Sinal vermelho anuncia o espetáculo!

Artistas de rua levam aos semáforos truques circenses, encaram o preconceito, causam sorrisos e garantem o sustento do dia a dia.

Postado em: 17-09-2016 às 06h00
Por: Sheyla Sousa
Artistas de rua levam aos semáforos truques circenses, encaram o preconceito, causam sorrisos e garantem o sustento do dia a dia.

Não é muito difícil encontrá-los por aí. Com caras pintadas e sorriso no rosto, artistas de rua fazem dos cruzamentos e semáforos de Goiânia o seu palco de apresentação. É um show muito rápido, cronometrado pelo sinal vermelho, o qual não tira o encanto e a habilidade dos malabaristas. Outros, menos caracterizados e com a seriedade que pede o número, também não deixam de encantar e amenizar a impaciência da espera de muitos motoristas.
Na Avenida Paranaíba, no Centro, Custelinha de Porco (com “u” mesmo) faz malabares em cima do seu monociclo. Fora do personagem, ele é conhecido como Mateus Aguiar, 31 anos, 15 deles dedicados à arte nas ruas. Natural de Goiânia, Mateus foi levado ao circo ainda criança pela avó, ao relembrar do episódio ele brinca: “falei pra ela que eu queria ser palhaço de circo. Se eu soubesse, rapaz, eu tinha estudado mais”. 
Brincadeiras à parte, Mateus leva muito a sério o seu trabalho. Ele é malabarista, equilibrista, brinca na perna de pau e é palhaço. Nas ruas, ele junta tudo isso e faz um número de arrancar, no mínimo, olhares bem curiosos. “Só de subir no monociclo, as pessoas já ficam encantadas”, diz. 
Mateus é formado em eletrotécnica, mas a sua vida é a arte. “É tudo pra mim. Ela é minha alegria, minha tristeza, minha paixão, meu sustento. É com ela que eu me expresso”. No momento, ele se dedica aos estudos dos malabares, o que exige muita matemática! “Não é nada acadêmico, mas é um pouco difícil entender a numerologia no malabarismo, tem toda uma matemática por trás”, afirma. 

 Peruano
Pela terceira vez e há um mês em Goiânia, Jorge Cocolizo escolheu a Rua 9, no Setor Oeste, para trabalhar na tarde de quinta-feira (15). Aos 26 anos de idade, ele faz malabarismos nas ruas há oito. O motivo incentivador do trabalho vem rápido no sotaque peruano: “eu não queria trabalhar para empresas, queria uma liberdade e eu amo fazer isso, amo fazer malabares. A arte é minha vida!”. 
Assim que o vermelho aponta no semáforo, Jorge corre para a faixa a fim de não perder um segundo sequer. As suas habilidades com o malabarismo foram aperfeiçoadas com algumas aulas de circo no Peru. No sinal, ele surpreende com o manuseio de três facões, os quais também são equilibrados. Além deles, Jorge também “brinca” com tochas e com o seu monociclo. 

Ilusionista
O estudante de Artes Visuais, Wallison Santos Diniz, 23, leva o malabarismo às ruas há quase três anos. Além de fazer truques com as bolas comuns, a sua preferência é o malabarismo de contato, feito com bolas transparentes de acrílico que, a partir de técnicas de manipulação, equilíbrio e ilusionismo, dão a impressão de flutuação pelos braços do malabarista. 

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Sustento
Assim como Jorge, muitos artistas tiram do trabalho nos semáforos o seu único sustento. É o que acontece também com Mateus. “Não vem totalmente das ruas, mas todo meu sustento vem da arte”, diz. Para Wallison, malabarismo nas ruas não é uma atividade fácil, demanda muito treino e é uma “rotina extremamente cansativa”. No entanto, segundo ele, quem faz todos os dias consegue o suficiente para viver. 

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