A vida para além da epilepsia

Postado em: 22-04-2022 às 09h34
Por: Redação

Por Bruna Cabral

A epilepsia ainda é cercada de desinformação e preconceito. De acordo com a ASPE Brasil, 80% dos casos não estão sendo tratados adequadamente. Para ajudar a mudar esse cenário, março foi instituído como o Mês de Conscientização sobre a Epilepsia, o “Mês Roxo”. O desconhecimento não leva apenas ao medo de passar por uma situação de convulsão, mas à sensação de ter a vida inviabilizada.

A caminhada para quem convive com a doença é de informação, autoconhecimento e cuidado. Foi com 19 anos que tive minha primeira convulsão. Meu corpo começou a tremer e meu pé batia no chão fazendo barulho. Parecia sufocar. Não lembro do fato, mas acordei com meu irmão repousando o dedo no gelo, para amenizar a mordida que recebeu quando tentava me ajudar. Por anos, guardei o caso em segredo, me sentindo insegura. Tinha vergonha até mesmo de tomar a medicação. Decidi rejeitar a doença e ignorá-la. Foi aí que tive uma convulsão mais grave, por pura irresponsabilidade. Percebi que a gravidade não estava nas consequências em si, mas na falta de preparo que temos, por causa do medo e do preconceito.

Fiz faculdade de Direito e carreira na área, mas encontrei no cinema o caminho para dar voz a tais assuntos de forma positiva e com esperança. Com o propósito de um mundo mais inclusivo pela arte, construí uma trajetória como produtora em Hollywood com 21 prêmios pelo mundo e sou conhecida pela minha paixão por criar histórias emocionais e marcantes.

A vida não é fácil, mas a epilepsia não impede ninguém de desfrutá-la, apenas requer um cuidado a mais. É importante aceitar as diferenças e se adaptar para superar os desafios. Assim, você também vai ter a oportunidade de deixar a sua marca no mundo.

Bruna Cabral é advogada, produtora, cineasta pela Universidade da Califórnia e portadora de epilepsia.

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