PM gerente do Procon-GO é exonerado

Apesar de não estar fardado, durante toda a gravação o policial está com a arma em mãos

Postado em: 27-07-2021 às 10h13
Por: Maiara Dal Bosco
Apesar de não estar fardado, durante toda a gravação o policial está com a arma em mãos | Foto: Reprodução

O tenente da Polícia Militar (PM), Wilson Silva de Oliveira, filmado segurando uma arma e agredindo um homem em um bar de Santa Terezinha de Goiás, norte do Estado, não faz mais parte da PM. Ele ocupava um cargo em Gerência de Atendimento no Procon Goiás e foi exonerado após a divulgação das imagens. Agora, a Corregedoria da PM apura o caso por meio de um procedimento administrativo disciplinar.

As imagens, gravadas no último sábado (24) mostram quando Wilson dá chutes e uma coronhada em um cliente. Apesar de não estar fardado, durante toda a gravação o policial está com a arma em mãos.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de Goiás (SSP-GO), informou que, após a divulgação das imagens exonerou o militar do cargo e que o caso será apurado. “A Secretaria de Segurança Pública de Goiás assegura que ações isoladas, que não condizem com as diretrizes das corporações e instituições que compõem esta pasta, são rigorosamente apuradas com as devidas punições aplicadas”, diz o documento.

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Excessos

Três dias antes do caso registrado em Santa Terezinha de Goiás, outro caso de violência envolvendo agentes da Polícia Militar goiana ganhou os holofotes. Na última quarta-feira (21), as cenas de um advogado sendo agredido pela Polícia Militar nas proximidades do camelódromo da Praça da Bíblia, em Goiânia, causaram revolta. Orcélio Ferreira Silvério Júnior foi agredido quando tentava intervir na prisão de um flanelinha. Ele foi algemado e jogado no chão por policiais do Grupamento de Intervenção Rápida Ostensiva (Giro), mesmo tendo se identificado.

O Governador de Goiás, Ronaldo Caiado, se pronunciou sobre o caso, reconhecendo que houve excesso na abordagem dos policiais. Além disso, o governador disse que tais excessos “não serão admitidos de maneira alguma, seja por ele, pelo comando da PM e nem pelo Secretário de Segurança Pública.” “Não tenho dúvida [que houve excesso], isso está nítido ali, tanto é que o nosso comandante da PM já tomou as atitudes. Nós não aceitaremos nada que extrapole os protocolos que são muito bem definidos, tanto pela nossa Polícia Militar (PM) e pela nossa Polícia Civil (PC). E a Polícia Militar já tomou as providências necessárias, para poder não só abrir averiguação sobre aquele caso específico, como qualquer outro que venha a acontecer”, afirmou.

Em nota, o Ministério Público de Goiás afirmou que “já instaurou procedimento investigatório para a pronta e rigorosa apuração das circunstâncias em que o fato ocorreu, notadamente em relação aos limites da atuação das forças policiais.” A Polícia Civil também abriu um inquérito para apurar o caso. Na ocasião, a SSP-GO disse, através de nota, que “assim que tomado conhecimento sobre a ocorrência, todas as medidas administrativas e disciplinares foram adotadas.” A Ordem dos Advogados do Brasil em Goiás (OAB-GO) também se pronunciou sobre o acontecimento, afirmando que fará um desagravo público – que é uma medida interna para combater qualquer tipo de ofensa ou violência que o defensor tenha sofrido durante o trabalho – em repúdio às agressões sofridas pelo advogado. (Maiara Dal Bosco, Especial para O Hoje)

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