Patinetes da capital deixam de ser compartilhados

Adotada por muitos como opção de transporte, os equipamentos viraram sensação em 2019

Postado em: 02-10-2021 às 08h59
Por: Nielton Soares
Adotada por muitos como opção de transporte, os equipamentos viraram sensação em 2019. | Foto: Jota Eurípedes

Lançadas como meio de transporte compartilhado, dentro do conceito de mobilidade urbana, se contrapondo ao uso individualizado do carro, as patinetes elétricas chegaram à Goiânia em 2019. Porém, no ano seguinte foram recolhidas. Órfãos do serviço iniciaram então um novo movimento, comprando seus próprios equipamentos, o que fez aumentar a procura pelo veículo.

Eram equipamentos que ficavam disponíveis em vários pontos da cidade e eram ofertadas por serviços de aluguel por meio de aplicativos. Os primeiros modelos nas cores verde e amarelo pertenciam a Grin e Yellow. Para os usuários, o serviço tinha vantagens e desvantagens, em relação aos preços. “Já usei muito e era sempre mega divertido, uma forma mais leve de transporte. Mas realmente não eram baratos. Já cheguei a pagar quase o dobro do valor de um Uber [veículo por aplicativo]. Só pela experiência de usar o patinete. Não dá para ser rotina, a não ser que você compre um ou tenha o suficiente para gastar alugando sempre”, relembra, a designer, Eline Silva, de 29 anos. 

Com o fim do serviço de aluguel de patinetes elétricas no ano passado e alta nos preços de combustíveis, teve quem preferiu adquirir a própria patinete elétrica. Foi o caso do servidor público Ivo Rodrigues de Souza, de 39 anos. “Eu já vinha pensando num meio de diminuir ou zerar o uso do carro, já que minhas distâncias quase sempre eram curtas”, pontuou o usuário.

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Ivo acrescenta que a facilidade de locomoção e por ser um equipamento portátil para guardar o equipamento também foram diferenciais para a escolha.  “A fácil portabilidade, que me tirava a preocupação de ter que achar lugar para estacionar e até para guardar após o uso também, além da economia com combustível e o viés ecológico”, entende.

Assim como o servidor público, a analista de mídias sociais e copywriter, Caroline Alvares, também decidiu comprar um equipamento, ao analisar as necessidades da mobilidade e dos custos benefícios. “Eu comprei a minha há alguns meses. E o custo benefício é excelente, principalmente para quem trabalha na cidade é precisa só de um veículo para se locomover,” relata.  

Vendas disparam

Com tanta procura, após o fim dos serviços de aluguel, as vendas dos equipamentos dispararam em lojas especializadas de Goiânia. Segundo o gerente de uma unidade, que vende scooters elétricas, patinetes e hoverboard, Lucas Oliveira, os custos dos equipamentos são baixos, com baterias sendo carregadas à energia – beneficiando também o meio ambiente – e isso vem atraindo mais consumidores.

Já quem ainda não adquiriu a própria patinete elétrica, relembra o serviço de aluguel que funcionava na Capital. Sente falta, porém, lamenta que as viagens, em muitos casos, ficaram caras. A designer gráfica, Alexandra Rita Arruda de Souza, por exemplo, lembra de ocasiões importantes que precisou do serviço com urgência. “Eu mesmo usei para fazer o Enem, estava bem congestionado, e de carro não daria tempo, e a pé cansaria muito e demoraria mais”, lembra.

Em outro episódio, ela destaca que se descolou da Praça Universitária até a Praça Cívica e teve que pagar R$ 12. “Acho um valor um pouco alto”, frisa. No entanto, para ela, há o custo benefício. “Eu acho um meio locomoção bem dinâmico, e útil, pois às vezes você precisa se locomover uma certa distância em um certo tempo, que de carro e ônibus seria difícil”, calcula.

Imprevistos

Mas há quem, no período em que os serviços funcionaram em Goiânia, passou por percalços quase perdendo compromissos. O estudante Alexandre Paes conta que certa vez foi usar as patinetes elétricas com um colega. Eles decidiram completar uma viagem de ônibus, do Terminal Isidória até o Campus da Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), no Jardim Goiás. Porém, ao chegar no local, o aplicativo indicou que eles estavam fora do perímetro de operações de cobertura. “Tivemos que voltar e devolver o equipamento no mesmo lugar que o pegamos. Sei que ficou caro”, comenta.

Empresa pretende retornar serviços em Goiânia

A empresa FlipOn, de sistema de aluguel por aplicativo e pertencente ao grupo Muuv Eletric Motors, especializada também na venda de carros elétricos, com sede em São Carlos, no interior paulista, está organizando junto a Prefeitura de Goiânia para disponibilizar patinetes elétricas na Capital. De acordo com a assessoria de imprensa da empresa, a operação foi até iniciada, porém teve que ser suspensa para ajustes contratuais com prefeitura.

Embora na cidade operou-se o serviço de aluguel de patinete elétrica e já há o uso particular, a Secretaria Municipal de Mobilidade (SMM) informou, por meio de nota, que a utilização como meio de transporte ainda não foi regulamentada. Em relação a empresas interessadas em disponibilizar o serviço, a pasta destacou que elas são orientadas a assinar um termo de operação experimental com validade de três meses.

Nesse documento são acordadas que a utilização das patinetes elétricas deve seguir regras básicas como: limite de velocidade (20km/h), ser pilotada por pessoas com idade a partir dos 16 anos (menores somente com autorização dos pais ou responsáveis), a circulação só poderá ocorrer em vias cicláveis (ciclovias, ciclofaixas ou cliclorrotas).

Outros equipamentos, como as bicicletas, são obrigatórias a sinalização visual e a sonora. Uma das proibições é que as empresas não poderão instalar estações de entrega e retorno dos equipamentos em nenhuma área pública, “até que seja finalizada licitação que garantirá acesso igualitário a todos interessados”. (Especial para O Hoje)

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