Monetização de dados

Postado em: 27-12-2021 às 10h59
Por: Redação
Confira o artigo de opinião, desta segunda-feira (27/12), por Fernando Teles | Foto: Redação

Em tempos recentes, independente de sua área de atuação, você deve ter ouvido falar sobre monetização de dados com uma alta frequência. De acordo com o IDC, o mercado de “big data & analytics” movimenta 208 bilhões de dólares por ano, com um crescimento anual estimado na faixa dos 13%. O Grand View Research projeta o mercado de “data as a service” em 15 bilhões de dólares anuais com taxa de crescimento em torno de 25%. Estamos, então, falando de um mercado que movimentará mais de um trilhão de dólares em menos de 5 anos.

Mas, o que seria e como a monetização de dados vai impactar você, seu negócio e sua vida cotidiana? Podemos simplificar e dizer que é a oportunidade de extrairmos algum valor dos “nossos” dados; sejamos “nós” indivíduos, empresas, associações, governos ou mesmo grupos de afinidade.

Provavelmente, neste momento surgirá a pergunta: então “meus” dados valem dinheiro? Este é um bom ponto de reflexão, pois, na nossa concepção como indivíduos pode soar estranho que a nossa idade, número de identificação, endereço ou altura possuam algum valor. Aqui já nos deparamos com o primeiro desafio: o dado bruto ou mesmo de domínio público passa a ter valor quando se associa a ele alguma relação. A identificação e análise desta relação é o que vai permitir uma interpretação das possibilidades de uso e, consequentemente, a definição de um potencial valor a ser gerado. Tudo isto pode parecer bastante complexo, e é. Mas não é complicado, só complexo.

Antes de pensarmos na monetização dos dados efetivamente, é importante levarmos em consideração que será necessário realizar algumas etapas prévias, pois, como observamos no começo deste artigo, o conceito de monetização, mesmo sendo bastante falado atualmente, ainda é um conceito novo que precisa ser estudado e trabalhado. Em diferentes indústrias, já observa-se várias empresas interessadas e com alguma incursão neste terreno, ainda pouco aproveitado. Este processo, ainda incipiente em vários setores, pode ser caracterizado através das etapas que conduzem à monetização, como a jornada de valor do dado ou em inglês “the data value Journey”. Vamos explorar um pouco o que seria esta jornada. Além das já tradicionais e conhecidas etapas de organização, transformação e extração – que em sua maioria só agregam custo e que são amplamente dominadas em maior ou menor grau pelos atores do ecossistema – duas outras etapas chamam a atenção e demandam conhecimento e esforços dedicados: definir o valor e certificar a autenticidade dos dados/relações.

Para estabelecermos o valor do dado, é aplicado um score que considera três dimensões dos dados: a estrutural, a estatística e a contextual. Cada uma das dimensões avalia e mensura o potencial de geração de valor do dado considerando nesta análise fatores como, a frequência do dado, sua recorrência e redundância, a entropia da informação contida, a origem, o propósito e sua correlação. Depois desta escoragem, seremos capazes de atribuir não apenas o valor dos dados, mas também o custo de aquisição para chegarmos a um potencial de monetização.

Em seguida, a certificação ocorre como uma das etapas da jornada de valor dos dados e é extremamente importante no processo de atribuição de valor. O valor atribuído aos dados também é dependente da acuracidade e autenticidade deles, assim, a certificação dos dados é a etapa fundamental para que possamos associar ao dado a respectiva credibilidade e, mais do que isso, permitir a identificação de sua origem, natureza e propósito de forma transparente. Assim, conseguiremos endereçar as reais e valiosas oportunidades de monetização.

A sequência da jornada de valor do dado passará pela criação dos mecanismos de monetização, que podem se apresentar de diversas formas: nas relações entre os participantes do ecossistema, entre empresas parceiras, entre empresas e seus consumidores, entre grupos de consumidores e indústria e, claro, entre entidades do setor público. A criação de mecanismos de monetização é um processo contínuo, que vai se desenvolver de forma exponencial em função da qualidade e intensidade de descobertas de oportunidades de geração de valor.

A etapa que completa o ciclo é a de comercialização dos dados. Esta ocorre através dos mecanismos de monetização e, assim como cada um dos pontos anteriores, merece um detalhamento mais profundo.

Antes de concluir gostaria de deixar um ponto de provocação para reflexão. Neste mundo que se avizinha de open banking, open finance, open data; como se dará o controle destes dados e sua monetização, onde estará armazenado este valor? Aqui vamos nos deparar com uma questão mais profunda e uma quebra de paradigma no entendimento da propriedade do dado e a mudança social que vai acompanhar.

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