Após surto de superbactérias, UTI no Hugo segue interditada

Sete pacientes foram contaminados em ala hospitalar; este não é a primeiro caso do tipo na Capital

Postado em: 05-10-2021 às 08h13
Por: Maiara Dal Bosco
Sete pacientes foram contaminados em ala hospitalar; este não é a primeiro caso do tipo na Capital | Foto: Reprodução

O Hospital Estadual de Urgências de Goiás Dr. Valdemiro Cruz (Hugo), em Goiânia, segue com uma ala de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) interditada. O Hospital identificou sete casos de contaminação de superbactérias em uma UTI, o que resultou na interdição da respectiva ala por uma semana. Ontem (04), uma equipe de infectologia, em conjunto com outras áreas e a direção técnica, voltou a avaliar sobre o final da quarentena estabelecida.

Em nota, o Hugo informou que a desinfecção do terminal foi concluída na última sexta-feira (01) e que os pacientes estão estáveis, inclusive com alguns recebendo alta da UTI e segundo o tratamento para o qual foram internados. Além disso, o comunicado afirmou que, até o resultado do parecer realizado ontem, novos pacientes não seriam admitidos nesta ala de UTI.

Entenda

Continua após a publicidade

No último dia 27, documento do Serviço de Controle de Infecção (SCI) do Hugo apontou que foram encontradas bactérias acinetobacter e Klebsiella pneumoniae Carbapenemase (KPC), resistente à maior parte dos antibióticos, segundo informou a Unidade. De acordo com o SCI, a quantidade de casos encontrada na UTI caracteriza um provável surto e transmissão cruzada. O órgão afirmou ainda que as bactérias possuem elevado risco de morte e transmissão, além da capacidade de ficar por até seis meses em superfícies.

Relembre

Esta não é a primeira vez que um hospital da Capital registra surtos da bactéria KPC. Em junho do ano passado, o Hospital e Maternidade Dona Íris (HDMI), informou que simultâneo a testagem positiva para Covid-19 de três profissionais da saúde e de um bebê internado na UTI, a unidade passava por um surto positivo para covid-19. Além disso, a unidade disse que passava, na época, por um surto da respectiva bactéria KPC.

À ocasião, o Hospital também restringiu o acesso e informou sobre a tomada de providências emergenciais. Segundo a unidade de saúde, a preocupação era ainda maior já que o quadro de Covid-19, associado ao surto da bactéria multirresistente, reforçou a necessidade do impedimento de admissão de novos bebês (pacientes), uma vez que a superbactéria KPC, por ser resistente, poderia causar complicações, como pneumonia ou infecções.

KPC

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) explica que a enzima Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC) pode ser produzida por vários tipos de enterobactérias, isto é, bactérias que estão presentes no trato gastrintestinal – e o conhecimento científico tem demonstrado que ela confere às bactérias uma resistência ainda maior aos antibióticos, podendo inativar penicilinas, cefalosporinas e monobactâmicos.

Segundo a Anvisa, a enzima KPC já foi documentada em diferentes bactérias, como Salmonella enterica, Enterobacter sp, Enterobacter cloacae e na própria Klebsiella pneumoniae, que pode agir como uma bactéria oportunista em pessoas que estão com a saúde muito debilitada, provocando infecções graves no ambiente hospitalar.

No Brasil, o primeiro relato desse novo mecanismo de resistência ocorreu em 2005, em Recife (PE), e estava relacionado à bactéria Klebsiella pneumoniae. Atualmente o tratamento dos pacientes é realizado com os antibióticos Polimexina B e Colistina. (Especial para O Hoje)

Veja Também