Mais da metade dos alunos do 9º ano já ingeriu álcool

Escolas públicas e privadas trabalham com palestras e rodas de conversa para conscientizar os alunos sobre as consequências do uso de álcool na adolescência

Postado em: 12-09-2016 às 06h00
Por: Renato
Escolas públicas e privadas trabalham com palestras e rodas de conversa para conscientizar os alunos sobre as consequências do uso de álcool na adolescência

Karla Araujo

Mais da metade (55,5%) dos alunos que cursavam o 9º em 2015 já ingeriu pelo menos uma dose de bebida alcoólica. O percentual é maior do que o registrado em 2012, quando 50,3% dos entrevistados responderam que haviam tido contato com a substância. O número faz parte da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2015 realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento aponta ainda que 23,8% – cerca de 600 mil adolescentes – tinham feito uso da substância nos últimos 30 dias antes da pesquisa.  
O superintendente de Inteligência Pedagógica da Secretaria de Estado de Educação, Cultura e Esporte (Seduce), Marcelo Jerônimo, avalia o número como preocupante, pois a vulnerabilidade dos alunos ao uso de drogas e álcool está diretamente ligada à permanência deles nas escolas. “Os adolescentes são bombardeados por propagandas e programas que reforçam a ideia de que o consumo de drogas lícitas é algo bom. É preciso criar na escola um ambiente para discussão destes assuntos”, explica o superintendente. Jerônimo afirma que a Seduce começa neste mês um trabalho piloto que visa discutir questões da adolescência com alunos e familiares. Para isto, serão distribuídos 4.500 kits com informações sobre vida saudável e contra o uso de drogas lícitas e ilícitas.  
“Muitos jovens começam a ingerir bebida alcoólica por curiosidade, porque não conseguem se definir em um grupo e querem se diferenciar”, afirma Jerônimo. Ainda de acordo com o superintendente, o objetivo é que a aplicação do material ajude alunos e famílias a pensarem em uma vida mais saudável, ao trabalhar com as emoções e em projetos futuros. Além do piloto, Jerônimo afirma que a Seduce realiza outras discussões em parceria com a Polícia Militar, quando são realizadas oficinas e palestras de enfrentamento às drogas. 

Experiências 
Rokcxana Ribeiro de Faria é professora da Rede Estadual de Educação há 16 anos e diretora do Colégio Estadual I.E.C. Presidente Castelo Branco, localizado no setor Campinas, em Goiânia. Ela afirma que a ingestão de álcool por adolescentes é um assunto polêmico discutido com veemência na escola. “Desenvolvemos palestras que mostrem a eles as consequências que cada decisão pode trazer. Buscamos um vínculo de confiança para que os estudantes possam encontrar na escola um lugar para buscar ajuda, caso precisem”, conta a diretora. 
A professora e coordenadora da primeira fase do Ensino Fundamental do Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação (Cepae) da Universidade Federal de Goiás (UFG), Sirley Aparecida de Souza, afirma que o fato de drogas lícitas serem consumidas em muitos lares influencia adolescentes e tornam o acesso a estas substâncias mais fácil. “O comportamento muitas vezes deixa de ser corrigido e passa a ser naturalizado nas festas de família. Com isso, chega ao grupo social dos adolescentes”, explica a coordenadora. 
A maior parte (88,6%) dos estudantes que respondeu o questionário aplicado para a PeNSE 2015 tinha idade entre 13 e 15 anos, sendo que 51% tinham 14 anos. Os meninos representaram 48,7% (1,28 milhão) e as meninas, 51,3% (1,35 milhão) da amostra.  

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14,5% dos jovens foram agredidos por adultos da família 

Ainda de acordo com os dados divulgados no PeNSE 2015, 381,5 mil alunos do 9º ano afirmaram ter sofrido agressão física por parte de um adulto da família nos 30 dias que precederam a pesquisa. Os dados divulgados pelo IBGE apontam que as agressões eram mais frequentes entre as meninas (15,1%) e entre os estudantes de escolas públicas (14,8%). O maior percentual foi registrado em Pernambuco (18%).  
Em questionário aplicado sem entrevistador, 5,7% dos adolescentes responderam que já estiveram em brigas que envolveram armas de fogo. Situações em que armas brancas estavam envolvidas foram assinaladas por 9% dos alunos. Em todos os casos o número foi maior entre os meninos (8%) do que entre as meninas (3%). As brigas envolvendo armas de fogo foram relatadas por 6,1% dos alunos de escolas públicas e 3,4% dos estudantes de escolas privadas. 
Ao serem questionados sobre a insegurança no trajeto de casa para a escola e na escola, 14,8% dos estudantes do 9º ano (389,4 mil pessoas) responderam que já deixaram de ir à escola por, pelo menos, uma vez nos 30 dias anteriores à pesquisa por este motivo. Entre os alunos de escolas públicas, este percentual chegou a 15,8%, enquanto foi de 9% entre os que estudavam em instituições privadas.

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