Atravessar o imprevisível com tranquilidade é possível

Postado em: 06-01-2022 às 10h56
Por: Redação
Confira o artigo de opinião de Sigrid Guimarães | Foto: Redação

Certamente você já fez um balanço do ano que terminou. É fato que sobrevivemos a 2020 transferindo nossas esperanças para 2021, que seria o ano da alegria, do retorno ao convívio, mas não foi bem assim. O País vem ensaiando a volta ao que reconhecemos como normal, mas não, ainda, uma volta por cima.

Acompanhamos ao longo dos últimos meses o noticiário econômico informando que a redução dos juros foi demasiada, e estamos pagando pelo exagero, com inflação – o pior dos impostos para os mais pobres. Para nublar a esperança de que essa seja uma condição passageira, nosso frágil equilíbrio fiscal é ameaçado pelo prenúncio de eleições (novamente) radicalizadas em 2022.

Com os dados disponíveis sobre algumas — apenas algumas — variáveis, o mercado, como sempre, antecipou resultados e, desta vez, precificou os ativos considerando o pior cenário para o Brasil. Assim, enquanto no exterior eles apresentaram valorização incomum, por aqui perderam valor real de tal forma que nem muitos dos mais brilhantes gestores foram capazes de obter resultados que garantam o poder de compra do dinheiro.

Ocorre que o mercado projeta, precifica e oscila segundo a meia dúzia de variáveis que podem ser observadas a curta distância, enquanto a vida e a economia reais vão acontecendo a cada momento, segundo variáveis incontáveis e insondáveis, que, no entanto, no longo prazo, submetem-se a leis gerais. Assim como os meteorologistas precisam refazer suas previsões quando identificam um fenômeno que não havia entrado nas contas, o mercado muda de ideia quando novos dados ou mesmo novas variáveis se impõem. Quem saiu sem guarda-chuva ou se desfez de ativos a preços irreais, por falta de caixa para pagar as contas ou por falta de confiança no valor real dos seus investimentos, que lide com isso.

A verdade é que sempre nos movemos dentro de um nevoeiro, e, quanto mais espessas são as cerrações, maior é o valor do tempo. Nas finanças também é assim. E é por isso que, dia após dia, ressalto a importância das famílias terem um bom colchão de liquidez (ou reserva de emergência, como é mais comum ser chamado) de no mínimo três anos de seus gastos, de maneira a não precisarem aceitar preços rebaixados.

Daí, também, a importância de ter uma carteira de investimentos de longo prazo que siga critérios da economia real, investindo nas empresas mais sólidas e com maiores perspectivas de resultados. Nós não sabemos quando vai chover, mas sabemos que vai chover e que, quando chover, o vendedor de guarda-chuvas vai ganhar dinheiro.

Diante de um planejamento financeiro bem feito e com uma melhor proteção ao seu patrimônio, é possível dormir tranquilo, mas sem deixar de dar atenção a alterações estruturais.

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