremo Tribunal Federal (STF), há um Zeus. Não é o presidente Edson Fachin, não é o relator de nenhum grande processo. Ele é o decano Gilmar Mendes, que movimenta as peças como nenhum outro. Retira julgamentos da pauta, manda recados pela imprensa, ignora solenemente a Lei Orgânica da Magistratura, como quem está acima das regras dos mortais. E, de fato, na prática, está.
O problema é que Gilmar não está sozinho. Ao seu lado existe um grupo formado por Flávio Dino, o mais político de todos, braço ideológico da esquerda na Corte; Cristiano Zanin, o advogado indicado por seu próprio cliente, o Lula (PT), para ministro, em uma inversão de papéis impensável em qualquer democracia séria; e Alexandre de Moraes, que, embora não seja aliado do petismo, joga neste time por terem um inimigo em comum: o bolsonarismo. E como o próprio Gilmar adiantou em entrevistas recentes, para quem sabe ler as entrelinhas, este grupo tem dois objetivos em 2026. O primeiro é fazer com o Caso Master o que foi feito com a Lava Jato: anular os processos e garantir que tudo termine em pizza. O segundo é tirar os poderes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições.
Como o TSE estará sob responsabilidade de indicados por Jair Bolsonaro (PL) durante a campanha, Nunes Marques e André Mendonça, respectivamente, a ideia é transformar o Tribunal numa espécie de Rainha da Inglaterra. Algo que, diga-se, foi feito com o presidente do STF, Edson Fachin, que só é visto como presidente em festividades e palestras. Gilmar disse em entrevista e para o presidente Lula que o STF está acima do TSE, portanto, o que eles decidirem não tem a quem recorrer, ou seja, estão acima da Constituição. Essa manobra coloca em alerta o campo ideológico mais à direita, do antipetismo ao bolsonarismo. Observam esse movimento com apreensão, pois o xeque-mate está montado antes mesmo de o primeiro voto ser depositado na urna.
Intocáveis privilegiados
Os ministros do STF, Gilmar Mendes, Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin também encontraram espaço na agenda para cuidar do próprio bolso. A “flexibilização” dos penduricalhos do Judiciário, aprovada com os votos dos quatro, revela que, além de serem intocáveis, o grupo não abre mão dos próprios privilégios.
Márcio corta gastos
Após herdar de Roberto Naves (Republicanos) um cenário de terra arrasada, com R$ 800 milhões em dívidas, o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), cancelou shows e festas para o aniversário da cidade, que completará 119 anos no próximo dia 31 de julho.
Gestão austera
O ajuste fiscal promovido até aqui por Corrêa devolveu a Anápolis a nota Capag B da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), perdida em 2025 numa saia-justa que custou caro à imagem do município junto ao governo federal. Com a nota recuperada, o prefeito consegue renegociar as condições dos financiamentos herdados da gestão anterior.
Kassab vice
A escolha de Gilberto Kassab (PSD) como vice na chapa de Ronaldo Caiado (PSD) caiu como um balde de água fria entre os aliados do ex-governador. Boa parte da base caiadista ainda alimentava a esperança de ver Michelle Bolsonaro (PL) na vaga ou ao menos um nome de outro partido do Centrão que pudesse agregar tempo de TV e recursos para a campanha.
Evandro distrital
“Hoje (ontem) é um dia muito importante na minha caminhada política ao longos de dez anos dedicados a servir o Distrito Federal como assessor da deputada federal Bia Kicis (PL).” Essa foi a frase dita por Evandro Araújo à coluna nesta terça-feira (30/6), em Brasília, no lançamento de sua pré-candidatura a deputado distrital. Evando lembrou que são anos dedicados aos trabalhos legislativos ao lado de Bia Kicis, “nossa futura senadora pelo DF”.
Perdeu a vez – No Distrito Federal, não há mais espaço para uma frente de esquerda. O PT decidiu manter a pré-candidatura de Leandro Grass, enquanto o PSB seguirá com Ricardo Cappelli na disputa pelo Palácio do Buriti.