Conheça histórias de mulheres que venceram o câncer de mama

Diagnóstico precoce, autoexame e força une mulheres que lutaram bravamente contra o câncer

Postado em: 06-10-2021 às 08h21
Por: Redação
Diagnóstico precoce, autoexame e força une mulheres que lutaram bravamente contra o câncer | Foto: Reprodução

Por Alzenar Abreu

No mês da conscientização para realizar o diagnóstico precoce do câncer de mama o Instituto Nacional de Câncer aponta que em 2021 existe a possibilidade de 66.280 mil casos novos de câncer descobertos no Brasil com 18.068 mortes registradas em 2019. Para sensibilizar a comunidade em Goiás para o Outubro Rosa, a Sociedade Brasileira de Mastologia, regional Goiás realiza a exposição fotográfica “Pra Você se Ver”. A ideia é mostrar histórias reais de mulheres, e homens, que venceram a doença e estimular o autoexame e diagnóstico precoce da doença. O material está exposto ao público, no Shopping Passeio das Águas, até o dia 15 de outubro.

A mostra exibe fotos de pessoas que venceram o câncer e contam histórias de superação. Do diagnóstico até situações que driblaram para garantir que o tratamento fosse menos agressivo. Na busca pelo equilíbrio emocional e qualidade de vida.

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Victória Fontenelle, de 46 anos, está na mostra. Ela é secretária e professora. Passou por cinco anos de tratamento e conseguiu superar o câncer de mama que descobriu com exame de mamografia. “Eu sempre fazia de rotina e de um ano para o outro apareceu. Eu não tive caroço e não sentia nada. Por isso, a mulher tem de dar prioridade para fazer esse exame”, disse.

Na trajetória até o momento, ela, que é maratonista, diz que cada etapa foi vencida e que sempre tinha em mente que como na maratona, receberia uma medalha simbólica. “Eu me propunha nesse sentimento”. Vencer e combater as dores do processo de tratamento e o medo. “Foi nesse momento em que busquei na fé, na intimidade com Deus, forças para seguir e ultrapassar cada etapa”, conta.

Ela fez retirada de parte do seio, 33 sessões de radioterapia e cinco anos de hormonoterapia. “Pensava em cada momento como uma linha de chegada que tinha de transpor, com todas as minhas forças, a chegar com êxito”. Resiliente, Victória diz que sabia que toda aquela angústia iria terminar. “Sempre que tomava uma medicação, eu me dizia: “ Um a menos. Estou mais perto de acabar”, conta.

“Contar minha história para outras pessoas me faz bem. Porque o diagnóstico de câncer não é uma sentença terminal. Tem tratamento e a pessoa precisa buscar forças para não se entregar aos pensamentos negativos. Ser positiva, te ajuda a vencer”, garante.

Atividade física

Manter a mente sempre ocupada e procurar fazer exercícios físicos são estratégias que ela usou para buscar conforto nas fases mais difíceis do processo. “Isso porque você sente dores musculares, indisposição e encontrar uma válvula de escape para a cabeça é fundamental”, garante.

Andréia Gonçalves, de 38 anos, é pedagoga e foi convidada para participar da mostra. Ela foi diagnosticada com a doença no dia 23 de março. “Naquele momento fiquei muito chocada. Pensei que ia morrer, mas na verdade, com o tempo, tomei uma decisão e falei para o meu marido que decidir não chorar mais, mas que enfrentaria o problema sorrindo”, conta.

“É importante salientar que as pessoas precisam entender que o câncer não é uma doença maldita. Sem cura. É preciso tirar isso da cabeça das pessoas. Tem cura, sim, existem tratamentos e os pacientes precisam confiar, fazer o que é preciso e procurar o equilíbrio nesse momento de crise”, aconselhou. Ela descobriu que estava com a enfermidade ao fazer o autoexame. Ela percebeu um pequeno caroço na mama que resolver investigar.

Autoexame

Sandra Portela, de 54 anos, é ginecologista. Ao fazer os exames percebeu que algo estava anormal no seio dela. Ela já desconfiava o que deveria ser o nódulo. O mais rápido possível buscou descobrir.  Sandra foi diagnosticada em janeiro deste ano com câncer.

