O que esperar do próximo 7 de setembro e depois desta data?

Postado em: 05-09-2021 às 15h56
Por: Nielton Soares
Expectativa de atos para a data podem terminar em frustração, como quando o brasileiro soube de outra versão do grito a “Independência”, por D. Pedro montado em uma mula, próximo de um córrego e com dor de barriga | Foto: reprodução

Com rumores, incitações e ameaças por parte de artistas, políticos, policiais militares e outros segmentos à Direita, o Brasil aguarda o próximo feriado de 7 de setembro, o Dia da Independência do Brasil, com grandes expectativas. Áudios compartilhados por aplicativos de mensagens citam que o país irá parar: “as rodovias serão fechadas por caminhoneiros, que vão permitir a passagem apenas de carros de passeios, ambulâncias e da segurança pública”.

Segundo gravações, os bloqueios irão durar até o Congresso Nacional aprovar o voto impresso, trocar quase todos os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF); e as Forças Armadas tomarem o poder por meio da intervenção militar, dentre outras, muitas defendidas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

E devido a paralisação geral, os mais entusiasmados garantem que vai ter uma contrapartida de ‘forças ocultas’: “Será uma guerra civil”, branda uma voz em um dos áudios. “Irão bloquear a internet, ninguém terá acesso ao WhatsApp, pois será uma maneira de desarticular os movimentos”, insinua.

Acerca da participação de caminhoneiros, o presidente do Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC), Plínio Dias, informou ao jornal O Hoje que a entidade não fará parte dos atos. “Não estamos apoiando essa paralisação, pois é uma ação popular”, afirmou.

Em Goiás, o posicionamento do presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga de Goiás (Sinditac), Vantuir Rodrigues, teve o mesmo posicionamento. “Nós não estamos participando”, disse, acrescentando que não há pautas de interesses aos caminhoneiros autônomos, que pelo contrário, o ato resultará para a categoria em “perdas de conquista… por conta deste movimento”.

Data da esquerda

Além dos desfiles cívicos oficiais do Estado, o 7 de setembro, tradicionalmente, foi uma data utilizada para protestos de pautas ligadas à Esquerda, como a manifestação anual “O Grito dos Excluídos”, que conta com apoio de parte da Igreja Católica, sindicatos de trabalhadores, associações civis e outros.

Caso concretize os protestos de setores mais conservadores, será a primeira vez, após a redemocratização, que a data será utilizada para viés político por essa parte da sociedade. No entanto, ao sinalizar para um apoio a rupturas constitucionais, atos antidemocráticos e provável ameaças veladas a autoridades, o protesto pode terminar como frustração para todos, semelhante quando o brasileiro conhecer outra versão do famoso grito da “Independência ou Morte”, conforme descreve o livro 1808“.

Vale ressaltar, que antes mesmo do “grande dia”, o movimento já sofreu derrotas tanto do STF, com determinação de prisões, quanto do Congresso Nacional, que derrubou, por exemplo, o voto impresso e extinguiu a Lei de Segurança Nacional (LSN), criada durante o governo militar.

D. Pedro: dor de barriga, mula e vestes comuns

De acordo com o livro “1808”, de Laurentino Gomes, o famoso grito: “Independência ou Morte” de Dom Pedro, ocorreu longe do rio Ipiranga, não estava a cavalo, mas sim montando em uma mula e proclamou a independência do alto de uma colina, próximo a um riacho.

Além dessa diferença narrada por quase 300 anos, fixada no Hino Nacional e na arte, como na pintura de Pedro Américo; “Independência ou morte’ (1888), o imperador estava com vestes comuns, nada luxuoso e sentiu um “mal-estar intestinal súbito” durante o dia em que houve a proclamação.  

Independência do Brasil, de Pedro Américo

Com o próximo 7 de setembro, a percepção de cada público poderá traçar as linhas de como este fato será contado para as próximas gerações, diante de qual narrativa irá prevalecer. Por enquanto, é esperar o que pode ocorrer neste feriado e quais serão as consequências nos dias posteriores.

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