Estudo diz que 53% dos brasileiros querem mudar de profissão

Goianiense se encaixem na estatística que pode abrir oportunidade de sucesso profissional

Postado em: 29-09-2021 às 08h31
Por: Redação
Goianiense se encaixem na estatística que pode abrir oportunidade de sucesso profissional | Foto: Reprodução

Por Alzenar Abreu

Pesquisa sobre comportamento das pessoas pós-pandemia realizada por uma plataforma de buscas on-line aponta que 53% dos brasileiros querem mudar de profissão após a Covid-19. Segundo o relatório chamado Protegendo o Futuro do Trabalho, os motivos mais citados são: equilíbrio entre vida pessoal e profissional (50%), o desejo por um salário mais alto (49%), a busca por uma função mais significativa (31%), reduzir a quantidade de tempo trabalhado (31%) e trabalhar por prazer (14%).

A metodologia do trabalho foi realizada por meio de questionário estruturado on-line, com método quantitativo de abordagem. Foram profissionais de todas as idades (média de 34 anos), de todas as profissões e de empresas de diversos portes. O levantamento chegou a um cenário profissional não esperado (atuação home office) que quebraram com modelos tradicionais de ofício. E a preocupação do estudo relacionou às futuras relações de trabalho em face de mudança do comportamento analisado.

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Apenas 30% dos grupos ouvidos pelo espectro da pesquisa preferem permanecer no emprego atual.  17% afirmaram não ter uma opinião formada sobre o assunto. O estudo afirma que o desejo para mudar de profissão veio com a necessidade de ficar mais tempo em casa e abriu caminho para dedicar-se a novos passatempos que acabaram conquistando um espaço profissional. A troca do hobby por uma nova forma de ganhar dinheiro ao fazer o que se gosta.

Reviravolta

A ex-operadora de call center, Sara dos Santos Silva, de 37 anos, viu-se perdida quando a pandemia permitiu o encerramento temporário do contrato de emprego. Com seis meses sem trabalhar viu no ramo da gastronomia um prazer e também o recurso para ganhar dinheiro. “Adoçar a vida das pessoas agora é meu propósito. Estou fazendo pudins para vender como sobremesa para restaurantes”, diz. Mas ela garante que a produção não vai parar por ai. “Quero ampliar para fazer outros doces. Musses, bolos e outras delícias devem sair no cardápio, em breve”, garante a mais nova empreendedora.

Erika Bertolin, de 37 anos, tinha uma loja de roupas no setor Parque Amazônia. Com a pandemia viu o negócio perder força e teve de fechar as portas. “Precisava de uma saída urgente para o sustento da minha família e foi com as memórias de infância que voltou com tudo para atuar como manicure”, conta. Essa profissão ela aprendeu na adolescência por incentivo da avó.

“Hoje trabalho como manicure, pedicure e faço spa para os pés. Graças a Deus não me faltam clientes e a preocupação com o pagamento do aluguel acabou”, comemora. Ela se aperfeiçoou na prática e vai atuar com aplicação de outros produtos nas unhas como gel e fibra de vidro.  “Já fiz os pedidos do material para produção e estou investindo aos poucos”.

Recursos Humanos

Para a consultora de Recursos Humanos, Anita Luzine Emiliano, essa guinada tem a ver com a visão que trouxe o cenário da pandemia. “As pessoas viram que precisam voltar para si mesmas, e não depender de um chefe ou empresa para sobreviver. É a busca pela segurança financeira dele e da sua família, de forma independente”, diz.

Anita, com mais de 18 anos no mercado de Relações Humanas, afirma que a pandemia trouxe mudanças no formato de trabalho. “Em casa, por exemplo, ter de produzir com o mesmo resultado é um desafio hoje para o brasileiro”, diz. “Um profissional que antes só pensava em se capacitar para adequar-se à nova era tecnológica, agora vai a campo para aprender a fazer por necessidade. Ou seja, saiu da zona de conforto”, explica.

