Goianienses não se interessam por política e não confiam em partidos, aponta pesquisa

Postado em: 22-02-2016 às 17h28
Por: Redação
Levantamento feito com 1,2 mil eleitores também traz dados sobre preferência partidária e avaliação de lideranças políticas

A maioria dos eleitores de Goiânia tem pouco ou nenhum
interesse por política, tema pelo qual nutrem sentimentos negativos, como
decepção, desconfiança e aborrecimento. Estas são algumas conclusões da
pesquisa “O comportamento político do eleitor goianiense”, coordenada pelo
professor Pedro Santos Mundim, da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade
Federal de Goiás (UFG).

A pesquisa, realizada entre os dias 14 de novembro de 2015 e
17 de janeiro de 2016, foi feita com 1,2 mil eleitores com mais de 18 anos. A
margem de erro é de mais ou menos 2,9%, com nível de confiança de 95%. Segundo
o coordenador da pesquisa, trata-se de um dos mais completos levantamentos
feitos no Estado sobre o perfil político do eleitor, com informações detalhadas
sobre suas opiniões, comportamento e valores.

Na pesquisa, o baixo interesse por política é admitido por
81% dos entrevistados. O pessimismo também está relacionado aos políticos e aos
partidos, pelos quais os eleitores compartilham opiniões como “são todos
iguais” e “a maioria não se interessa pela opinião das pessoas”. A pesquisa
também mostra pouca confiança nas instituições públicas – 66% afirmam nunca
confiar em partidos políticos.

O índice de desconfiança também é alto em relação ao
Congresso Nacional, à Assembleia Legislativa de Goiás e à Câmara de Vereadores
de Goiânia. A instituição mais confiável, segundo 42% dos entrevistados, é a
Igreja Católica.

Democracia

Apesar de a democracia ser o regime de governo preferido dos
eleitores que participaram do levantamento, 89% dizem estar insatisfeitos ou
muito insatisfeitos e 74% consideram que a democracia no Brasil tem grandes e
graves problemas. “Uma das hipóteses para essa insatisfação é a situação
econômica e política do país, que leva o eleitor a acreditar que são problemas
relacionados ao regime político”, ressalta Pedro. 

A indignação, entretanto, não é proporcional à participação
política do goianiense. Grande parte – 65% – já participou de um comício, mas
poucos se mostram dispostos a fazer parte de atos como parar o trânsito ou
ocupar prédios e escolas, ou ainda escrever sobre questões políticas em um blog
ou rede social.

Para o coordenador da pesquisa, a participação passiva do
goianiense pode estar ligada à avaliação política negativa. “O retorno que o
cidadão têm dos políticos não é suficiente para incentivá-los a participar”.

Partidos e lideranças

Os eleitores entrevistados também atribuíram notas de 0 a 10
a lideranças políticas previamente selecionadas. Entre os mais bem pontuados
estão o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama (média de 6,34), o
ex-prefeito Iris Rezende (5,33) e o senador Aécio Neves (4,83). Na lista ainda
estão Ronaldo Caiado (4,75), Marconi Perillo (4,28), Lúcia Vânia (3,96), Lula
(3,11), Paulo Garcia (2,70), Nicolás Maduro (2,68) e Dilma Rousseff (2,17).

Em relação aos partidos políticos, os eleitores apontaram
quais são os seus preferidos de uma lista com os mais representativos na atualidade.
A maioria (59%) afirma não ter nenhuma preferência. Na sequência aparecem PMDB
(14%), PSDB (12%) e PT (6%).

Já a maior rejeição
ficou com o PT (50%), seguido pelo PSDB (9%) e pelo PMDB (5%). Quanto ao
posicionamento ideológico, a pesquisa revela que o eleitor de Goiânia está mais
ao centro (41%), ao contrário do perfil brasileiro, mais de centro-direita (a
comparação foi feita com dados nacionais do Datafolha). 

Redes sociais

A pesquisa também mostra que as redes sociais foram o espaço
de discussão e compartilhamento de notícias nas eleições de 2014. 23% dos
eleitores usaram o WhatsApp para discutir sobre o processo eleitoral, mesmo
percentual dos que usaram o Facebook para compartilhar notícias sobre o pleito.

O levantamento também traz informações sobre os espaços
sociais mais usados para se conversar sobre política e sobre os hábitos de
consumo de notícias em jornais, revistas e na internet. (Ascom UFG) 

Foto: reprodução

Compartilhe: