Crescem pedidos de licença médica de professores municipais

Postado em: 14-09-2021 às 08h34
Por: Daniell
Medo dos profissionais de contrair a doença pode ter causado esse aumento | Foto: Reprodução

Um mês após o início das aulas, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) da Capital percebeu aumento nos pedidos de licenças médicas por parte dos professores. O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego) alega que esse aumento no pedido de licenças deve estar relacionado ao medo do contágio da Covid-19 pelos profissionais.

A presidente do Sintego, Bia de Lima, afirma que somente a antecipação da segunda dose para os profissionais da Educação de Goiânia e a testagem ampliada de forma frequente iria assegurar o retorno presencial das aulas com mais segurança. O Hoje divulgou na semana passada que a prefeitura parou de fazer essa testagem ampliada em profissionais da Educação. “Isso acaba levando as pessoas a buscarem uma licença médica. O cenário é muito complicado”, avalia.

“Nós fomos contra o retorno presencial enquanto não estiver a segunda dose. A Prefeitura ficou de providenciar, mas não ocorreu essa antecipação. Também falou que teria uma série de testagem e isso não está acontecendo”, denúncia. Segundo ela, somente assim terá condições de garantir mais tranquilidade para o trabalho desses profissionais. “Se as pessoas estivessem com a imunização completa e as condições de equipamentos para o trabalho seria mais seguro voltar [para as salas de aula]”.

Em nota ao O Hoje, a Secretaria de Saúde de Goiânia esclarece que não está antecipando a segunda dose de nenhum grupo específico e que as testagens de antígeno para a Covid-19 nas escolas foram ações pontuais. “Mas que vem realizando ações para o rastreamento do vírus diariamente em toda a população da Capital, a exemplo desta semana onde durante todos os dias serão oferecidos exames por agendamento e demanda espontânea nos sete distritos sanitários para casos assintomáticos da doença”, diz a nota.

Aumento 

A SMS não tem o quantitativo de dados específicos, mas as solicitações não apontam infecção por Covid-19 como motivo do afastamento, conforme explica o superintendente pedagógico, Marcelo Oliveira. Segundo ele, entre os motivos está a insegurança e/ou medo do retorno presencial. No entanto, as autoridades acreditam que podem estar relacionados à pandemia. “Um número significativo de servidores tem apresentado pedido de licença médica, pode gerar algum problema de atendimento. Não são pedidos com justificativa de Covid-19, são outros problemas que o servidor tem apresentado”, disse.

A maioria desses pedidos tem partido dos professores, porém o superintendente garante que o retorno aconteceu como era previsto. Apenas uma escola precisou suspender as aulas em um turno devido à detecção da Covid-19 em um servidor. “O histórico dele é que pode ter contraído a doença antes de começar o atendimento presencial. Para evitar proliferação, nós suspendemos o turno da unidade”, informou.

Dez denúncias por dia

Atualmente, o Sintego tem recebido, em média, 10 denúncias por dia quanto à falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), o não cumprimento do distanciamento, capacidade em sala de aula superior ao permitido nas unidades escolares e aumento de casos de Covid-19 nas instituições de ensino.

Por isso, o Sindicato criou um canal Central de denúncias do Sintego, um Whatsapp específico para receber e dar encaminhamento aos relatos dos/as servidores/as no número (62) 99519-4832. “Isso envolve o Estado inteiro. Da rede estadual por conta que não está tendo a testagem e a pressão está muito maior, faltam profissionais demais na rede estadual”, afirma Bia de Lima.

Ciclo vacinal completo

Pelo menos 11 mil profissionais da Educação estão com o ciclo vacinal completo, de acordo com a SMS. O grupo inclui professores, merendeiros, administrativos, auxiliares e agentes educacionais. O secretário de Educação da Eapital, professor Wellington Bessa, ressalta a importância de completar a vacinação para garantir a segurança sanitária de toda a comunidade escolar neste semestre letivo. “Seguimos acompanhando o avanço da vacinação e esperamos que a campanha atinja o mais rápido possível todos os trabalhadores”, pontua.

Retorno

As atividades nas escolas municipais retornaram, no último dia 16, em um modelo de revezamento que prevê a ocupação de 50% das salas de aula. Os Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis), que antes funcionavam em período integral, atendem em modelo híbrido e dividir as crianças entre os turnos matutino e vespertino. Já os estudantes do 1º ao 5º ano fazem revezamento diário e os alunos do 6º ao 9º ano farão revezamento semanal.

Nos primeiros 15 dias do último mês, as unidades também organizaram os horários em que os estudantes frequentarão as instituições educacionais. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação (SME), as famílias terão a opção de escolher pelo ensino híbrido ou 100% remoto mediante a assinatura de um termo. Os conteúdos repassados aos alunos serão os mesmos nas duas modalidades de ensino. (Especial para O Hoje)

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