Segundo a pesquisa, a quantidade de brasileiros que querem mudar de carreira tem grande diferença em comparação com o resto do mundo, já que a média do índice global é de apenas 35% que pensaram em mudar de profissão. O que corrobora com a avaliação de Anita.

Ela diz que os recém-formados vivenciam com mais naturalidade esse contexto e aceleram mais a busca pelo aporte da tecnologia, e investigam muito como não se deixar desligar dessa realidade onde grande parte dos brasileiros ainda não se converteu.

Flexibilidade

A busca por novos horizontes, em face da flexibilização de um esquema de trabalho diferente do tradicional, trouxe consigo novas expectativas, num mundo conectado via web onde a vida segue com o trabalho do dia a dia, a rotina de reuniões não presenciais (não presenciais) trouxe um olhar mais prático por parte dos gestores, uma nova miríade de fazer o serviço fluir e acontecer. “Entender de tecnologia, hoje, não é uma condicional é uma necessidade premente. Quem não se enquadra, facilmente ficará de fora do processo”, avalia.

Para tanto, Anita recomenda aos profissionais que busquem cursos de capacitação para compreender esse novo universo tecnológico, aprendam com os mais jovens. “Muitos descobrem no You Tube como editar um vídeo, por exemplo, como abranger o universo das redes sociais como link indispensável para o novo mercado”, ensina. (Especial para O Hoje)

Tendência é ter várias profissões ao longo da vida

O jovem deve ter em mente que vai se manter em atividade por aproximadamente 50 anos e trocará de profissão algumas vezes, tanto por desejo próprio quanto por mudanças no mercado de trabalho, lembra a professora de administração Vivianne Narducci, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). “As previsões para os próximos 15 a 20 anos são de que 50% das profissões da forma como são hoje vão deixam de existir”, afirma Vivianne.

Esse redirecionamento de carreira vai exigir disposição para a aprendizagem contínua. E isso não quer dizer necessariamente que fazer a trajetória do nível superior deve vir em primeiro lugar. Também será importante frequentar ambientes com profissionais de outras áreas e fazer networking.

O cenário de transformação não vai afetar de maneira igual todas as carreiras, ressalta a professora. “Lógico que há profissões que não mudam, como a medicina, embora hoje seja bem diferente do que já foi”.

Dentro das empresas

Também dentro das empresas as carreiras estão em transformação. No mundo, 70% das empresas estão redesenhando ou já redesenharam sua estratégia de carreira, e 65% implementaram modelos mais abertos, conforme um levantamento recente com 10 mil líderes empresariais e de RH de 140 países, feito pela Deloitte, sobre as tendências globais de capital humano. As empresas correm para substituir hierarquias estruturais por redes de equipes. O estudo conclui ainda que a força de trabalho será ampliada e o papel da agilidade será central nas organizações. Essa preocupação com a “organização do futuro”, conforme o termo usado pela consultoria, é ainda maior na América do Sul e Latina do que no resto do mundo.

No momento de planejar a carreira, além das competências profissionais, os recrutadores também avaliam as habilidades sociais. “O mercado de trabalho hoje está aceitando pessoas mais preparadas, não só na parte técnica, como no caso das pessoas mais velhas, como também a parte de comunicação, resiliência e inteligência emocional”, destaca Marcelo Milani, coach em Desenvolvimento de Inteligência Emocional pela American Management Association (AMA). Milani frisa a autoconfiança, pois, segundo ele, a pessoa que conseguir mostrar o que sabe fazer para o resto da vida é quem tem mais condições de conseguir um novo cargo. (Com agências)

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Motivos mais citados para mudança de carreira

Equilíbrio entre vida pessoal e profissional (50%)

Desejo por um salário mais alto (49%)

Busca por uma função mais significativa (31%)

Reduzir a quantidade de tempo trabalhado (31%)

Trabalhar por prazer (14%)

Fonte: Relatório Protegendo o Futuro do Trabalho

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