Projeto de Agência da ONU ajuda refugiados no trabalho

O projeto ajuda agricultores a encontrar terras e oferece ferramentas, sementes e orientações que permitem a produção para a subsistência e para venda em mercados

Postado em: 27-10-2016 às 08h00
Por: Renato
O projeto ajuda agricultores a encontrar terras e oferece ferramentas, sementes e orientações que permitem a produção para a subsistência e para venda em mercados

Em um campo verde repleto de hortaliças numa aldeia ao leste do Chade, Achta Abdallah Biney retira ervas daninhas da plantação e colhe os melhores nabos para vender no mercado no dia seguinte. Ela fugiu do Sudão e hoje integra um grupo de 500 pessoas – entre refugiados e moradores – que juntos cultivam um lote de terra.

Todos fazem parte de um projeto que promove a integração dos refugiados em comunidades anfitriãs e oferece às mulheres maior independência financeira. O programa Seeds for Solutions (Sementes para Soluções, tradução livre) foi desenvolvido pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) em parceria com a Federação Luterana Mundial (LWF). 

O projeto ajuda agricultores a encontrar terras e oferece ferramentas, sementes e orientações que permitem a produção para a subsistência e para venda em mercados. Biney, 37 anos, fugiu com os cinco filhos de sua aldeia na região ocidental de Darfur, no Sudão, para o vizinho Chade em 2003, no início dos combates no país. Viveu em um campo de refugiados perto de Goz Beida antes de integrar o projeto do ACNUR.

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Em companhia dos filhos e da mãe idosa, Biney mudou-se para a aldeia Koutoufou em 2011 com o objetivo de plantar, colher e sustentar a família. Ela recebeu um pedaço de terra em um campo de 25 hectares, além de ferramentas e sementes para que pudesse iniciar as atividades.

Hoje, ela está bem estabelecida como um dos 462 agricultores – sendo a maioria mulheres e 243 refugiados sudaneses – que fazem parte do programa Seeds for Solutions em Koutoufou. Muitas das mulheres são analfabetas e teriam pouco controle sobre as despesas domésticas, mas agora isso está mudando. “Com estes vegetais, eu estou no comando e decido o que fazer com a renda”, diz Biney.

“Eu quero que os meus filhos cheguem à universidade ou pelo menos aprendam uma profissão e consigam um emprego para se sustentarem”, afirma Biney. “Com a pequena quantia de dinheiro que ganho com a venda de parte da colheita, eu consigo cuidar deles e eles ficam livres para se dedicarem a seus estudos”.

O projeto promove autonomia e a autossuficiência já ajudou mais de cinco mil refugiados e três mil chadianos somente na região de Goz Beida, onde foram adquiridos mais de 10 mil hectares de terras agrícolas. Por meio de energia solar, a água é retirada de poços e distribuída. Uma equipe especializada da LWF visita regularmente as fazendas para prestar assistência técnica.

Em Koutoufou, a colheita deste ano gerou venda de 70% dos 13.700 quilos de hortaliças produzidas. Os agricultores levaram o restante para casa a fim de complementar as refeições diárias.

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