Microcefalia: protocolo de Pernambuco será usado no mundo, diz diretora da OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estuda usar em outros países os protocolos implantados em Pernambuco sobre formas de cuidar de bebês com microcefalia

Postado em: 24-02-2016 às 14h29
Por: Redação
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estuda usar em outros países os protocolos implantados em Pernambuco sobre formas de cuidar de bebês com microcefalia

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estuda usar em outros
países os protocolos implantados em Pernambuco sobre formas de cuidar de bebês
nascidos com malformações neurológicas. “Nós vamos disseminar esse trabalho
para que todo o mundo possa se beneficiar do excelente trabalho vindo deste
país”. O anúncio é da diretora-geral da OMS, Margareth Chan, que esteve no
Recife nesta manhã em visita ao Instituto de Medicina Integral Professor
Fernando Figueira (Imip).

O Imip é uma das primeiras instituições de saúde de
Pernambuco a atender crianças com microcefalia e se tornou referência no
estado. Durante a visita, a diretora conversou com pesquisadores e médicos
pernambucanos e assistiu a uma apresentação técnica do instituto de medicina,
das secretarias de Saúde Estadual e Municipal sobre as ações de combate aoAedes
aegypti e o acompanhamento das pessoas afetadas pelo vírus Zika e demais
doenças transmitidas pelo mosquito.

A diretora lembrou que a Polinésia Francesa passou por um
surto semelhante em 2013 e 2014, mas que o território não identificou a relação
entre o Zika e os problemas neurológicos, como a microcefalia. De acordo com
ela, devido à descoberta brasileira a Polinésia Francesa “olhou para trás” e
percebeu o mesmo padrão, tornando a relação entre zika e microcefalia mais
evidente.

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Ela também parabenizou o Brasil pelo bom trabalho e afirmou
que o país não está sozinho. O mundo, segundo a diretora da OMS, vai ajudar o
país a encontrar meios para combater o Aedes aegypti e o vírus Zika.
“A essa altura, o controle do mosquito por vários métodos é a primeira linha de
defesa. Infelizmente não temos vacina, um diagnóstico confiável e poucos meios
de combater o problema.”

Vestida com uma camisa da campanha Zika Zero, do governo
federal, ela também chamou o mosquito de complicado e persistente, já que o Aedes
aegypti sempre encontra meios de se adaptar e sobreviver aos métodos de
combate empregados por vários países, com casos de dengue e chikungunya.

Ministro da Saúde

O ministro da Saúde, Marcelo Castro, também esteve no
Recife. Ele pediu unidade nacional e falou que a presença dos representantes
internacionais em Pernambuco é simbólica, pois é o estado com mais notificações
de microcefalia no Brasil. Atualmente são 1.601 suspeitas registradas. Desse
total, 209 casos foram confirmados como microcefalia e 204 foram descartados.

Segundo ele, 113 países convivem com o Aedes aegypti e
a dengue, e que se fosse fácil acabar com o mosquito outras nações já teriam
conseguido. “É uma tarefa difícil, mas não impossível. Podemos dizer isso com
segurança, porque temos dezenas de municípios que resolveram controlar o
mosquito e conseguiram. Se um consegue, dez podem conseguir, e milhares podem
conseguir.”

De Pernambuco, a diretora-geral da OMS seguiu para o Rio de
Janeiro onde, com o ministro da Saúde, visita a Fundação Oswaldo Cruz
(Fiocruz), do governo federal, onde pesquisadores estão desenvolvendo uma
vacina contra o vírus Zika. (Agência Brasil) 

Foto: reprodução 

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