Solução para enchentes é a retirada de moradores

Prefeito Paulo Garcia esteve na Vila São Paulo, para conversar com os moradores atingidos pelas últimas inundações

Postado em: 11-02-2016 às 00h00
Por: Redação
Prefeito Paulo Garcia esteve na Vila São Paulo, para conversar com os moradores atingidos pelas últimas inundações

Karla Araujo

Para garantir a segurança das pessoas que vivem na área de risco de alagamento da Vila São Paulo, a única solução é retirar as famílias do local. A constatação é do prefeito Paulo Garcia, que esteve na região na tarde de ontem (10), para conversar com a população que sofreu mais uma vez com a inundação. A chuva que caiu na capital na terça-feira (9) trouxe mais preocupações aos moradores, principalmente em relação ao rompimento do dique que protege as casas caso ocorra cheia do Córrego Cascavel.

Paulo Garcia afirmou que reconhece o sofrimento das pessoas que moram no local e disse que a prefeitura está fazendo o que é possível para amenizar o problema, que não tem solução imediata. “Essas famílias precisam ser retiradas desse local, há declínio do bairro em relação ao córrego. É uma Área de Proteção Permanente (APP), é claro que haverá alagamento em caso de cheia. É um problema de 40 anos que não será solucionado de um dia para o outro. Chegamos ne sse ponto porque não havia preocupação em relação a isso nas décadas passadas”, disse o prefeito.

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Para amenizar a situação, servidores da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Seinfra) estiveram no local ontem e repararam parte do dique que rompeu durante a chuva do dia 19 de janeiro. Segundo o diretor de operações da pasta, Gleison Souza, além do reparo, a Seinfra tirou sedimentos do fundo do córrego e reforçou a parede do dique com pedras. 

Mas, segundo Souza, não foi a água do Córrego Cascavel que rompeu a barragem. “Foi o Córrego Anicuns que transbordou. A água desceu com força pelas ruas e rompeu o dique de fora para dentro. Ainda bem que isso aconteceu, pois a água tinha lugar para sair. Se não tivesse, o nível da água teria subido mais rápido nas casas”, disse Souza. 

De acordo com Paulo Garcia, a obra do Programa Urbano Ambiental Macambira Anicuns (Puama) passará pela região e, com isso, algumas famílias devem ser retiradas do local. “O processo é lento e deve ser feito com muita responsabilidade. Não há previsão para começar a retirá-las e não podemos garantir que o dique impedirá novas inundações. Nenhum município brasileiro tem dinheiro o suficiente para solucionar todas as demandas. É o caso de Goiânia”, afirmou o prefeito. 

Vítimas

A situação preocupa a costureira Junia Lima, 54, que teve a casa inundada pela segunda vez. “A água chegou ao joelho. Na enchente do dia 19 de janeiro, tinha água até perto de teto. Dessa vez não perdi nenhum móvel, porque não tenho mais nada. Tudo foi destruído”, afirma Junia. Ela conversou com Paulo Garcia e ofereceu sua casa à Prefeitura de Goiânia, mas ele disse que o processo é moroso. 

A servidora pública Idália Maria da Silva, 56, contraiu dívida de mil reais para comprar material de construção para reformar cômodos da casa. Ela recebe um salário mínimo por mês. “Se a prefeitura comprar minha casa, saio hoje. Dessa vez a água chegou ao joelho, mas em janeiro o nível chegou ao teto. Passamos o feriado todo com medo. Moro com meu irmão idoso e ainda tenho que comprar remédios por causa da água contaminada”, afirma Idália.

 

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