Veja como estão mais de 20 mil sequelados pela Covid-19

Para voltar à rotina, fisioterapia se mostra forte aliada na superação da doença, aponta especialista

Postado em: 30-09-2021 às 08h37
Por: Daniell Alves
Para voltar à rotina, fisioterapia se mostra forte aliada na superação da doença, aponta especialista | Foto: Jota Eurípedes

A fisioterapia tem sido uma forte aliada para a recuperação de pacientes quem foram diagnosticados com a Covid-19. Cerca de 90% daqueles que tiveram casos graves e moderados da Covid-19 precisarão de fisioterapia, aponta o fisioterapeuta especialista na área esportiva, acupuntura e dor, Thiago Vilela, que atende em Goiânia.

Em Goiás, 27,5 mil pacientes tiveram casos graves, conforme dados do painel da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO). “O trabalho realizado pelo fisioterapeuta é essencial, não somente pelas limitações e incapacidades que o paciente desenvolve no âmbito respiratório, mas nas transformações neurológicas e vasculares também”, alerta Thiago. Um exemplo é o caso do André Fernandes, médico coloproctologista, que mesmo com todos os cuidados foi contaminado com a Covid-19 em dezembro de 2020.

Após ficar mais de 30 dias internado, hoje ainda está se recuperando das sequelas ocasionadas pelo vírus, incluindo uma severa fraqueza muscular, e compartilha como a fisioterapia foi essencial para o seu tratamento ainda quando estava na UTI. “Fiquei com 98% de comprometimento pulmonar, mal mudava de posição e meu quadro não se estabilizava. Enquanto estava no hospital fazia fisioterapia duas vezes por dia, mesmo na UTI. Saí do hospital dependente de oxigênio e uma semana depois com a ajuda da fisioterapia, não precisei mais.

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Antes para levantar a perna era um esforço muito grande, não conseguia tomar banho e nem fazer nada sozinho. Com a fisioterapia fui melhorando de maneira surpreendente”.

Hoje, André ainda se recupera, faz fisioterapia todos os dias, retorna aos poucos às suas atividades, voltou a trabalhar após seis meses e se emociona por lembrar. “Pediam para eu levantar a perna, um pequeno exercício, era um esforço tremendo. Hoje faço coisas que jamais imaginei que iria conseguir. A gente precisa valorizar mais esses profissionais pelo grande papel que desempenham”.

Segundo Thiago Vilela, quanto mais cedo o paciente começa a introduzir os estímulos motores, neurológicos, respiratórios e cardíacos, mais rapidamente ele tende a se recuperar. O fisioterapeuta recomenda: “Comece o tratamento o mais cedo possível. Se estiver muito incapacitado, comece em casa com fisioterapia domiciliar. A partir do momento que já tem a condição de sair de casa, vá a centros de reabilitação, em lugares que já consiga fazer exercícios com mais carga, com mais demanda e, por último, volte às rotinas e atividades físicas gradativamente. A busca por apoio psicológico também é essencial para voltar à rotina”, completa.

Falta de ar e fraqueza

Para as pessoas que já foram contaminadas com a Covid-19 e estão se recuperando, Thiago alerta sobre os sintomas e como identificar a necessidade de ir ao fisioterapeuta. “Sensação de cansaço a pequenos esforços. Algo que não sentia antes e hoje sente com algum esforço, como subir alguns degraus, caminhadas curtas, um cansaço maior que o normal”. Também a sensação de falta de ar frequente e fraqueza muscular são outros sintomas ressaltados por ele.

Quanto aos sintomas neurológicos, o fisioterapeuta relata que os pacientes podem apresentar alteração de sensibilidade e formigamentos, além de aspectos cognitivos como déficit de memória e falta de concentração.  “Sempre se atente a dores não existentes antes da Covid e a sintomas que não tinham antes de ser contaminado”. Ele frisa ainda que há algumas dores que os pacientes têm desenvolvido sem explicações e estudos de teorias relacionadas a mudanças celulares estão sendo feitos para identificar de que maneira tais dores vem sendo processadas no organismo.

Síndrome pós- cuidados intensivos

Os pacientes que passam por internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) podem desenvolver uma condição chamada de síndrome pós-cuidados intensivos, que se caracteriza por alterações físicas, cognitivas e psiquiátricas, alerta a SES. Essa condição reduz a qualidade de vida dos pacientes e, muitas vezes, também de seus familiares.

O Estado realizou, no último ano, uma oficina para que os profissionais tenham conhecimento sobre a síndrome. A gerente de Atenção Terciária da SES-GO, Danielle Jaques Modesto, explica que o intuito a oficina é levar informações sobre as possíveis complicações pós-Covid-19 aos profissionais do SAD. “É um momento para reforçar quais os cuidados devem ser adotados com os pacientes que ficaram internados, além de destacar a importância em se identificar, de forma oportuna, os sinais da síndrome e promover um cuidado a essas pessoas que apresentam as alterações”, destaca.

SAD

Em Goiás, há 47 equipes de SADs, distribuídas em 14 regiões. Ao todo, 40 municípios goianos contam com a cobertura do Serviço de Atenção Domiciliar, que atende cerca de 1,5 mil pacientes por mês. No Sistema Único de Saúde (SUS), a Atenção Domiciliar é caracterizada por um conjunto de ações de prevenção e tratamento de doenças, reabilitação, paliação e promoção à saúde prestadas em domicílio, com a garantia da continuidade de cuidados.

Tratamento

Em Goiânia, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), 63% dos pacientes apresentaram tosse, 54% febre, 38% desconforto respiratório, 35% dispneia (falta de ar), 33% dor de garganta, 27% diarreia e 11% vômitos.

A SES explica que o tratamento é feito após a realização da anamnese, que é a coleta de todas as informações sobre sintomas dos pacientes. Se for um caso simples, com sintomas mais leves e que não exija internação, o paciente recebe alta e faz o tratamento e a quarentena em casa. A expectativa é que esse atendimento seja feito entre 15 e 18 minutos, para evitar que pessoas com nível menor de infecção fiquem na unidade de saúde, mas que possam retornar logo para suas casas.

Caso o paciente necessite da realização de exames para a conclusão do diagnóstico, isso é feito dentro da própria unidade de saúde. No entanto, informa, não existe tratamento específico para infecções causadas pelo Coronavírus. É indicado repouso e consumo de bastante água, além de algumas medidas adotadas para aliviar os sintomas, conforme cada caso, como, por exemplo: uso de medicamento para dor e febre e umidificador no quarto e banhos quentes.

Isolamento social

O doutor José David Urbaez, secretário da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), ressalta que para diminuir as chances de contágio, o diagnosticado com a doença deve ficar confinado em um cômodo da casa. “É uma situação difícil e desagradável porque as pessoas não podem ter nenhum tipo de contato com os familiares, uma vez que o espaço pequeno tem uma chance maior de transmitir o vírus”, diz.

Caso haja contato entre os residentes e a pessoa que está doente, o secretário ressalta que os cuidados devem ser redobrados. “Máscaras no contato, higienizar as mãos, fazer trocar de roupas e tomar banho imediatamente após o contato. Torna-se necessário, explica, intensificar a higienização em todos os lugares que essa pessoa teve contato, principalmente nas portas e maçanetas. (Especial para O Hoje)

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