“Devemos mostrar para os outros e para as mulheres que o tratamento é difícil, mas pode ser superado. Perder os cabelos, sofrer a cirurgia, pode, muitas vezes, deixar a mulher um pouco perplexa. Mas é a compreensão da beleza vai além disso: ela está no nosso olhar, na nossa energia, na nossa essência”, diz. É preciso ter coragem para passar pelos processos e buscar a cura, buscar a vida”, completa.

Beatriz de Souza, de 31 anos, advogada também participa da exposição. Ela diz que quando diz que é paciente oncológica ninguém acredita. “Eu aparento ainda ser mais jovem mas tenho passado por esse processo e gostaria de ajudar as pessoas com minha experiência de vida”, diz.  Ela descobriu o câncer ao sentir um pequenino nódulo próximo ao centro da região peitoral.

A advogada diz que quando procurou se consultar e fez os exames e constatou que a doença estava em fase inicial. Ela conta que no começo ficou bastante abalada, mas sempre teve muito apoio dos médicos. “Mesmo antes dos resultados dos exames eles me traziam conforto com palavras positivas e de ânimo. O profissional precisa ter esse mérito, também. Saber lidar com o paciente é uma qualidade que muitos precisam trabalhar”, salienta.

“Não é uma sentença de morte. As pessoas precisam saber disso. Hoje, me cuido muito, da alimentação acompanho todas as etapas do tratamento, sempre, buscando me manter confiante. Existe recuperação e é possível ter qualidade de vida e agora estou no estágio mais tranquilo de acompanhamento hormonal. Tenho algumas limitações, mas faço atividade física, pilates”, diz.

Diagnóstico precoce traz alta chance de cura

De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia (Regional Goiás), Frank Lane Braga Rodrigues, o tema da Campanha Outubro Rosa da Sociedade Brasileira de Mastologia, de 2021, é “Quanto antes, melhor”.

“Justamente para reforçarmos a importância do diagnóstico precoce, quando falamos de câncer de mama. Muitas pessoas adiam um possível diagnóstico por medo da notícia, mas isso é uma prática muito grave, em especial, se considerarmos que esse tipo de tumor é o que mais acomete as mulheres do mundo, segundo divulgado pela Organização Mundial da Saúde, em 2020”, diz o presidente.

Ele explica que em Goiás, a regional foi além e lançou este mês a exposição “Pra Você se Ver”. “Nela retratamos homens e mulheres que passaram ou estão em tratamento contra o câncer de mama. A nossa intenção é, por meio da arte, informar à população que é possível ter vida durante ou após o câncer; que o paciente não se resume apenas à doença e que a beleza de suas características físicas vai muito além daquelas partes acometidas pela neoplasia”, completa.

Para o especialista, deve-se, então, buscar o diagnóstico precoce, pois as com chances de cura são superiores a 95% e, assim, ainda é possível realizar tratamentos menos agressivos e cirurgias mais conservadoras. A recomendação da SBM é que mulheres com 40 anos ou mais façam consultas regulares com mastologistas para realizar a mamografia de forma anual. “Esse é o único exame capaz de detectar o câncer de mama em estágio inicial, não podendo ser substituído pelo autoexame realizado em casa”, exemplificou.

Os homens também devem se cuidar porque no caso deles a taxa de mortalidade é alta apesar de apresentarem 1% dos casos de câncer de mama. Exatamente porque o nível de conscientização sobre o assunto é escasso.

Fatores de risco, sinais e sintomas

Os principais fatores de risco são exposição à radiação, níveis altos do hormônio estrogênio e histórico familiar. O tumor geralmente é detectado como um nódulo endurecido abaixo do mamilo/aréola. Somente a realização de biópsia pode confirmar o diagnóstico. As opções de tratamento do câncer de mama masculino são as mesmas oferecidas às mulheres: cirurgia, radioterapia, quimioterapia e terapias hormonais. (Especial para O Hoje)

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