Onda de calor faz vendas de água mineral quase dobrar

Postado em: 14-09-2021 às 08h16
Por: Daniell
Empresas que distribuem água na Capital têm entregado cerca de 600 galões por dia | Foto: Jota Eurípedes

A onda de calor nos últimos dias pegou os goianos de surpresa e fez aumentar significativamente o consumo e as vendas de água. A empresa CTR Água Mineral registrou aumento de 70% nas vendas em comparação as últimas semanas. As temperaturas altas com baixa umidade relativa do ar têm castigado os moradores Capital nas últimas semanas.

Um dos proprietários da empresa, Ramon Costa Silva afirma que ele e o irmão trabalham no ramo há mais de oito anos. “Nesse período a demanda aumentou bastante nas vendas por conta desse momento de calor”, diz. A população tem se hidratado mais, comprado mais água, porém a demanda tem sido tão grande que a empresa não consegue fazer todas as entregas em apenas um só dia.

“As filas aumentaram bastante em termo de carregamento dos caminhões”, diz. Para de ter uma ideia são em torno de 500 ou 600 galões de 20 litros por dia entregues. Os proprietários administram as vendas, as rotas e as entregas. “Como esse período é muito quente, temos tomado bastante cuidado, nos hidratando e tomando bastante líquido”, diz.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que a exposição ao calor causa sintomas graves como insolação, condição que causa desmaios, assim como pele seca e quente, devido à incapacidade do corpo de controlar altas temperaturas. A maioria das mortes relacionadas ao calor se deve ao agravamento das condições cardiopulmonar, renal, endócrina e psiquiátrica.

Outros sintomas incluem edema nos membros inferiores, alergia causada pelo calor no pescoço, cãibras, dor de cabeça, irritabilidade, letargia e fraqueza.

Pessoas com doenças crônicas que tomam medicamentos diariamente têm um risco maior de complicações e morte durante uma onda de calor, assim como pessoas mais idosas e crianças. “As reações ao calor dependem da capacidade de adaptação de cada pessoa e efeitos sérios podem aparecer de repente. É por isso que é importante prestar atenção aos alertas e recomendações das autoridades locais”, diz o comunicado.

Maior consumo

Na residência da dona de casa Maria da Guia Pereira, o consumo de água aumentou bastante. Se antes ela e os filhos consumiam um galão de água por semana, agora são dois. Isto porque o calor exige cuidados reforçados. “Muitas pessoas não têm o hábito de beber água toda hora, mas eu sempre falo para tomarem a maior quantidade possível”, diz Maria.

Além disso, a conta de água provavelmente virá um pouco mais salgado. “Tenho molhado as plantas com mais frequência, limpado a casa também para tentar refrescar. Enfim, é uma época que é necessário você mudar seus hábitos e evitar doenças ou algum tipo de problema”, afirma.

Mudança de hábitos

Ingerir mais água ao longo do dia também virou rotina na vida da vendedora Eduarda Soares, 21 anos. Ela tem carregado uma garrafinha de água por onde vai para tentar se refrescar. “Eu deixo a garrafa no congelador e no dia seguinte fico tomando o dia inteiro. Como eu ando de ônibus a sensação é ainda pior, porque são muitas pessoas juntas em um mesmo ambiente”, revela.

No entanto, algumas tarefas realizadas anteriormente têm sido deixadas de lado por Eduarda. “Muitas vezes eu não consigo me exercitar mais por conta do calor excessivo ou até andar de bicicleta. Eu tenho transpirado bastante, por isso algumas atividades tento fazer somente à noite, mas mesmo assim ainda não me sinto bem”, revela.

Temperatura pode cair ainda neste mês

As temperaturas altas com baixa umidade relativa do ar devem dar trégua na Capital neste mês, de acordo com precisão do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo). Por enquanto, a qualidade do ar segue inadequada principalmente na Capital, com o reforço da volta às aulas e o consequente aumento da poluição provocada pelo trânsito. Segundo o gerente do Cimehgo, André Amorim, há uma expectativa de refresco a se confirmar, caso uma massa de ar polar vinda do Sul do País entre na região Centro-Oeste, trazendo chuvas esparsas.

La Niña

A falta de chuvas no Estado é atribuída ao fenômeno La Niña, que é responsável pela irregularidade das chuvas, afirma André. Ele explica que o fenômeno interfere na produção de frente fria. “Este ano, estamos com poucas frentes avançando no País e nós dependemos dessas frentes frias para que chova. Com menos chuvas, a temperatura tende a aumentar e a umidade do ar a se reduzir”, informa.

Além disso, outros fatores interferem na falta de chuvas de forma regular em Goiás. É um acúmulo de acontecimentos dos últimos anos. “Tivemos uma irregularidade nos últimos cinco anos, com baixos índices pluviométricos.

O gerente explicou de que maneira acontece o encontro de ar seco e quente com úmido e frio. No Estado, predominava anteriormente uma massa seca e temperaturas elevadas. “Essa outra que chega é úmida e fria. Esse contato gera essas áreas de instabilidade, essa nebulosidade toda”, afirma. Ele também faz alerta para a população sobre o consumo consciente da água. Isto porque os reservatórios estão com a capacidade comprometida em função do período seco.

Recomendações

Como medida preventiva, técnicos da Secretaria de Meio Ambiente do Estado (Semad) solicitam da população cuidado para que não surjam novos focos de queimadas, uma vez que temperaturas altas e umidade relativa do ar muito baixa são cenários favoráveis ao surgimento de novos focos. (Especial para O Hoje)

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