A Campanha chama a atenção sobre o atual modelo que ameaça a vida dos mais pobres no País

Postado em: 11-02-2016 às 00h00
Por: Redação
Campanha da Fraternidade discute saneamento básico

Thiago Burigato 

A divulgação do tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016, realizada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), traz à tona a importância do saneamento básico. Com o lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”, o projeto visa a prezar pelo desenvolvimento, saúde integral e qualidade de vida aos cidadãos.

“A Campanha da Fraternidade chama a atenção sobre o atual modelo de desenvolvimento que está ameaçando a vida e o sustento de muitas pessoas, sobretudo dos mais pobres”, explicou o bispo de Barra do Piraí-Volta Redonda (RJ) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-Religioso da CNBB, dom Francisco Biasin.

Segundo dados do Conic, mesmo entre as maiores economias do mundo, a população brasileira sofre com problemas de abastecimento de água: mais de 100 milhões de pessoas no País ainda não contam com serviço de esgoto ou água encanada. “O objetivo, portanto, da Campanha da Fraternidade Ecumênica é assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas, sobretudo os últimos e os pequenos”, acrescenta dom Biasin.

Ausência

Em Goiás, Aparecida de Goiânia é uma das cidades que mais sofre com a falta de sanemaento Com mais de 400 mil habitantes, apenas cerca de 18% dos domicílios contam com tratamento de esgoto.

O lado Leste da cidade é um dos mais afetados. Morador do Retiro do Bosque, Carlos Henrique Teixeira de Moura nunca teve água encanada em casa. “Aqui a gente precisa usar cisternas”, diz.

Segundo ele, a cada período de estiagem é preciso afundar mais a cisterna. Ainda assim, problemas de falta de água são corriqueiros. 

A vendedora Rosângela Correia da Silva, residente do Buriti Sereno, também sofre do mesmo problema. “Só tem promessas, mas água encanada não tem”, declara.

De acordo com Rosângela, nos casos recorrentes de falta de água, os moradores se veem obrigados a recorrer a vizinhos que passam por problemas semelhantes. “Tem que recorrer aos vizinhos, caçar de balde alguém que tenha”, reclama.

Para minimizar problemas como esses, a Saneago promete reforçar os investimentos. “Nos últimos cinco anos, foram investidos cerca de R$ 2 bilhões em obras de saneamento básico em Goiás. Novas unidades de tratamento de água e esgoto estão sendo implantadas, assim como ampliadas as redes de distribuição de água e coleta de esgoto, adutoras, elevatórias, interceptores, ramais e ligações”, explica o superintendente de Comunicação da Saneago, Luiz Novo. “São 139 obras contratadas e um valor previsto de R$ 2,2 bilhões em investimentos para os próximos anos, além de mais R$ 208 milhões em debêntures para investir em obras na capital.”

Novo explica que a meta da Saneago é a universalização dos serviços de abastecimento com água tratada e esgotamento sanitário no Estado. “Em prol deste objetivo, o governador Marconi Perillo assinou, em dezembro de 2015, Ordens de Serviço para autorizar a execução de várias novas obras de saneamento básico em Goiás”, diz. 

Segundo ele, as obras estão orçadas em mais de R$ 550 milhões e vão ampliar os sistemas de abastecimento de água e coleta e tratamento de esgoto em dez municípios goianos, a exemplo de Rio Verde, Pires do Rio, Anápolis, Nerópolis, Aparecida de Goiânia e cidades do Entorno. 

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