Sem chuvas, conta de luz fica 6,78% mais cara

Postado em: 15-09-2021 às 08h06
Por: Redação
Hidrelétricas em Goiás operam com volume útil de água abaixo da média nacional | Foto: Jota Eurípedes

Por Alzenar Abreu

Com a nova bandeira tarifária na conta de energia, cobrada desde 31 de agosto, a cada 100 kilowatts/hora haverá acréscimo de R$ 16,2 ou 6,8% a mais na conta de luz. Essa tarifa durará até março do ano que vem. A falta de chuva e os baixos volumes úteis nos reservatórios levaram o Brasil a enfrentar a pior crise energética desde 1930.

A Usina hidrelétrica localizada em Itumbiara está com apenas 16,62% de volume útil, ou seja, abaixo da média nacional que é de cerca de 20%. Ela é a maior do grupo Furnas Centrais Elétricas S.A., e fica localizada no Rio Paranaíba, entre os municípios de Itumbiara e Araporã, em Minas Gerais.

O calor no Estado não tem dado trégua e os termômetros estão entre 38 e 40°C – chegando a atingir 41°C em algumas regiões. Sentir calor ou esperar doer no bolso para pagar a conta de luz do mês é o dilema do representante comercial Fabiano D`Avila Reis, 42 anos, pai das pequenas Anna Victória 11, e Gabriele Regina,10. Fabiano, que tem dois aparelhos de ar–condicionado em casa para aliviar o calor escaldante da família, deverá desembolsar, em média, R$ 400 por mês só com energia elétrica.

Clima altera no bolso

Cinco estados estão em alerta de emergência para o período de junho a setembro: Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e São Paulo. Sem chuvas, as usinas hidroelétricas brasileiras têm déficit de água nos reservatórios e deixam de produzir energia em quantidade suficiente para atender a demanda nacional. Assim, acionam as termelétricas que gastam mais e o valor é repassado ao consumidor.

O atual aumento é posterior ao adotado pela bandeira vermelha 2, em vigor desde junho, quando sofreu reajuste de 52%, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Com a previsão de chuvas abundantes só na segunda quinzena de outubro e com umidade relativa do ar em índices críticos o jeito é ter paciência e saber economizar.

As usinas termelétricas produzem energia por meio da queima de combustíveis fósseis como petróleo, carvão mineral e gás natural, ou também pelo processo chamado de fissão, que envolve o uso de material radioativo.

Economia

Para pagar metade da conta, o economista Renan Correia ensina: “Se usar o ar-condicionado só à noite e tomar banho frio, até o calor passar, assim a conta cai quase 50%”, diz. Ele explica que o uso do chuveiro elétrico, por uma pessoa, duas vezes ao dia, por no mínimo 15 minutos, gera 90 quilowatts por mês ao custo de quase R$ 80. Renan sugere que o uso de ventiladores junto com umidificadores ajudam a amenizar o calor intenso e fazem pouca diferença na conta de luz.

O representante comercial Fabiano duvida muito que essa regra será adotada em casa mais vai exigir das meninas menos tempo no chuveiro.

Fenômeno La Ninã causa falta de chuva

Os principais fatores que causam a falta de chuvas e ondas de calor e estiagem no Brasil são o fenômeno La Ninã e o aquecimento global.

O primeiro, com influência no planeta desde 2007- ocorre quando as velocidades dos ventos aumentam as Células Walker (áreas de constante evaporação que regulam os níveis de circulação de ar sobre o oceano), o que provoca secas na costa oeste da América do Sul.                 

Segundo o último relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o clima, a previsão de que a temperatura global da superfície terrestre continue aumentando até pelo menos meados deste século. Ao considerar todos os cenários de emissões de gases poluentes.

Até o fim do Século 21 poderá ocorrer um aquecimento global acima de 1,5 ° C e 2 ° C, a menos que haja reduções profundas nas emissões de CO2 e outros gases de efeito estufa nas próximas décadas.                               

Tal fenômeno natural é intensificado devido à crescente queima dos combustíveis fósseis (que representam a base da industrialização como petróleo e gás natural. Também aderem ao fenômeno, o vapor de água (H2O) encontrado em suspensão na atmosfera. (Especial para O Hoje)

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