Dar voz às mulheres que precisam é um ato revolucionário contra a invisibilidade

Postado em: 18-10-2021 às 09h56
Por: Redação
Confira o artigo, desta segunda-feira (18/10), por Thelma Miguel | Foto: Redação

Você já se sentiu invisível? A maioria das pessoas vai responder que sim, porém a invisibilidade, especificamente a feminina, é milenar. Atinge o mundo inteiro e, ainda hoje, mulheres são tratadas de forma diferenciada em quase todos os setores da sociedade. Em pleno 2021, no mercado de trabalho, nos meios científicos, na rua e muitas das vezes no próprio lar, os direitos das mulheres não são respeitados, deixando-as num lugar de vulnerabilidade, silêncio e invisibilidade. 

A criação da mulher é baseada num machismo estrutural, sendo sutilmente conduzida a um comportamento estereotipado desde a mais tenra infância. É colocado no seu subconsciente a responsabilidade de cuidar do lar, dos filhos, do companheiro, do trabalho, do mundo como um todo. A criação do menino é muito diferente e ele não é, na maior parte das vezes, educado para assumir os cuidados de si próprio, dos filhos, da alimentação, da casa, etc. Sua prioridade é prover e não enxerga que tem o dever e o direto de cuidar de sua família da mesma forma que a mulher. Até nas prateleiras das lojas, vemos que os brinquedos são um reforço para que esta situação se perpetue. Mesmo mulheres, que são educadas de forma a não aceitar passivamente estas disparidades, sofrem as consequências de uma sociedade patriarcal que exige da mulher um trabalho cumulativo, raramente dividido de forma igualitária com o restante da família, gerando uma sobrecarga física e emocional. 

O mercado de trabalho é cruel, apesar das leis existentes. A agência de empregos Catho constatou, em fevereiro de 2021, que mulheres ocupando os mesmos cargos e realizando tarefas iguais às dos homens chegam a ganhar até 34% menos do que eles.  Ou seja, ter um currículo mais qualificado não resolve. O fato é que elas têm maior dificuldade de inserção no mercado de trabalho. Os prêmios Nobel também são reflexos deste cenário. Desde a sua criação, em 1901 até 2021, a premiação foi concedida a 886 homens, 57 mulheres e 25 organizações. Este ano, todos os agraciados são homens. 

Ainda, durante a pandemia a segurança da mulher foi afetada e os casos de violência doméstica e feminicídio aumentaram. Segundo pesquisa do Datafolha, 24,4% das mulheres acima de 16 anos afirmam ter sofrido algum tipo de violência ou agressão (Fonte: Agência Câmara de Notícias). Foram registrados 1.350 feminicídios só em 2020.  A maioria das vítimas são mulheres negras que, paradoxalmente, quase nunca são vistas nas manchetes de jornal. O racismo estrutural se soma ao machismo, deixando-as mais vulneráveis e invisíveis. 

Esta invisibilidade e a falta de respeito com os direitos das mulheres não podem mais ser ignorados. Cabe a cada um de nós lutar para que leis sejam cumpridas, a violência contra a mulher seja extinta, com o respaldo da justiça, visando sempre a segurança das possíveis vítimas. Que consigamos realizar campanhas educativas sérias, aplicadas em escolas, levar informação através dos livros e mesmo no aconselhamento individual realizados em conversas familiares, educando, assim, as próximas gerações para que este pensamento estrutural exclusivo seja uma história do passado. 

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