Construção de viadutos em Goiânia prioriza carros e esquece os pedestres

Obras estruturais na Capital não abrem espaço para quem anda a pé

Postado em: 01-10-2021 às 08h19
Por: Redação
Obras estruturais na Capital não abrem espaço para quem anda a pé | Foto: Jota Eurípedes

Por Alzenar Abreu

Obras de mobilidade em Goiânia priorizam carros em detrimento de pedestres. Pontes e viadutos da Capital foram edificadas para solucionar o tráfego de veículos e aumentar a fluidez do trânsito, mas, em contrapartida, não há meios seguros para o pedestre ou ciclista seguir com tranquilidade nessas estruturas.

Para o urbanista Paulo Renato Alves cita como exemplo algumas obras mais recentes em Goiânia como os viadutos construídos nos cruzamentos da Rua 90 com Avenida 136 e da Avenida Deputado Jamel Cecílio com a Marginal Botafogo. “Sem chance para segurança de pedestres e ciclistas nessas estruturas”, pontua.

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Paulo acrescenta que atravessar ruas em Goiânia com uma frota de mais de 1,2 milhão de carros e motos é um exercício de coragem e paciência. “Temos a terceira capital do País com a maior taxa de veículos por habitante. Criar fluxos para desembaralhar esse trânsito cada vez mais caótico é válido quando a proposta assegura um trabalho paralelo para pedestres e ciclistas”, avalia.

Para Paulo, que também é arquiteto, o Dia Nacional do Trânsito, celebrado em setembro, deveria ser dedicado à ações que facilitem e incentivem a circulação segura das pessoas. “Vemos, praticamente, todas as obras de mobilidade feitas para incentivar a circulação de carros e não de pedestres e ciclistas. “Quais são as principais obras de infraestrutura de mobilidade que são feitas na cidade? Viadutos”, desafia.

Perigo

Ele explica que o cruzamento da Rua 90 com a Avenida 136 ficou muito mais perigoso para atravessar. No cruzamento da Avenida Deputado Jamel Cecílio com a Marginal Botafogo os carros circulam com mais velocidade o que, automaticamente, espantam o pedestre e o ciclista.

Para o arquiteto e urbanista, as políticas de mobilidade urbana adotadas por Goiânia vão de contramão do que usam modernas cidades mundo afora. Ele diz que é necessário melhor planejamento para edificação de vias e cita o cruzamento da Rua 90 com a Avenida 136, no Setor Marista. “Você tem, por exemplo, a Rua 90, onde há trechos onde a passagem é restrita a um único veículo. Se houver um acidente ou este carro estrague você paralisa todo o trânsito do Setor Oeste e Setor Aeroporto”, explica.

Contraponto

Questionado sobre a priorização dos veículos em detrimento aos pedestres na Capital, o engenheiro de tráfego da Secretaria Municipal de Mobilidade (SMM) de Goiânia, Marcelo Pontes, disse que cabia ao secretário da pasta e ao prefeito de Goiânia as respostas sobre o porquê não construir essas obras já com os espaços para pedestres prontos.

Entretanto disse que quando for inaugurada a devida faixas de pedestres do viaduto da Jamel Cecílio – com previsão para o ano que vem-, o pedestre poderá passar por baixo com toda sinalização completa para travessia segura. “Hoje, realmente, quem passa a pé fica sacrificado, mas a obra está em andamento”, explica.

Sinalização

Para Marcelo, a cidade possui, sim, sinalização adequada para trafego de pedestres. “Não faltam faixas de trânsito e sinaleiros para a transposição adequada de quem não está de carro. Penso o inverso. A pessoa tem o recurso, mas não tem a paciência de andar um pouco a mais para atravessar corretamente na faixa, ou usar as passarelas, por exemplo. Andar a mais para recorrer às opções oferecidas pode ser a solução para evitar acidentes”. 

Marcelo diz que todos os entes (Estado e Município) devem ser cobrados para que ações sejam mais frequentes, que haja maior integração entres grupos envolvidos com a temática. Que haja maior familiaridade da população com as regras e com o uso adequado dos elementos da via, as faixas, o respeito aos sinaleiros, mesmo que se perca um pouco mais de tempo para chegar ao destino.

Sem controle, calçadas ficam fora do padrão

Para Paulo Renato Alves, a prefeitura investe milhões para construir viaduto, para fazer corredores exclusivos, para cortar a cidade inteira e fazer o BRT (de trânsito rápido para ônibus), mas não tem recurso para arrumar as calçadas, o que fica a cargo do dono do terreno. “E como não há fiscalização, cada um faz de um jeito, não há um padrão”, contesta o arquiteto e urbanista.

O engenheiro de tráfego da SMM Marcelo Pontes aposta na melhoria dessa circulação quando, de fato, compreender quem deve ser, na prática, o responsável para construir uma calçada acessível. “Hoje, vemos que ninguém respeita a lei que criou um padrão para todas onde cada cidadão é responsável pela sua. Mas a discussão é: Como resolver? Lançamos ao poder público a responsabilidade de reedificá-las ou construir novas?”, reflete.

Marcelo diz que pela exigência técnica, cada residência ou edificação precisa construir a calçada em obediência a regra de usar a pavimentação estilo piso tátil (com placas de aderência na estrutura). Porque além das áreas de pedestre próximas às vias de trânsito de veículo, as calçadas desniveladas trazem insegurança para o transeunte e são barreiras, intransponíveis, em muitos casos, para cadeirantes.

Com relação a canteiros imensos sem espaço para travessia e, em muitos casos, com perigosos desníveis, Marcelo diz que é possível solicitar à prefeitura uma visita técnica para solução. “Onde houver uma dificuldade maior estamos prontos para resolver”. Abrimos o espaço para a população solicitar reformas, para que possamos projetar novos caminhos e resolver o que está atrapalhando o pedestre de forma desproporcional. “Goiânia está em construção, em movimento, e melhorar é uma necessidade, sempre”, diz.

O telefone divulgado para solicitar melhoria do tráfego de pedestres em Goiânia é: 3254-1262. (Especial para O Hoje)

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