Promotora bolsonarista arquiva processo contra professor que promove “cura gay”

Nas redes sociais, a promotora já compartilhou publicações com termos LGBTfóbicos e apoia o presidente Jair Bolsonaro.

Postado em: 21-09-2021 às 16h55
Por: Luan Monteiro
Nas redes sociais, a promotora já compartilhou publicações com termos LGBTfóbicos e apoia o presidente Jair Bolsonaro | Foto: Reprodução

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) arquivou o processo contra o professor e biomédico que promove “terapia de reorientação sexual”, conhecida como “cura gay”. A promotora que assinou o parecer tem publicações com termos LGBTfóbicos nas redes sociais.

A responsável pelo relatório da acusação, assinado na última quinta-feira (16/09), foi a promotora de Justiça Marya Olímpia Ribeiro Pacheco, da 10ª Promotoria de Justiça Criminal. Em publicação de 2018, ela compartilhou no Facebook publicação de Olavo de Carvalho que usa o termo “homossexualismo”. Esta terminologia é rejeitada pela comunidade LGBT, já que o sufixo “ismo” tem sentido de doença.

A promotora compartilhou, também, publicações contra ciência, isolamento social no combate a pandemia causada pelo novo coronavírus e contra a vacina. Ela também é apoiadora do presidente Jair Bolsonaro (Sem partido).

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Para Marya, remover publicações ofensivas a comunidade LGBT seria um retrocesso da liberdade de expressão. “Proibir a reflexão, a discussão e a publicação de assuntos e matérias nas quais está ausente o animus criminoso constituiria um enorme retrocesso à ciência em geral, caracterizando, inclusive, vulneração à liberdade de expressão”, diz a promotora.

Para o deputado Fábio Felix (Psol), o relatório da promotora estimula a transfobia. “Ficamos muito preocupados com os argumentos utilizados neste parecer da promotora. Isso cria um precedente terrível contra toda a população LGBTI porque naturaliza e violência e a discriminação”, diz.

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